Estimados leitores.
Hoje vou lhes apresentar uma insólita aventura que curti.
Ao sair de um shopping na Enseada do Suá, entrei no táxi de seu José Domingos Damiani. Como era de se esperar, o trânsito estava um inferno para quem precisava percorrer quatro quarteirões até chegar em casa, na Rua Affonso Cláudio, Praia do Canto.
O chofer bem que avisou.
Seu José não aguentava mais ouvir as milongas sobre a arte de melhorar a confraternização das vias da cidade, todas impossíveis.
Descobri que ele havia feito o curso de advocacia e especialização em turismo. Foi então que resolvemos dar a volta no curso da história daquele meio-dia.
— Seu Zé, o senhor conhece as ruas e avenidas do centro da cidade?
— Claro.
— Pois eu morei por ali um tempão e não conheço. Não com o amor a que Vitória faz jus, opinei
— Vamos inverter nosso destino? Ao invés de levar duas horas rastejando até a rua Affonso Cláudio, podemos ir por dentro, voltar e realizar um tour pela história antiga da cidade, sugeri
— Claro.
— Pois eu morei por ali um tempão e não conheço. Não com o amor a que Vitória faz jus, opinei
— Vamos inverter nosso destino? Ao invés de levar duas horas rastejando até a rua Affonso Cláudio, podemos ir por dentro, voltar e realizar um tour pela história antiga da cidade, sugeri
Pode acreditar, ele havia cursado advocacia em priscas eras. Entrou em um treinamento que ofereceram a alguns taxistas ano atrás, incluindo a história de Vitória.
Então.
Fomos rumo ao desconhecido, via avenida Cesar Hilal.
Lembrei que ali ficava o areal, onde a garotada fazia de campo de futebol, as disputas furiosas das equipes dos times Juventus contra Hilal Futebol Clube, e outros.
Eu jogava no primeiro que tinha a vida facilitada pelo e zagueiro e goleiro, o saudoso Ercílio Pirão. Rogerio Lora era o capitão. Bem em frente, havia e ainda há seis pequenos edifícios nomeados com nomes de mulheres árabes.
Seguimos pela avenida rumo a Jucutuquara, passando pelo Horto e pela entrada do Bairro de Lourdes. Se entrar à direita, antes da Escola Técnica, vai dar em Maruípe, no Hospital das Clínicas e no Santa Rita.
Então.
Passamos em frente ao antigo Cine Trianon, bem lembrado pelo Leomar Barreto, e seu gato miador. Era alguém jamais descoberto que imitava um miado que já fez parar a exibição dos filmes.
Voltamos pela Paulino Muller, passamos pela Igreja do bairro, rumo ao centro da cidade, Vila Rubim e Santo Antônio. No caminho, o elegante Clube Náutico Brasil.
Não se pode esquecer a subida da Santa Casa e a entrada do Mercado Municipal. Já frequentei ambos, como médico e como comprador de peixe fresco.
Com todo o respeito, passamos silenciosamente pelo majestoso Cemitério de Santo António. Basta uma visita. A família Montenegro e Paulo Eduardo Torre se encontram por lá.
Retornando.
Passamos das cinco pontes em uma só e pelo cais do porto. O Palácio do Governo visto de baixo. A Praça Oito e seu relógio. Os armazéns e a Beira-Mar na direção da praia.
Finalmente, mais depressa do que o previsto, cheguei em casa na Praia do Canto, pertinho do Triângulo das Bermudas.
Dorian Gray, meu cão vira-lata, ficou encantado com a formosura da capital do Espírito Santo.