Sair
Assine
Entrar

Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Mercado financeiro

Ocupando a Faria Lima: como resistir ao sistema desigual e produzir mais direitos

A produção de riqueza não é problema. O problema é a não distribuição dessa riqueza para todos, ocasionando a acumulação de riqueza por poucos

Publicado em 25 de Março de 2024 às 13:58

Públicado em 

25 mar 2024 às 13:58
Verônica Bezerra

Colunista

Verônica Bezerra

vcbezerra@gmail.com

No último dia 12 de março, foi noticiado na Folha de São Paulo o lançamento de um fundo com milhões da venda de parte do negócio para investir em impacto social. A operação teve como responsável o CEO e fundador do Grupo Gaia, João Pacifico. Um investidor de 45 anos que assume o ativismo social, principalmente vinculado ao Movimento dos Trabalhadores sem Terra. Calcula-se que mais de R$ 22 milhões foram investidos para o MST.
A atuação de João Pacífico no mercado financeiro, além de investir, é permeada pela crítica à ganância e pela defesa de que os ricos paguem mais impostos. Em vídeo postado recentemente em uma rede social, que conta com mais de 157 mil seguidores, advoga a construção de um mercado financeiro mais humano.
O Grupo Gaia nasceu em 2009, com o objetivo de intervir no mercado financeiro, para que este seja mais humano. Contando com mais de R$ 20 bilhões, era composto por empresas de investimentos de impacto e tradicional.
ações, mercado financeiro, investimentos, carteira, bolsa de valores
Mercado financeiro Crédito: Shutterstock
Em março de 2022, a parte da empresa que atuava com investimentos tradicionais foi vendida, e os recursos oriundos dessa negociação doados para organizações da sociedade civil criadas com objetivos de fazer investimentos sociais de impacto. Todo o lucro do Grupo Gaia é destinado a causas sociais por meio de projetos próprios.
A ação diferenciada de João Pacífico, além dos milhares de likes recebidos, possui outros frutos, como o lançamento de emissões de Certificados de Recebíveis do Agronegócio. Essas ações renderam ameaças de todos os lados, mas que não prejudicaram as operações financeiras.
O caso coloca no centro da Faria Lima, a famosa Avenida de São Paulo hospedeira de bancos e grandes escritórios, a desigualdade social, decorrente da distribuição violadora de recursos econômicos, que tem lastro na história social brasileira e na construção de um Estado que a perpetua, quando não tem robustez de intervenção.
A produção de riqueza não é problema. O problema é a não distribuição dessa riqueza para todos, ocasionando a acumulação de riqueza por poucos. A questão central está na não distribuição de riquezas, produtora de uma sociedade desigual.
Entre os dois extremos, onde a maioria tem pouco ou quase nada e a minoria detém o poder econômico, encontramos uma classe média que se acha elite, e serve aos interesses dos mais ricos, cumprindo o papel de fiadora da manutenção das riquezas acumuladas.
Quando se catapulta alguém para dentro do sistema, apostando no capital financeiro que não tem partido, cor, sexo e ideologia, inicia-se um movimento de minar o sistema e redistribuição.Assim as mudanças são semeadas.
Como bem alertou o CEO do Grupo Gaia: “Talvez você não sabia, mas no fundo está com o MST.”, que a despeito de toda movimentação de criminalização que suporta é o maior produtor de arroz orgânico não somente do Brasil, mas também da América Latina e autor de um modo de gestão de acesso aos direitos fundamentais garantista e inclusivo.

Verônica Bezerra

Advogada, coordenadora de Projetos CADH, mestre em Direitos e Garantias Fundamentais (FDV) e especialista em Direitos Humanos e Seguranca Pública

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Terceira Ponte tem interdição parcial para corrida neste domingo
Terceira Ponte tem interdição parcial para corrida neste domingo
Imagem BBC Brasil
As desculpas de joelho que o Vaticano fez a povoado no Peru: 'Fizeram o que queriam conosco porque somos pobres'
Imagem de destaque
Solução para violência no trânsito é conhecida, mas quem tem coragem?

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados