Com o fim do verão, que foi um dos mais quentes de que já tivemos notícia, vem a esperança de dias mais amenos, com menos sofrimento, afinal o calor intenso não só é bastante desconfortável como provoca até mesmo problemas de saúde, além de aumentar o risco de incêndios, principalmente em áreas rurais. Daí que a conversa recorrente entre pessoas conhecidas ao se encontrarem durante os últimos meses não versava sobre outra coisa que não fosse o calor.
Para quem pôde aproveitar as férias, até que o verão de sol radiante proporcionou momentos agradáveis graças àquele astral típico da estação, tomando uma cerveja gelada com os amigos à beira do mar ou da piscina. Mas tem uma hora que cansa. Ou melhor, este ano, cansou muito.
Entretanto, ao contrário de anos recentes, quando boa parte da Região Sudeste sofreu longa estiagem, cuja consequência foi o racionamento de água, desta vez esse foi um problema que não chegou pra agravar o insuportável calor vivenciado dia após dia. É claro que a seca de anos anteriores também acendeu o sinal de alerta dos governos da região, que iniciaram ações para mitigar os problemas relacionados à falta de chuva. Enfim, pelo menos deu para tomar um bom banho no fim do dia e relaxar um pouco.
De qualquer modo, algumas questões devem ser objeto de reflexão não só dos governos, mas de todas as pessoas, afinal são elas que sofrem com as ações da natureza.
1. Segundo dados científicos de pesquisadores climáticos, o calor só tende se agravar ao longo dos próximos anos, ou seja, podemos nos preparar, pois vai piorar;
2. Períodos de estiagem também estão previstos de modo intermitente, de tal modo que não há garantia que teremos água suficiente se mantido o nível de consumo per capita atual;
3. Grande parte da água se perde devido ao desperdício em vazamentos, seja na etapa de captação, distribuição, mas até mesmo nas redes individuais residenciais e não residenciais;
4. Grande parte da água da chuva que poderia ser coletada e reaproveitada é simplesmente desperdiçada;
E por fim:
5. Continuamos agindo de modo irresponsável com uma das principais fontes de vida que são nossos rios e mares, jogando lixo e esgoto não tratado, de tal modo que estamos destruindo nossas fontes de água e até de alimento (afinal não só consumimos peixes, crustáceos e algas, como necessitamos de água para a agricultura e pecuária, ou seja, sem ela não haveria alimento suficiente para as pessoas).
Usamos água para cozinhar e para lavar as panelas; usamos água para tomar banho e para lavar nossas roupas; usamos água para plantar vegetais que iremos comer. A água está no café que tomamos todos os dias de manhã e na cerveja ou vinho dos finais de semana. Usamos água para dar descarga em nossos vasos sanitários e ela depois precisa ser tratada para poder retornar para a natureza. Usamos água para apagar incêndios, cada vez mais frequentes. Precisamos de água para produzir carros, roupas ou livros. E não há nada igual a beber um copo d’água quando se está com sede. Ou seja, a água é onipresente em nossas vidas.
Mas, se ela é tão importante, por que damos tão pouca importância a ela?