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Crônica

Sophia Loren do quintal amazonense e a COP30 que não dá fruto

A “Conferência das Contrapartidas”, em Belém, no Pará, propunha aos poderosos crônicos reduzir drasticamente as emissões de gases de efeito estufa e a transição para longe dos combustíveis fósseis. Conta outra
Paulo Bonates

Publicado em 

25 nov 2025 às 03:45

Publicado em 25 de Novembro de 2025 às 06:45

Estimados leitores, me recordo frequentemente da minha adolescência, para vivê-la outra vez. Lembro de muitas coisas que aprendi no quintal da minha avó Alice, em especial de uma generosa goiabeira. Não sei quantos anos a árvore tinha, era idosa e mantinha a fartura de seus frutos - goiaba branca - que nos saciava o corpo. Seus galhos eram inquebráveis, nós subíamos nela para melhor empinar “papagaio”.
Havia outras plantas naquele pomar natural do Amazonas, mas a goiabeira fazia renovável sucesso na vizinhança. Há dezenas de anos, voltei lá a passeio e ela lá estava, como se o tempo não tivesse passado. Ela era - como é - de todos os tempos: passado e futuro. O presente não existe.
Como era bela e farta, ganhou de batismo, como todas as árvores do quintal, nomes de atrizes famosas do álbum de figurinha. A presente estrela da criação merecia um nome próprio que lhe fizesse jus: Sophia Loren, a deusa da nossa imaginação e muita inspiração. Sophia, para os íntimos, está lá até hoje.
Outro dia reli - intelectual não lê, relê - um texto de Millôr Fernandes de 20 anos, sobre política e políticos. Millôr é o suprassumo do não pode mais em matéria de sabedoria, especialmente humor. Por exemplo, acredito na sua tese sobre o frescobol, como o esporte mais humano do planeta: ninguém ganha, ninguém perde, e todos são felizes.
Escrevo isso logo depois da mal-intencionada COP 30 que, assim como as anteriores, não serviu para nada além da propaganda política-eleitoreira. A nossa inocente reunião, ou não, pretendia convencer nações poderosas e repletas de grana, dependentes do petróleo e carvão para isso, a abrir mão do tristemente célebre lucro e da corrupção implícita.
Malfeita desde antes de começar, a proposta já estava fadada ao ridículo. A “Conferência das Contrapartidas”, em Belém, no Pará, propunha aos poderosos crônicos reduzir drasticamente as emissões de gases de efeito estufa e a transição para longe dos combustíveis fósseis. Conta outra.
Para completar, um incêndio em um dos pavilhões de debates, provocado pelo amadorismo, no final foi o que acabou trazendo, por linhas tortas, a visibilidade mundial da COP30. Last but not least.
Incêndio atinge pavilhão das nações na COP30
Incêndio atinge pavilhão das nações na COP30 Crédito: REUTERS/Douglas Pingituro
Nossa Senhora de Nazaré, de naturalidade paraense, operou um livramento político: sem vítimas fatais e debelado rapidamente, ainda bem.
Enquanto isso, a imbatível goiabeira Sophia resiste aos ataques contra o meio ambiente do quintal lá do Amazonas, protegida com engenho e arte pela família, retribuindo com frutos cada vez maiores e melhores.
Meus amigos, a natureza age assim, recebe amor, retribui, recebe ódio e exploração, também.
Dorian Gray, meu cão vira-lata, anda espalhando um panfleto com essa frase: “A natureza provém as necessidades de todos, mas não a ganância”.
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