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Segurança pública

ES pode chegar a ser um dos cinco Estados mais seguros na metade da década

Se a tendência de queda for mantida no 2° semestre de 2022, o Estado tem condições de finalizar o ano com aproximadamente 900 homicídios, o melhor resultado dos últimos 26 anos

Publicado em 06 de Julho de 2022 às 02:00

Públicado em 

06 jul 2022 às 02:00
Pablo Lira

Colunista

Pablo Lira

pabloslira@gmail.com

Na última semana, a divulgação do Anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) revelou que entre os anos 2012 e 2021 o Brasil computou uma diminuição de 21% nas taxas de Mortes Violentas Intencionais (MVI), indicador que corresponde à soma das vítimas de homicídio doloso, latrocínio, lesão corporal seguida de morte e mortes decorrentes de intervenções policiais em e fora de serviço. Nesse período, a redução constatada nesse mesmo indicador no Espírito Santo foi de 41%, ou seja, uma diminuição quase duas vezes mais forte do que a observada para o país.
Em 2012, com uma taxa de 48,5 MVIs por 100 mil habitantes, o Estado figurava como o segundo mais violento do Brasil. Em 2021, por conta das estratégias integradas do programa Estado Presente, que é coordenado pelo governo estadual, o Espírito Santo saiu do topo do ranking das Unidades da Federação (UFs) mais violentas, alcançando a 13º posição, com 28,2 MVIs por 100 mil habitantes.
Há dez anos, na lista dos 30 municípios mais violentos do Brasil, destacavam-se municípios capixabas, como Serra, Cariacica, Linhares, entre outros. Em 2021, segundo o Anuário do FBSP, nenhum município capixaba faz parte da mencionada lista.
Ainda de acordo com o FBSP, em 2021 o Estado se destacou com o 4º o menor número de mortes de policiais e a 4ª menor letalidade policial, o que demonstra a efetividade da repressão qualificada do programa Estado Presente que é alicerçada na inteligência policial, análises criminais, evidências científicas, na articulação entre instituições de segurança pública e justiça criminal e respeito aos protocolos de uso diferenciado e/ou progressivo da força policial.
Somente em 2021 foram realizadas milhares de operações integradas no âmbito do Programa Estado Presente que retiraram milhares de lideranças criminosas e homicidas contumazes de circulação sem a necessidade de confrontos. Nessa lógica de trabalho qualificado, 4.095 armas de fogo foram apreendidas em 2021.
No primeiro semestre de 2022, com a intensificação das ações do Estado Presente, já foram apreendidas 2.087 armas de fogo, conforme assinalam os levantamentos da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (Sesp). Nessa tendência, o número de armas de fogo apreendidas até o final de 2022 provavelmente vai superar o número registrado em 2021.
Por conta da citada intensificação, foram contabilizados 467 homicídios no território capixaba nos seis primeiros meses de 2022, uma redução de 14,8% na comparação interanual, o que representa o melhor resultado alcançado desde 1996. O 1º semestre de 2022 registra redução histórica dos homicídios.
Se essa tendência for mantida no 2º semestre de 2022, o Estado tem condições de finalizar o ano com aproximadamente 900 homicídios, o melhor resultado dos últimos 26 anos. Nessa perspectiva, o Espírito Santo tem condições de chegar na metade desta década entre os cinco mais seguros do Brasil.

Pablo Lira

Pós-Doutor em Geografia, mestre em Arquitetura e Urbanismo (Ufes), pesquisador do IJSN e professor da Universidade Vila Velha (UVV). Escreve às quartas

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