Sair
Assine
Entrar

Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Crítica

"Sintonia", da Netflix, continua ótima em segunda temporada

Série brasileira da Netflix volta para a segunda temporada se aprofundando nas histórias de Doni, Rita e Nando e mostrando a realidade das "quebradas" Brasil afora

Publicado em 25 de Outubro de 2021 às 21:15

Públicado em 

25 out 2021 às 21:15
Rafael Braz

Colunista

Rafael Braz

rbraz@redegazeta.com.br

Série
Série "Sintonia", da Netflix Crédito: Vans Bumbeer/Netflix
Quando “Sintonia” foi lançada, em outubro de 2019, ela era a “série do Kondzilla”. De fato, a série brasileira da Netflix havia sido idealizada por Konrad Dantas e trazia elementos de sua vida na periferia do Guarujá, litoral de São Paulo, mas ia além. Focada nas diferentes jornadas de Doni (Jottapê), Rita (Bruna Mascarenhas) e Nando (Christian Malheiros) respectivamente pela música, a religião e o tráfico, “Sintonia” é um retrato da vida das pessoas nas periferias Brasil afora. “Quando os personagens ganham vidas e histórias, o público se identifica com eles”, diz Bruna, em entrevista à coluna.
Na segunda temporada, que chega nesta quarta (27) à Netflix, a vida dos protagonistas mudou. A história retorna cerca de um ano após os acontecimentos do filme da primeira temporada; MC Doni colhe os frutos do sucesso, Rita mergulha cada vez mais no mundo da igreja e Nando se torna um chefe no crime. O que não muda, porém, é a relação dos três. “Eles são unidos por uma ideologia. Vieram do mesmo lugar e aprenderam as mesmas coisas, mas cada um escolhe o que quer fazer”, explica Jottapê, para Christian completar: “essa é a família que eles escolheram e isso tem um valor simbólico muito forte”.
O tempo que separa as duas temporadas também foi de bastante transformação, principalmente para Christian, que ganhou destaque no ótimo “Sócrates” (2018), de Alexandre Moratto, participou da série “Sessão de Terapia” e protagoniza “7 Prisioneiros”, bom filme que chega à Netflix em 11 de novembro, ao lado de Rodrigo Santoro. “Meu foco é na responsabilidade que eu ganho com isso. Esse trabalho (atuar) tem me proporcionado histórias reais e tenho o compromisso de representar essas pessoas, as bandeiras que eu levanto”, pondera.
Voltando à “Sintonia”, a segunda temporada tem uma pegada parecida com a primeira, mas apresentando o já citado novo contexto. O texto gasta tempo apresentando a nova ambientação ao espectador (o recap da temporada passada é ótimo) ao mesmo tempo em que ensaia novos conflitos para os personagens.
É lá pelo terceiro episódio (de seis) que a temporada engrena. É interessante perceber como os laços permanecem fortes e inquebráveis, mas Doni, Rita e Nando já não são mais inseparáveis - novos amigos, escolhas e compromissos nas jornadas de cada um os afastam, ao menos fisicamente. O peso desse afastamento é sentido pelos personagens, mas sempre tratado com sutileza pelo roteiro, mostrado nos pequenos detalhes.
“Sintonia” é esperta o suficiente para repetir as fórmulas e os coadjuvantes que deram certo na primeira temporada. Com o sucesso de Doni, a série mergulha no universo da música pop brasileira, com muitos shows e participações especiais, mas também coloca novas escolhas no caminho do funkeiro. Paralelamente, Nando se transforma no chefe do tráfico na comunidade e tem que lidar com questões dos moradores da comunidade, mas também dá um passo adiante na escalada do crime e passa a dialogar com pessoas mais “graúdas” do que ele. Já Rita é quem apresenta menos conflitos - ela ganha um interesse romântico, trabalha pela igreja da comunidade e busca se reconectar com o afastado pai.
Série
Série "Sintonia", da Netflix Crédito: Vans Bumbeer/Netflix
A apresentação do pai da personagem resgata uma característica forte de “Sintonia”, a vontade de acabar com os estereótipos caricatos. Inicialmente demonizado por ter abandonado a família da jovem, o personagem ganha certa profundidade em alguns flashbacks. “A série vem desmistificar as pessoas da periferia, da favela. Falta oportunidade a essas pessoas. A gente fala da periferia, mas isso é só a ponta do iceberg. Tem que falar de desigualdade social, da herança de um Brasil colonial”, analisa Christian, durante a entrevista ao lado dos colegas de elenco.
O roteiro de “Sintonia” é um pouco atropelado e dá impressão de que as coisas acontecem e se resolvem muito rapidamente, mas também é feliz ao trazer de volta um arco que ficara incompleto na primeira temporada e criar com ele um conflito cuja solução pode mudar o rumo da série. Distanciando as jornadas pessoais dos protagonistas, o texto já começa a ensaiar um caminho sem volta para Nando, mas o personagem também já começa a pensar além do crime, a ter ambições maiores para sua família, e talvez isso envolva os amigos, a família que ele escolheu.
Série
Série "Sintonia", da Netflix Crédito: Vans Bumbeer/Netflix
Sem uma terceira temporada confirmada no momento, “Sintonia” deveria pensar em não deixar ganchos soltos, dando finais ao menos satisfatórios para seus três protagonistas, o que não acontece. A série dá uma inesperada guinada dramática no arco final dos novos episódios e ganha novos contornos, abrindo novas possibilidades e dando um impacto na narrativa que mais uma vez é levada para a realidade das periferias brasileiras. Se não houver uma terceira temporada, no entanto, a série permanecerá sem fim.
Mesmo com a força dos momentos finais da segunda temporada, “Sintonia” permanece divertida e urgente ao narrar o cotidiano da “quebrada” fugindo de estereótipos e de conceitos pré-estabelecidos. Há violência, mas ela não é exclusividade da periferia e tampouco causada apenas pelos que lá habitam. A Vila Áurea da série é envolvida em arte, música, amizade e cheias de histórias de redenção e de vidas das pessoas daquele lugar. Seja conhecida como a série idealizada por Kondzilla, como a história de Doni, Rita e Nando, ou como uma série sobre as “quebradas” Brasil afora, “Sintonia” é uma das mais consistentes séries brasileiras da Netflix.
Série
Série "Sintonia", da Netflix Crédito: Vans Bumbeer/Netflix

Rafael Braz

Crítico de séries e cinema, Rafael Braz é jornalista de A Gazeta desde 2008. Além disso, é colunista de cultura, comentarista da Rádio CBN Vitória e comanda semanalmente o quadro Em Cartaz

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva
Lula diz que terminou radioterapia e que cura do câncer de pele foi definitiva
Segunda Ponte
Segunda Ponte: ordem de serviço para criar 5ª faixa será assinada na segunda (15)
Imagem de destaque
Vereadores de Aracruz vão ter direito a R$ 10 mil para reembolso de despesas

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados