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Pandemia

Três atos de sensatez de Hamilton Mourão

Contrastando drasticamente com afirmações de Bolsonaro, vice-presidente disse, entre outras coisas, que tomará a vacina contra a Covid-19

Publicado em 16 de Janeiro de 2021 às 02:00

Públicado em 

16 jan 2021 às 02:00
Orlando Caliman

Colunista

Orlando Caliman

orlando.caliman@gmail.com

O vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB) se encontra com o governador Renato Casagrande no Palácio Anchieta.
O vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB) recuperou-se da Covid-19 recentemente Crédito: Vitor Jubini
No seu retorno aos trabalhos, o vice-presidente Mourão demonstrou sensatez nas suas afirmações. A primeira delas ao dizer que vai tomar a vacina contra a Covid-19; a segunda, de que vacina é uma questão coletiva e não individual. E terceiro, que não vai dar “carteirada” para se vacinar; ou seja não vai furar a fila definida pelo Plano Nacional de Vacinação. O último mostra-se como um belo exemplo, data a fama que temos de país das “carteiradas”.
São afirmações que contrastam drasticamente com o “negacionismo” de Bolsonaro, presidente da República do Brasil, que já disse publicamente que não vai tomar a vacina: “não vou tomar a vacina, e ponto final”. E vai mais além, reforçando sua posição e chamando para si o problema: “O problema é meu”. Ou seja, não é de mais ninguém. O presidente demonstra com essa atitude um individualismo extremado, não compatível com o momento de agruras pelo qual passa o país.
Atitudes e atos de sensatez neste país estão se tornando coisas raras. Infelizmente. Mas, a questão central a ser colocada aqui é de que a prevalência da insensatez na administração do problema da pandemia, agora refletida sobremaneira na vacinação, começa a impor incertezas e travas adicionais para uma retomada mais célere e sustentada da economia.
Todo esse imbróglio envolvendo o processo de vacinação provoca dois efeitos deletérios na economia. O primeiro deles é direto, pois a cada dia de avanço do vírus implica em arrefecimento de atividades econômicas. Ou seja, contenção em termos de emprego e renda, com impactos no consumo e na produção, pois funcionam como variáveis conexas. Já o segundo efeito, este afetando as expectativas, mexe com o futuro, retardando, sobretudo, investimentos.
Inclino-me a dizer que dos dois, o que mais deve merecer preocupação, e portanto atenção, diz respeito às expectativas. Uma sinalização clara e crível de programação de vacinação certamente reduziria em muito o nível de incertezas do momento, e na outra ponta, abriria espaço para expectativas mais favoráveis.
É fundamental que se compreenda, portanto, que vacinação não é custo, é investimento. Empresários, também cidadãos e lideranças mais sensatos já assimilaram e já estão assumindo isso como verdade.

Orlando Caliman

É economista. Analisa, aos sábados, o ambiente econômico do Estado e do país, apontando os desafios que precisam ser superados para o desenvolvimento e os exemplos de inovação tecnológica

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