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Sociedade

Cidade boa é cidade cheia de gente na rua aproveitando a vida

Não faltam meios de nos apropriarmos das ruas e praças, afinal a cidade é do povo. E só assim poderemos fazer da cidade um lugar fraternal e hospitaleiro
Tarcísio Bahia

Publicado em 

07 ago 2025 às 04:30

Publicado em 07 de Agosto de 2025 às 07:30

“A gente não quer só comida / A gente quer comida, diversão e arte / A gente não quer só comida / A gente quer saída para qualquer parte // A gente não quer só comida / A gente quer bebida, diversão, balé / A gente não quer só comida / A gente quer a vida como a vida quer” 
“Comida”, Marcelo Fromer / Arnaldo Antunes / Sergio Britto
Se existe algo que mostra a pujança das cidades é ver suas ruas cheias de gente animada.
A história de muitas cidades, aliás, começa com as feiras, que nada mais são do que o encontro de pessoas nas ruas, reunindo aqueles que querem vender com os que querem comprar coisas. E ali, no meio da rua, se dá o escambo, com os feirantes nas suas barracas mostrando e comercializando os produtos para seus clientes, sejam eles habituais ou não. Caso seja um cliente frequente, é até comum começar uma amizade a partir daquele repetitivo encontro entre o feirante e seus fregueses.
As feiras normalmente se iniciam com a venda de produtos agropecuários trazidos das zonas rurais, mas aos poucos outros itens foram se introduzindo nelas, afinal nem só de comida vivem as pessoas das cidades.
Com o passar do tempo e à medida que as cidades cresciam, as feiras foram se expandindo e se espalhando pelo território urbano, assim como foram surgindo feiras especializadas, tais como as de antiguidades e que acabaram se tornando um atrativo turístico em muitas cidades. E, ao redor das feiras, barracas de comidinhas e bebidas complementam a variedade desses eventos, deixando-os ainda mais festivos.
Em muitos lugares, há feiras que apenas possuem barracas de comidas e bebidas, configurando-se como eventos gastronômicos que reúnem a vizinhança local.
Daí que a feira não só supre uma necessidade da vida urbana – comprar alimentos – como também se tornou um entretenimento.
Hoje, porém, existem diversas outras formas de ocupação das ruas e praças, que reúnem grupos de pessoas com interesse comum e que fazem da vida pública urbana um momento especial para quebrar a rotina de quem participa desses movimentos. Contra o isolamento desagregador proposto por condomínios, uma inclusão multicultural que requalifica a cidade.
As rodas de samba ou chorinho, dois autênticos gêneros musicais brasileiros já fazem parte da programação cultural de muitas praças de bairros Brasil afora. E como é agradável curtir tais momentos junto dos amigos que também têm admiração por uma música tão popular quanto irreverente e que não traz nenhum tipo de preconceito sociocultural, algo que infelizmente já temos visto em alguns guetos em tempos atuais.
No Rio de Janeiro, por exemplo, a roda de choro “Arruma o Coreto”, que se reúne aos domingos numa praça em Laranjeiras, até se tornou Patrimônio Imaterial tanto estadual quanto municipal. Já em Vitória, é em Jardim Camburi que o choro acontece, e também aos domingos.
E o que falar das rodas de capoeira que acontecem em todos os pontos do Brasil? Sem falar na puxada de mastro, acompanhada do congo, manifestação religiosa incorporada na cultura capixaba.
Os modos inclusivos de apropriação da cidade expõem uma sociedade cada vez mais plural, mas que nem por isso se propõe – em sua maioria – ser excludente.
Idosos frequentam a feira livre de Jardim da Penha
Feira livre de Jardim da Penha Crédito: Elis Carvalho
Existem grupos que saem pelas ruas em suas bikes para pedalar, outros para pintar ou desenhar os diversos cenários que a paisagem urbana oferece.
Já é notório para muita gente o fenômeno do Urban Sketchers (croquis urbanos, numa tradução literal). Criado pelo jornalista espanhol Gabi Campanaro, o USk, como é conhecido, propõe que as pessoas saiam pelas cidades desenhando-as, registrando em folhas de papel o dia a dia da vida urbana, conformada por gente, edifícios, arborização, céu, nuvens...
E o melhor, a ideia é que cada cidade crie seu próprio grupo do USk para desenharem juntos. Hoje já existem centenas de grupos espalhados pelo mundo e até pelo Brasil. Inclusive aqui na Grande Vitória temos o USk Vitória, que foi criado em 2016 e hoje já realizou mais de 100 encontros para desenhar diversos pontos turísticos da cidade.
Enfim, não faltam meios de nos apropriarmos das ruas e praças, afinal a cidade é do povo. E só assim poderemos fazer da cidade um lugar fraternal e hospitaleiro.
E você, de que modo vem ocupando esse espaço que é seu?
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