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Antirracismo

O racismo que sufoca e mata não apenas uma pessoa, mas toda a humanidade

A falta de ar que George Floyd sentiu é a mesma que todas as vítimas de violência sofrem, que atinge o corpo e alma. A falta de ar que ameaça a vida todas as vezes que o racismo insiste em diminuir o outro

Publicado em 13 de Junho de 2020 às 05:00

Públicado em 

13 jun 2020 às 05:00
Verônica Bezerra

Colunista

Verônica Bezerra

vcbezerra@gmail.com

Na Esplanada dos Ministérios, manifestantes realizam protesto pró-democracia. Pautas como racismo e antifascismo compõem a agenda dos manifestantes
Na Esplanada dos Ministérios, manifestantes realizam protesto pró-democracia, antifascismo e contra o racismo Crédito: Leo Bahia/Fotoarena/Folhapress
Em 25 de maio de 2020, George Floyd foi assassinado nos EUA por um policial que se ajoelhou, por cerca de oito minutos, no seu pescoço fazendo com que perdesse o ar. Mesmo informando que não conseguia respirar, Floyd, um homem negro, foi levado à morte por um homem branco, em meio à “praça pública”, e mais, em tempos da vida filmada de forma instantânea, a ação foi registrada, assim como o seu clamor desesperado.
A imagem foi veiculada no mundo inteiro, e desencadeou manifestações antirracistas que trouxeram à memória outros episódios semelhantes aos que foram a motivação das lutas dos movimentos por igualdade racial e direitos civis nos EUA, podendo ser considerada uma continuação da luta de Luther King, durante os anos 1950 e 1960.
Uma das manifestações que mais chamou a atenção, além dos policiais se ajoelhando e milhares de jovens durante dias ocupando as ruas do mundo, bradando: “parem de nos matar”, “não consigo respirar” ou “tire seu joelho do meu pescoço”, foi o ato de centenas de jovens permanecendo deitados com os rostos voltados para o chão em posição similar à que Floyd foi assassinado. O ato é o registro concreto que uma violação de Direitos Humanos gravíssima como o racismo não atinge somente a uma pessoa, mas toda a humanidade.
Sem dúvida nenhuma o que detona em cada um de nós quando um caso desse acontece, capaz de levar milhares de pessoas para as ruas no mundo todo, é algo que é intrínseco à dignidade da pessoa humana e que se encontra no cerne da proteção dos Direitos Humanos. Que não se negocia ou relativiza-se, e, portanto, não é aceitável a sua violação. O que afeta ao homem, enquanto sujeito de direitos, é o que o move e o torna capaz de lutar por algo tão concreto e tão fugaz que é a vida humana. O que torna os Direitos Humanos indivisíveis, indisponíveis e inegociáveis.
Ocupar as ruas é mais do que a empatia pela dor do outro, é compromisso com o direito a uma vida digna e sem preconceito para com todas as pessoas e, principalmente, é uma radicalização necessária contra o racismo que se encontra na estrutura da sociedade. É preciso que afete não somente pela mesma condicionalidade, mas pela responsabilidade política, histórica e social de cada um e cada uma.
A falta de ar que George Floyd sentiu é a mesma que todas as vítimas de violência sofrem, que atinge o corpo e alma. A falta de ar que ameaça a vida todas as vezes que o racismo insiste em diminuir o outro. Para enfrentar essa falta de ar é preciso lançar mão do respirador de uma luta que precisa ser contínua e vigilante, e que ainda como temos visto pelo mundo está longe de acabar, considerando que o racismo ainda insiste em fazer vítimas todos os dias.

Verônica Bezerra

Advogada, coordenadora de Projetos CADH, mestre em Direitos e Garantias Fundamentais (FDV) e especialista em Direitos Humanos e Seguranca Pública

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