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Realização de obras

O sonho da arquitetura, um trabalho sublime

Etimologicamente, a utopia é algo inalcançável, o que não significa que devemos descartá-la; o trabalho do arquiteto, se não é divino, pelo menos é heroico na sua ambição altruísta
Tarcísio Bahia

Publicado em 

09 out 2025 às 02:01

Publicado em 09 de Outubro de 2025 às 05:01

Este foi um ano marcante para o cinema nacional, afinal os brasileiros viram o filme “Ainda estou aqui”, do diretor Walter Salles, ganhar o Óscar de Melhor Filme Internacional. Em seguida, foi o filme “O Agente Secreto”, do diretor Kleber Mendonça Filho, que obteve destaque no Festival de Cannes com os prêmios de interpretação dado ao ator Wagner Moura e de direção ao próprio Kleber Mendonça Filho.
Mas outro filme que chamou a atenção dos amantes de cinema, tanto por sua qualidade, quanto por sua longa duração, foi “O Brutalista”, afinal são três horas e 35 minutos de projeção (com um intervalo de 15 minutos).
Cena do filme
Cena do filme "O Brutalista" Crédito: Adrien Brody
Para quem não viu, cabe dizer que o filme acompanha a saga do arquiteto húngaro Lászlo Toth, a partir da sua chegada aos Estados Unidos, fugindo da hostilidade instalada na Europa. Formado na mítica escola alemã de arte e arquitetura Bauhaus, que acabou sendo fechada pelos nazistas, Lászlo representa o ideal que move os arquitetos no desejo de transformação do espaço no qual os homens vivem. A interpretação de Lászlo garantiu ao ator Adrien Brody seu segundo Óscar de Melhor Ator.
O espaço, onde a arquitetura atua, possui tanto uma dimensão aberta – a natureza – quanto uma dimensão fechada – o ambiente construído, criado de modo artificioso pelo arquiteto.
O Brutalismo (de onde é tirado metaforicamente o título do longa-metragem) foi um estilo dentro do Modernismo, que buscava romper com o tradicionalismo conservador, propondo um olhar ao futuro, afinal as condições tecnológicas proporcionadas pela Revolução Industrial preconizavam a ideia de um mundo harmônico.
Infelizmente, não foi nada disso o que ocorreu, pois o que se viu foi um maior acirramento social em função do aumento da desigualdade econômica, afinal banqueiros e industriais enriqueceram ainda mais, enquanto operários definhavam em fábricas e comunidades rurais eram obrigadas a abandonar suas lavouras. Em consequência, explodiram as tensões territoriais e as migrações, até que vieram as guerras, e que tiveram na tecnologia uma aliada no fornecimento de armamento em proporções desastrosas.
Mas o sonho do(s) arquiteto(s) não se arrefeceu diante das incertezas e da aspereza que parecia se mostrar ubíqua. Desde a expulsão do Paraíso que o homem tem diante de si um território que precisa ser transformado, visando um reequilíbrio da sua relação com a natureza, pois ela, a despeito da sua enorme generosidade, demanda intervenções em sua estrutura, que não a descaracterizem, mas possam permitir a nossa vivência em harmonia com o ambiente que nos rodeia.
Aí entra o papel da arquitetura, a tal ponto a nos referirmos a Deus como “arquiteto do Universo”. E em Hebreus 11:10, encontra-se um versículo sobre Abraão dizendo "pois ele esperava a cidade que tem alicerces, cujo arquiteto e construtor é Deus".
Entretanto, não se pode dizer o contrário, isto é, que o arquiteto aspira à divindade, apesar do seu trabalho, do ponto de vista conceitual, buscar modificar o espaço preexistente. Trata-se, portanto, de uma ambição utópica, mas sempre desejando fazer do mundo terrenal um lugar melhor.
Etimologicamente, a utopia é algo inalcançável. Isso não significa, porém, que devemos descartá-la. Daí se pode considerar que o trabalho do arquiteto, se não é divino, pelo menos é heroico na sua ambição altruísta.
Muitos arquitetos se tornam anônimos, outros não. Mesmo que seja impossível listar todos os que iluminaram o mundo com suas obras, não custa lembrarmos de alguns nomes, principalmente brasileiros, como o Aleijadinho, Oscar Niemeyer ou Paulo Mendes da Rocha.
O certo é que todo arquiteto se propõe a realizar obras que respondam às necessidades específicas de algum cliente, individual ou coletivo, cumprindo com suas funções sociais, econômicas, culturais, paisagísticas e ambientais. Enfim, o trabalho do arquiteto é algo sublime e feliz de quem pode praticá-lo.
Este texto é dedicado à memória da arquiteta Maria do Carmo Schwab, pioneira na introdução da Arquitetura Moderna do Espírito Santo, falecida no mês passado.
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