Motores ligados, carros alinhados e bandeira quadriculada pronta para a largada de uma corrida com ganhos coletivos para os capixabas.
Os números mais recentes do Produto Interno Bruto (PIB) dos municípios do Espírito Santo, combinados com a análise territorial dos dados de 2022 e 2023 pelo Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN) e IBGE, oferecem um painel detalhado e estratégico para o desenvolvimento. O resultado é uma fotografia que aponta avanços relevantes, mas que também ressalta as desigualdades ainda presentes no território.
Segundo levantamento publicado recentemente, a Serra se mantém como a maior economia municipal do Estado em 2023, com um PIB de cerca de R$ 37,6 bilhões, consolidando há quatro anos sua posição de liderança no ranking capixaba. Esse desempenho a coloca à frente de Vitória, cuja economia chegou a R$ 28,2 bilhões, e reafirma o papel estratégico da Serra como polo industrial, de serviços, comércio e logística no contexto estadual.
A economia de Vitória está desacelerando e perdendo tração nos últimos anos. É urgente uma maior integração com os demais municípios metropolitanos e setor produtivo e uma maior diversificação econômica. A capital precisa pensar fora da caixa e construir um plano arrojado de desenvolvimento de longo prazo, seguindo o exemplo dos planos Serra 44+, Vila Velha 500 Anos e Cariacica 2040.
Por estarem fazendo o dever de casa direitinho, Vila Velha e Cariacica estão acelerando juntas e se aproximando da capital capixaba.
Quando se observam os dados do IJSN para 2022 e 2023 no agregado dos 78 municípios, percebe-se que o crescimento econômico tem ocorrido de forma ampla no território capixaba. Na última década, a maioria das cidades registrou crescimento do PIB, indicando uma economia estadual mais dinâmica e menos concentrada exclusivamente na região metropolitana. Contudo, a potência dos motores das economias variam significativamente entre os municípios, evidenciando trajetórias distintas de expansão econômica.
O PIB per capita, indicador que ajusta a produção econômica ao número de habitantes, também mostra essa complexidade. Enquanto a Serra lidera em termos absolutos, municípios menores como Presidente Kennedy se destacam historicamente em renda por habitante, ainda que com maior vulnerabilidade a choques específicos de setores produtivos. Outras cidades, como Irupi, Brejetuba, Iúna e Viana, registraram variações expressivas em suas economias per capita nos últimos dois anos, sinalizando que há vetores de crescimento em diferentes partes do Estado.
Ainda assim, os dados expõem disparidades. A concentração econômica na Região Metropolitana da Grande Vitória (RMGV), com Serra, Vitória, Vila Velha e Cariacica, continua predominante, atraindo investimentos, empregos e serviços com intensidade muito maior do que em áreas mais periféricas do Estado.
Esse padrão não é apenas geográfico, mas reflete a distribuição histórica de infraestrutura, capital humano e acesso a mercados. Essa característica é semelhante às outras regiões metropolitanas, conforme pode ser comprovado pelos estudos da rede nacional de pesquisa do Observatório das Metrópoles, cuja qual o IJSN participa 15 anos com o Núcleo Vitória.
Os desafios que emergem desse estudo do IJSN não são apenas estatísticos, apontam para escolhas de planos e políticas públicas capazes de ampliar a base produtiva onde ela ainda é frágil, incentivar atividades econômicas diversificadas em municípios de menor porte e fortalecer ligações regionais que potencializam ganhos conjuntos. Crescer é condição necessária e desenvolver com equidade é, hoje, o imperativo estratégico para que o Espírito Santo utilize todo o seu potencial econômico de maneira integrada, sustentável e socialmente mais justa.
Em tempo, que o verdadeiro espírito do natalino seja revigorado em nossos corações e nas nossas famílias. Feliz Natal!