Sair
Assine
Sair
Entrar

Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Economia

Estrutura produtiva capixaba: quais são as tendências a partir da reforma tributária?

O Espírito Santo precisa decidir se continuará preso ao passado ou se abraçará o futuro. A transição não será simples: a arrecadação pode oscilar, municípios sentirão o impacto, e a disputa por recursos do FNDR será acirrada

Publicado em 31 de Janeiro de 2026 às 05:01

Públicado em 

31 jan 2026 às 05:01
Sávio Bertochi Caçador

Colunista

Sávio Bertochi Caçador

saviobcacador@outlook.com

O Espírito Santo está diante de uma mudança que não é apenas tributária, mas estrutural. Durante décadas, nossa economia se apoiou em dois pilares: de um lado, a indústria extrativa e de semielaborados — minério de ferro, celulose, aço, petróleo, rochas ornamentais — e, de outro, um setor terciário impulsionado por incentivos fiscais, que transformou o Estado em um polo de comércio atacadista, importação e logística.
Esse arranjo nasceu sob o ICMS e o princípio da origem, que permitiam ao Estado arrecadar mesmo quando o consumo acontecia em outras regiões. Mas a reforma tributária, com o novo IBS e a lógica do destino, muda radicalmente esse jogo.
O coração do modelo atual, baseado em vantagens fiscais, começa a perder força. Centros de distribuição que prosperaram pela “logística fiscal” terão de se reinventar, porque a guerra tributária se encerra e a competitividade passa a depender de eficiência real: portos mais ágeis, rodovias bem conectadas, tecnologia de ponta. Não basta mais ser barato no imposto, será preciso ser rápido e eficiente na entrega. Quem não fizer essa transição corre o risco de ver seus galpões esvaziarem.
Na indústria de commodities, o impacto também é profundo. O status de Estado produtor deixa de garantir arrecadação direta, e os benefícios vinculados ao ICMS perdem relevância. Ainda assim, há uma janela até 2043, quando os estados poderão cobrar contribuição sobre produtos primários e semielaborados.
É um prazo que deve ser usado com inteligência: não para manter o modelo como está, mas para investir em pesquisa, desenvolvimento e inovação, transformando minério em produtos siderúrgicos mais complexos, celulose em bioprodutos, e rochas ornamentais em design e tecnologia. O desafio é sair da dependência da exportação bruta e adensar as cadeias produtivas.
Ao mesmo tempo, setores que sempre sofreram com a complexidade tributária ganham fôlego. Serviços de tecnologia da informação, consultoria, BPO, turismo e lazer passam a competir em condições mais justas, beneficiados pela simplificação e pela eliminação da cumulatividade.
Vitória pode se consolidar como polo financeiro e de saúde, enquanto nosso litoral e montanhas recebem estímulos indiretos para se tornarem destinos turísticos mais fortes e competitivos. A reforma, nesse sentido, premia o valor agregado e a inteligência econômica.
O Espírito Santo, portanto, precisa decidir se continuará preso ao passado ou se abraçará o futuro. A transição não será simples: a arrecadação pode oscilar, municípios sentirão o impacto, e a disputa por recursos do FNDR será acirrada. Mas é justamente nesse momento que o estado deve se organizar, apresentar projetos estruturantes e garantir que não fique para trás.
Área em Aracruz onde ficará a primeira Zona de Processamento de Exportação (ZPE) privada do Brasil
Área em Aracruz onde ficará a primeira Zona de Processamento de Exportação (ZPE) privada do Brasil Crédito: THIAGO DE BARROS/GOVERNO DO ES
Pernambuco já mostrou com o Porto Digital que é possível reinventar-se; o Pará busca transformar sua mineração em indústria. Nós também temos a chance de escolher: ser apenas corredor de commodities ou laboratório de inovação.
O fio condutor é claro: a reforma tributária desmonta o modelo baseado em incentivos fiscais e coloca o Espírito Santo diante da necessidade de construir uma nova matriz produtiva. Se soubermos usar a janela fiscal para financiar a modernização, investir em logística eficiente e apostar em serviços de alto valor agregado, poderemos garantir um crescimento mais estável e duradouro. O futuro capixaba dependerá da coragem de trocar o benefício fiscal pela inteligência competitiva.

Sávio Bertochi Caçador

É economista, doutor em Economia pela Ufes, professor e consultor

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Mais conhecida como Baiana, Evani dos Santos Reis é a presidente do Sindilimpe-ES
Gari, mulher e negra: a provável suplente de Contarato na campanha ao Senado
Imagem de destaque
Dois anos após o crime, casal é condenado por morte de jovem em Aracruz
ES está entre os estados mais expostos às novas tarifas dos EUA, aponta Findes
ES está entre os estados mais expostos às novas tarifas dos EUA, aponta Findes

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados