As relações entre os Estados Unidos e a Venezuela têm sido marcadas por tensões políticas, econômicas e diplomáticas, especialmente nas últimas décadas. O governo norte-americano, sob diferentes administrações, impôs diversas sanções econômicas à Venezuela, alegando violações de direitos humanos, corrupção e a falta de democracia no país.
Essas ações, frequentemente interpretadas pelo governo venezuelano como formas de agressão ou ataque indireto, resultaram em graves impactos sociais e econômicos para a população venezuelana.
As violações relacionadas a esse contexto abrangem desde a interferência na soberania nacional da Venezuela até denúncias de restrições ao acesso a bens essenciais devido às sanções. Organizações internacionais e especialistas em direitos humanos destacam que tais sanções podem exacerbar crises humanitárias, afetando principalmente os grupos mais vulneráveis.
Além disso, acusações de violações dos direitos civis e políticos também são levantadas contra o próprio governo venezuelano, criando um cenário complexo de múltiplas violações e responsabilizações.
A Venezuela possui a maior reserva provada de petróleo do mundo, com 204 bilhões de barris; é uma potência em reserva de gás natural, sendo a 7ª do mundo e a maior da América Latina; possui uma estratégica riqueza mineral, sendo o líder latino-americano em reservas de ouro, com 161 toneladas; detém uma das maiores reservas de água doce por habitante do planeta e tem 53 milhões de hectares férteis para agricultura.
Essa condição da Venezuela a coloca em disputa e alvo de pressões, sanções e ataques no cenário internacional. Contudo, além dessa riqueza toda, o país possui soberania, que deve ser respeitada, considerando que se trata do valor internacional mais valioso.
É muito conivente praticar ações irresponsáveis, análogas a golpes de estado, em um país que possui a maior reserva de petróleo do mundo, com a justificativa de lutar pela democracia e implantar a paz mundial, considerando que, este mesmo país, lucrou 679 milhões de dólares com guerras ao redor do mundo.
Devemos ser demasiadamente latinos e não apoiar e celebrar um país que acha que o mundo é extensão do seu quintal. Devemos nos preocupar com a Venezuela, pois, de prima facie, precisamos respeitar o princípio da soberania, que consiste no princípio fundante, em que nenhum país tem poder sobre outro, de modo que cada um é soberano em seu território, e somente nele.
Além disso, precisamos preservar o princípio da alteridade, que mantém vínculo intrínseco com o princípio da soberania, muito importante à antropologia, que dispõe que não existe cultura melhor ou pior, mas diferentes, e nessa diferença habita a riqueza da humanidade.
Igualmente importante, antes de sair bradando besteira pelos quatro cantos, estudar história e geopolítica, para saber que os EUA têm histórico de desrespeito por esses dois princípios e, pior, violam tratados, convenções e acordos internacionais. E são mestres em cobrar responsabilidade dos outros quando lhe é conveniente. Propagam que “a América é para os americanos”, mas esquecem que América Latina também é América, e não quintal deles.
O tempo de colônia já passou e não somos mais laboratório do neoliberalismo. Também não podemos esquecer, pelo menos quem estudou sabe, que a ditadura militar de 1964 teve a contribuição dos EUA, de acordo com documentos da CIA.
Então, como brasileiros, precisamos olhar para o mapa do Brasil e reler a história a contrapelo. A Venezuela faz fronteira direta com o Brasil, pelo Estado da Roraima, via estratégica para área amazônica, de relevância planetária e lugar de conservação da Terra.
A invasão norte-americana na Venezuela não foi motivada por preocupação com a democracia ou por heroísmo liberal, ressaltando que ninguém concorda ou apoia o autoritarismo de Nicolás Maduro, mas sim pelo petróleo, pelo lugar estratégico, pela tentativa em conter a expansão chinesa do ponto de vista econômico e pela Rússia, no que concerne à questão militar.
Enfim, o império Yankee não traz rumores de paz, mas implanta a miséria e a devastação, o que é sua especialidade, por meio do velho colonialismo. Atinge a Venezuela, atinge o Brasil, atinge o mundo inteiro como se fosse um grande tabuleiro de War. A grande diferença é que não se trata de um jogo jogado pelas famílias nas férias, mas do mundo real em que vidas humanas estão ameaçadas.