Sair
Assine
Entrar

Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Crítica

"Sex/Life": série leva literatura erótica para a Netflix

Inspirado em livros eróticos, os "pornôs para mamães", "Sex/Life" acompanha uma dona de casa dividida entre o marido e as lembranças picantes de um ex-namorado

Publicado em 26 de Junho de 2021 às 18:28

Públicado em 

26 jun 2021 às 18:28
Rafael Braz

Colunista

Rafael Braz

rbraz@redegazeta.com.br

Série
Série "Sex/Life", da Netflix Crédito: AMANDA MATLOVICH/NETFLIX
A literatura erótica voltada para mulheres e produzida por elas foi durante muito tempo proibida (literalmente) e se consolidou apenas nos últimos 20 anos do século passado, com livretos de qualidade duvidosa, impressos em material barato e vendidos em bancas de revista. Esse prazer secreto, motivo de uma quase injustificada vergonha, só foi deixando de ser um tabu na última década, com o estrondoso sucesso dos livros “Cinquenta Tons de Cinza”, de E. L. James, que essa literatura saiu do armário. O sucesso de James abriu portas para Sylvia Day, Jill Shavis, Christina Lauren e diversas outras autoras do gênero "mommy porn", ou "pornô para mamães", que disponibilizam seus livros gratuitamente em plataformas como o Kindle Unlimited e sempre elencam entre as mais lidas do serviço.
É óbvio que esse sucesso não demorou para chegar às telas não apenas nas adaptações literárias, mas em filmes/séries que se aproveitam da estética narrativa para criar um clima sexy, às vezes até meio proibido, e quase sempre protagonizados por mulheres comuns, com filhos, famílias e empregos, quase sempre conciliando tudo isso, uma rotina bem similar à das mulheres do outro lado da tela. “Sex/Life”, série lançada pela Netflix na última sexta (25), é o mais novo exemplar dessa tendência.
Produzida, escrita e dirigida por Stacy Rukeyser (“UnREAL”), “Sex/Life” é centrada em Billie (Sarah Shahi), uma mulher na casa dos 30 anos, com um filho pequeno e uma bebê recém-nascida. Casada com o bonitão Cooper (Mike Vogel), Billie vive nos famosos subúrbios nova-iorquinos, um cenário tranquilo, com grandes casas, boas escolas e uma vida pacata. Uma escolha de vida, mas uma vida dos sonhos para muitos.
Com o nascimento da filha caçula, Billie passou a registrar tudo em um diário. As noites mal dormidas e as questões sobre a maternidade começaram a dar espaço a relatos sobre a fraca vida sexual recente do casal - às voltas com mudanças no trabalho e com um respeito excessivo pela “mãe de seus filhos”, Cooper não tem sido um marido sexualmente presente.
Billie então passa a ter lembranças de seus dias antes de conhecer o marido, quando curtia bastante a noite nova-iorquina ao lado da amiga Sasha (Margaret Odette). Foi nessa época que ela teve um relacionamento com o galã Brad (Adam Demos), um empresário dono de uma gravadora com quem tinha uma tórrida relação antes de conhecer o atual marido.
Série
Série "Sex/Life", da Netflix Crédito: AMANDA MATLOVICH/NETFLIX
Insatisfeita sexualmente com Cooper, Billie passa a relatar, aparentemente de forma muito detalhada, sua relação com Brad. Ao mesmo tempo, ele retorna para sua vida por caminhos um pouco tortos. A protagonista então se vê no dilema que dá título à série: o sexo, lembrança principal com Brad, ou a vida construída ao lado do marido?
“Sex/Life” é narrada como um romance barato (sem intenção de soar pejorativo), quase sempre com a voz sussurrada de Billie dizendo o que se vê em tela ou explicitando os sentimentos já bem explícitos da personagem. Esse estilo narrativo aproxima a série do formato consagrado por “Sex and the City”, mas o lançamento da Netflix é bem mais picante do que as desventuras amorosas de Carrie Bradshaw e cia.
Série
Série "Sex/Life", da Netflix Crédito: AMANDA MATLOVICH/NETFLIX
Sarah Shahi se entrega ao papel e faz a série valer a pena. A atriz dá intensidade às cenas de sexo e brilha muito mais que seus pares do sexo masculino. “Sex/Life” funciona como um livro erótico, com uma mulher comum tendo que decidir entre dois bonitões milionários, um que é sinônimo de estabilidade e segurança e outro que representa a aventura, a ousadia e o sexo sem limites. O fato de Billie ainda ter que se preocupar com lactação ou problemas do filho na escola apenas aproximam a protagonista de seu público.
Apesar das frequentes cenas de sexo, a série toma todo o cuidado do mundo para não mostrar demais, se permitindo exceder apenas em um ou outro momento e com cenas que até funcionam como recurso narrativo. Essa característica, aliada aos diálogos expositivos e nem sempre muito bem encenados, deixa “Sex/Life” com clima de um “soft porn” bem picante, mas uma narrativa de segunda categoria.
“Sex/Life” é eficaz no que se propõe a fazer, mas é bom ressaltar que o estilo vem cheio de vícios do gênero. Os dilemas de Billie parecem artificiais, assim como a reação dos envolvidos. O roteiro lida com os conflitos de maneira interessante, potencializando-os em suas origens, mas minimizando-os em suas resoluções quase sempre para funções cômicas. O resultado é que tudo sempre parece supervalorizado e deixa a impressão de que Billie está exagerando.
Ao invés de antagonizar Billie e Sasha quando a oportunidade surge, a série evita o clichê da rivalidade feminina para reforçar a força de uma amizade. É curioso como o texto tira proveito de referências do gênero e as encaixa na contemporaneidade, com mulheres em posição de poder e sem condenar comportamentos outrora vistos como equivocados.
“Sex/Life” é como um livro erótico escrito por uma mulher para mulheres, colocando em tela dilemas que boa parte delas gostaria de ter. É uma série sobre prazer feminino e que tenta quebrar estereótipos incômodos e colocar o poder de decisão na mão delas. É também uma história que abusa de clichês, comportamentos e situações improváveis, mas que se mostra eficiente no que se propõe ao se afastar da realidade e apostar em uma fantasia na ousadia da ausência de limites e do questionamento da relação monogâmica.
Série
Série "Sex/Life", da Netflix Crédito: AMANDA MATLOVICH/NETFLIX

Rafael Braz

Crítico de séries e cinema, Rafael Braz é jornalista de A Gazeta desde 2008. Além disso, é colunista de cultura, comentarista da Rádio CBN Vitória e comanda semanalmente o quadro Em Cartaz

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Homem de 32 anos foi salvo pelos guarda-vidas de Vila Velha
Banhista é resgatado após se afastar 1 km da areia na Praia da Costa
Região do Triângulo, na Praia do Canto, lotada durante jogo do Brasil na Copa
Estreia do Brasil na Copa do Mundo lota bares em Vitória
Catar x Suíça
Qatar arranca empate no fim contra Suíça em jogo agitado

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados