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Política

Confiança popular na política tem volta?

O diagnóstico conhecido do professor André Singer apontou que o lulismo encarna um reformismo progressista fraco, de caráter conciliatório. Seus limites políticos são, portanto, bem conhecidos

Publicado em 14 de Abril de 2025 às 03:00

Públicado em 

14 abr 2025 às 03:00
Rodrigo Medeiros

Colunista

Rodrigo Medeiros

medrodrigo@gmail.com

A pesquisa Genial/Quaest, divulgada no dia 2 de abril de 2025, revelou que a desaprovação da gestão federal cresceu. Segundo a matéria da CNN, assinada por Renata Souza, o CEO da Quaest, Felipe Nunes, afirmou que “parte da explicação para a alta desaprovação do governo está na quebra de confiança do eleitorado com o presidente Lula”.
De acordo com a avaliação de Nunes, “além de não conseguir cumprir as promessas de campanha, cada vez menos gente vê o presidente como bem-intencionado”. Em relação ao comportamento do presidente, 47% não consideram que ele é bem-intencionado, enquanto 44% dizem que ele é. Ainda assim, o presidente seria reeleito. O que isso diz, afinal, sobre a oposição em termos de opinião popular?
“Ao contrário do que acontecia no passado, aumentar a exposição de Lula por meio de entrevistas e eventos não tem conseguido produzir melhora na percepção sobre o presidente”, ponderou Nunes. Além disso, os preços dos alimentos e dos combustíveis afetam o poder de compra dos brasileiros, que se tornou relativamente menor do que no passado recente.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Conforme mostrou a pesquisa, 56% entendem que o Brasil está na direção errada, enquanto 36% consideram que o país está no caminho certo. O governo, por sua vez, aposta em um ajuste fiscal regressivo, que não será capaz de dar respostas positivas para esse quadro de aflições populares. A “fada da confiança” já se mostrou um mito na condução de políticas econômicas.
O diagnóstico conhecido do professor André Singer apontou que o lulismo encarna um reformismo progressista fraco, de caráter conciliatório. Seus limites políticos são, portanto, bem conhecidos. Apesar das políticas sociais compensatórias implementadas, o lulismo falhou na promoção de mudanças estruturais progressivas.
Seu caráter conciliatório e desmobilizador ajudou a reforçar e a manter intactas muitas das estruturas políticas e econômicas tradicionais. Que tal um exemplo? Em sua coluna em O Globo, de 18 de fevereiro de 2024, Bernardo Mello Franco avaliou o papel dos empresários envolvidos com a intentona direitista de 8 de janeiro de 2023.
De acordo com o jornalista, a defesa histórica da ditadura convergiu com o fundamentalismo de mercado. Eleito em 2018, segundo Mello Franco, o ex-presidente “empenhou-se no desmonte do Estado e da legislação trabalhista e ambiental”. A promoção de um capitalismo selvagem conviveu com o garimpo em terras indígenas e o trabalho infantil, “que voltou a crescer após anos de queda”, destacou então. O lulismo e a sua oposição política pretendem conciliar com esse tipo de capitalismo e ainda manter a confiança da população?

Rodrigo Medeiros

É professor do Instituto Federal do Espírito Santo. Em seus artigos, trata principalmente dos desafios estruturais para um desenvolvimento pleno da sociedade

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