Tenho uma especial devoção por Oscar Wilde. Herdei de meu escritor predileto o nome de batismo do meu cão, o vira-lata, de categoria, batizado como Dorian Gray, que era também o nome de seu melhor amigo, aprisionado carinhosamente em um retrato na parede.
Nascido Oscar Fingal O´Flahertie Wills Wilde, em Dublin, em 1854, jamais morreu.
Nos encontramos pela primeira vez ao visitar com reverência o Cemitério Père-Lachaise, em Paris, no 13º arrondissement, Gambetta. Iria depois outras vezes, até porque é um lugar alegre e festeiro, com cafeterias e outros serviços.
Após explorar com amigos o lindo lugar, deixei em cima do túmulo uma autorização escrita em cartolina branca: “Prochainement Ici” (Brevemente aqui). E assinei. Não é très chic?
Dizem as línguas malditas — como falava o jornalista Amylton de Almeida — que a poderosa e honrosa Rainha Vitória, da Inglaterra, no auge de seu poder, nutria uma estranha paixão por Wilde, cujo desejo não estava propriamente voltado para as mulheres. Era, entretanto, objeto de desejo de todos os sexos.
Então.
A maior ameaça à integridade do túmulo de pedra, queridos leitores, são, pasmem, os beijos de batom, provenientes de todos os apaixonados e apaixonadas. Centenas. Indeléveis.
Em 2016, o neto de Wilde, Merlin Rolland, revelou ao jornal britânico The Observer: “Se querem homenagear a memória de meu avô, deixem seu túmulo em paz” (referia-se às mensagens em baton deixadas por visitantes na pedra, diferentemente dos grafites). A bem da verdade, as marcas de todas as cores são de beijos, o que certamente seria de gosto do escritor, difíceis de remoção.
Tem gente pra tudo.
Certa vez, “castraram” o anjo de pedra do túmulo. Teria sido um policial do Pére-Lachaise, que achou a escultura indecente e, durante anos, usou os “testículos” como peso de papel em sua mesa. Que ideia.
Estimados leitores, se quiserem curtir com inteligência e alma diabruras do amor, vá a Oscar Wilde.
Dorian Gray, meu cão vira-lata, anda exigindo um retrato com moldura.