Para quem acha que os nazistas eram todos culpados do mal que assolou a Alemanha de Adolf Hitler, na Segunda Guerra Mundial, lembro, para o nosso bem, o nome de um teólogo e filósofo polonês, Dietrich Bonhoeffer, preso torturado e assassinado em um campo de concentração. Entregou seu afeto e inteligência fenomenais ao definir o que se interage durante os encontros do amor e do ódio. Não é fácil.
Achava impossível pensar sem sentir e sentir sem pensar. Escrevia sempre que podia e não podia, desde que cumprisse sua missão histórica de interpretar profundamente os movimentos psíquicos-fisiológicos da insólita humanidade.
Morreu aos 39 anos encarcerado e torturado em um cubículo escuro, mas o fervor do seu filosofar permanece até hoje em todos os recantos do mundo da inteligência e do presente sempre presente.
Aprofundando os significantes das torturas, definiu, talvez, a ideia original de todas as coisas de Deus. Na verdade, o seu pensamento é fundamental, embora os conceitos em todos os tempos, em todo mundo, não dê chances individuais, Bonhoeffer trabalhou a mente em uma base comum, que pode parecer contraditória, mas não é
O terror não é feito de quem faz mal e, sim, de boas pessoas que se convencem, geralmente em massa, sem lucidez, do que estão fazendo. Experimento explícito da Alemanha e cúmplices. E deve ter muita coisa por aí que veio e virá.
Vamos às reflexões produzidas pelo gênio do bem de Bonhoeffer. Essas santificações são obras do fino pensar.
Ele enxergava, com sua lucidez, uma Alemanha inteira — de médicos, professores, pastores, gente instruída, religiosa, formada, leitora, com filhos — aplaudindo Hitler.
Mas a convicção que pairava em seu mundo, inclusive espiritual, não era a busca do mal, mas o modo como as pessoas boas puderam aplaudi-lo.
Bonhoeffer foi muito claro, aliás:
“Contra a maldade, você pode lutar. Pode denunciá-la, resistir a ela, contê-la. A maldade tem sua ganância. Ela quer alguma coisa. E, porque quer, você ambiciona. Mas contra a estupidez ninguém tem defesa. Porque a pessoa estúpida não é alguém com pouca inteligência. É alguém que renunciou a usar o próprio julgamento”.
A estupidez não é simples. Não se cura com educação, informação e argumentos santificados, porque o problema não é a ignorância, é que o indivíduo decide, consciente ou inconscientemente, que a aprovação do grupo vale mais do que o próprio critério.
E isso só se rompe de dentro para fora. Bonhoeffer escreveu sabendo que iria morrer.
Está vivo até hoje.
Dorian Gray, meu cão vira-lata, dorme tranquilo. Talvez porque os animais ainda desconheçam a estupidez aterradora dos homens.