Sair
Assine
Sair
Entrar

Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Rodrigo Medeiros

O Estreito de Ormuz e o Brasil: o mundo não voltará ao que era antes

O Brasil precisa decidir se quer apenas observar ou ocupar algum espaço mais relevante

Publicado em 17 de Agosto de 2026 às 04:20

Públicado em 

17 ago 2026 às 04:20
Rodrigo Medeiros

Colunista

Rodrigo Medeiros Rodrigo Medeiros

medrodrigo@gmail.com

O fechamento do Estreito de Ormuz, descrito por Daniel Yergin como um divisor de águas, não é apenas mais um episódio da crônica de tensões no Oriente Médio. Trata-se do momento em que o sistema energético global revela a sua vulnerabilidade estrutural.


Em sua recente entrevista ao Valor Econômico, na edição digital de quatro de agosto, Yergin foi direto: “O mundo não voltará ao que era antes”. O Irã, ao assumir o controle efetivo de Ormuz, tornou-se um agente regulador do mercado de petróleo. Aproximadamente 20% do petróleo comercializado globalmente passa por ali.


Yergin lembrou que a geografia é destino. Países importadores correm para reforçar estoques, redesenhar rotas e rever as suas políticas de preços. O tema da segurança energética é questão de soberania nacional.

Veja Também 

Imagem de destaque

Por quanto tempo o Irã pode sustentar a guerra com os EUA e Israel?

Imagem de destaque

Resposta do Irã deixa mortos e aumenta escalada com EUA após rompimento do cessar-fogo

Imagem de destaque

Irã quer transformar conflito militar com EUA em guerra econômica, diz especialista

A crise expôs a dependência das cadeias de suprimentos construídas para a eficiência, não para a resiliência. Yergin observou que, desde 2020, a logística virou um assunto estratégico. O fechamento de Ormuz acelerou essa perspectiva em muitos países.


Arábia Saudita, Emirados Árabes e empresas estadunidenses no Iraque estudam oleodutos que contornam as zonas de conflito. A Chevron, por exemplo, chegou a considerar um oleoduto atravessando a Síria, algo que, até pouco tempo atrás, seria visto como um delírio.


A disputa entre Estados Unidos e China pelos minerais críticos ganhou contornos de uma nova corrida espacial. Afinal, a eletrificação global depende desses insumos e a sua concentração geográfica virou uma fonte de risco sistêmico. A transição energética precisa conviver com a geopolítica dura.


O fechamento de Ormuz também se soma à guerra prolongada entre Rússia e Ucrânia. Refinarias russas são atacadas, exportações de diesel foram restringidas e o país passou a importar combustíveis de terceiros. O sistema energético global opera sob múltiplos estresses simultâneos.

Estreito de Ormuz, no Irã, onde passa maioria da produção mundial de petróleo
Estreito de Ormuz, no Irã, por onde passa um quinto da produção mundial de petróleo Imagem de Satélite/Google Maps/Reprodução

A globalização mostrou-se frágil diante de conflitos que se sobrepõem. Nesse contexto, Yergin destacou que o Brasil “não tem pontos de obstrução” e produz quatro vezes mais petróleo do que a Venezuela.


Em um mundo que busca diversificação e segurança, a combinação de produção crescente, estabilidade logística e distância das zonas de conflito é um ativo estratégico. No entanto, esse ativo só se converte em vantagem quando há política pública consistente e visão de longo prazo.


O fechamento de Ormuz é um alerta, pois mostra que gargalos estratégicos não desaparecem com discursos otimistas. Mostra ainda que cadeias de suprimentos precisam ser redundantes, não apenas eficientes, e que a transição energética não elimina a geopolítica, apenas a torna mais complexa.


O mundo não voltará ao que era antes e o Brasil precisa decidir se quer apenas observar ou ocupar algum espaço mais relevante. Como pretendemos nos posicionar de forma soberana, tendo em vista a necessária elevação da qualidade de vida da nossa população? Quais riscos corremos com o endurecimento das disputas geopolíticas?

Rodrigo Medeiros

Rodrigo Medeiros Rodrigo Medeiros

É professor do Instituto Federal do Espírito Santo. Em seus artigos, trata principalmente dos desafios estruturais para um desenvolvimento pleno da sociedade

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem de destaque
A vida em El Salvador 4 anos sob Bukele: 'O medo agora é outro'
Estiagem longa provoca o esvaziamento do rio Paranapanema, na divisa dos estados de São Paulo e Paraná, baixando o nível de água do reservatório da Usina Hidrelétrica de Capivara
A Terra entrou no vermelho: estamos gastando um planeta que não temos
Benicio Costa e a esposa Leticia com Sidemar Acosta e Agnaldo Martins
Sindiex celebra aniversário com posse de nova diretoria em Vitória

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados