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Gênero

A importância de exaltar a presença de mulheres eficientes na política

Desacreditar a importância da representação de mulheres nos cargos de liderança política é dar subsídio aos discursos que ignoram a necessidade de cotas para mulheres na política

Publicado em 22 de Abril de 2020 às 05:00

Públicado em 

22 abr 2020 às 05:00
Renata Bravo

Colunista

Renata Bravo

rbravosantos@gmail.com

Mulher na política
Mulher na política Crédito: Divulgação
Uma reportagem foi bastante compartilhada nas redes sociais na última semana. Nela, havia a informação de que países liderados por mulheres têm se destacado no combate à Covid-19. Dentre eles, Taiwan, Nova Zelândia, Alemanha, Noruega, Dinamarca, Islândia e Finlândia. A reportagem do jornal O Globo, em sua plataforma Celina, que trata de temas ligados a mulheres, questões de gênero e diversidade, deixou “evidente que não há correlação direta entre gênero e competência”, além de realçar que os países retratados são ricos. Então, por que notícias como essa importam?
Concordo com a afirmação de que gênero e competência não possuem uma correlação direta. Da mesma forma que não há certeza de que países liderados por mulheres responderão sempre da melhor maneira possível a crises. Também é importante não entender que essa resposta efetiva dos supracitados países gerenciados por mulheres se deve ao fato de que elas sabem cuidar melhor dos seus - longe de mim afirmar isso; aliás, isso é uma das coisas que eu frequentemente rechaço neste espaço.
Nesse campo, me questiono: de que adiantaria dizermos, por exemplo, “ah, mas esses países são ricos e estão em outros níveis de desigualdades econômico-sociais do que o Brasil” ou “será que se os outros países tivessem presidentas/primeiras-ministras, a pandemia estaria melhor controlada mesmo”? Qual a efetividade de questionamentos desse tipo em um momento em que se clama por solidariedade e reflexão do mundo que queremos construir após esse difícil momento da nossa história?
Não vejo benefício nenhum em polemizar nisso. Me parece mais uma crítica pela crítica. Fico muito feliz que tantas mulheres e homens reproduziram a notícia de forma positiva, considerando um presente e em um futuro melhores.
Para mim, não podemos rechaçar a importância ao menos simbólica da presença dessas mulheres nos postos de lideranças eficientes. Especialmente no Brasil isso tem mais relevância, quando lembramos que a ex-presidenta Dilma Rousseff passou por um golpe misógino, em cujo processo o atual presidente Bolsonaro (deputado federal à época) saudou um torturador e fez (como sempre) apologia à ditadura que, dentre tantas outras atrocidades, estuprava mulheres, introduzia ratos nos órgãos sexuais e espancava grávidas .
Especialmente em um Brasil presidido por um candidato eleito pelo partido suspeito de usar de candidaturas laranjas de mulheres – o que, inclusive, foi confirmado pela deputada federal capixaba Soraya Manato em outubro do ano passado.
Portanto, desacreditar a importância da representação de mulheres nos cargos de liderança política é dar subsídio aos discursos que ignoram a necessidade de cotas para mulheres na política, é fortalecer a imagem e o discurso de um presidente que desde a campanha despreza as necessidades específicas das mulheres, que faz “piadas” de cunho sexual contra jornalista e que não tem na sua governança nenhuma política efetiva para que o Brasil possa integrar essa lista de países em destaque no combate à pandemia do coronavírus.
Em ano eleitoral no Brasil, rogo que essas mulheres da reportagem inspirem nossas brasileiras a estarem nos locais dos quais sempre tentaram nos tirar, rompendo com a ideologia da política misógina patriarcal.

Renata Bravo

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