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Sustentabilidade

Entenda por que o futuro do capitalismo é verde

Eventos globais como a COP30 e troca de experiências como a Earthshot, criada pelo Príncipe William, devem ser vistas não pela visão estreita do partidarismo, mas pelo senso de oportunidade que oferecem

Publicado em 12 de Novembro de 2025 às 04:30

Públicado em 

12 nov 2025 às 04:30
Rafael Furlanetti

Colunista

Rafael Furlanetti

falecomfurla28@gmail.com

Belém é a capital do mundo nesta semana com a realização da COP30, a primeira Conferência de Meio Ambiente da ONU na Amazônia. Representantes dos principais países do mundo, com a notável exceção dos Estados Unidos, enviaram representantes para debater uma pergunta fundamental ao nosso futuro: como podemos seguir crescendo e distribuindo riqueza sem destruir o planeta?
É verdade que o debate sobre o meio ambiente tem doses de alarmismo, polarização política e preconceito, mas hoje este é o clima de qualquer tema central que mexe com tantos interesses. O fato de haver vozes radicalizadas não significa que o debate não deva ser enfrentado por todos.
Vou contar uma experiência pessoal. Na semana passada, o Rio de Janeiro foi palco do Earthshot Prize, criado pelo Príncipe William, do Reino Unido, para premiar soluções que estão salvando o planeta com inovação, propósito e resultado.
Saí do encontro certo de que estamos vivendo um ponto crucial, o momento em que preservar passa a dar mais retorno do que destruir.
Durante décadas, a lógica do desenvolvimento foi crescer a qualquer custo. Agora, a nova geração de empreendedores, investidores e cientistas está mostrando que, no médio e longo prazos, é mais lucrativo e sustentável preservar e regenerar
Entre os vencedores do Earthshot está um orgulho brasileiro, a re.green, empresa fundada em 2021 por cientistas e investidores brasileiros e que, em quatro anos, já cultivou 6 milhões de mudas em projetos na Amazônia e na Mata Atlântica. A ação gerou créditos de carbono vendidos a empresas. Até 2032, a re.green prevê o plantio de 65 milhões de mudas.
Outro exemplo premiado que me marcou foi o Lagos Fashion Week, da Nigéria.
Belém
Prí­ncipe de Gales, William, discursa durante plenária geral dos líderes na cúpula do clima, COP30. Crédito: Bruno Peres/Agência Brasil
Eles estão reinventando o setor da moda reciclando e reaproveitando roupas que iriam para o lixo.
O encontro premiou ainda a ATRenew, uma empresa chinesa que criou um sistema baseado em inteligência artificial que recolhe, testa e recondiciona celulares, notebooks e relógios usados, dando a cada aparelho uma segunda, terceira e até quarta vida. Eles já processaram 150 milhões de eletrônicos, o equivalente a todos os smartphones do Reino Unido e da França juntos.
Esses casos se somam a de outra experiência exitosa, o da Orizon Resíduos Sólidos, uma empresa brasileira que transforma lixo em energia limpa através do biometano.
Tive a oportunidade de participar da abertura de capital da Orizon, um modelo de negócio que sintetiza a mitigação do impacto ambiental com resultado financeiro.
Eventos globais como a COP30 e troca de experiências como a Earthshot devem ser vistas não pela visão estreita do partidarismo, mas pelo senso de oportunidade que oferecem.
Como diz a música, o Brasil é um país abençoado por Deus. A nossa matriz energética é limpa, temos experiência comprovada em biotecnologia e reservas incalculáveis de biodiversidade nas nossas florestas, rios e costa marítima. Podemos liderar um capitalismo verde se conectarmos tudo isso com visão de longo prazo, capital e estratégia. Esse é o nosso desafio.

Rafael Furlanetti

Capixaba de Sao Gabriel da Palha, e socio e diretor de Relacoes Institucionais da XP e presidente da Ancord (Associacao Nacional das Corretoras e Distribuidoras de Titulos e Valores Mobiliarios, Cambio e Mercadorias). Escreve quinzenalmente neste espaco sobre empreendedorismo, inovacao e negocios ao publico do Espirito Santo

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