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São Paulo

Padre Júlio Lancellotti e o silenciamento de defensores de direitos humanos

O episódio ressalta a complexidade na relação entre liderança eclesiástica e práticas pastorais, apontando para a necessidade de reavaliar o papel da Igreja na sociedade contemporânea
Verônica Bezerra

Publicado em 

22 dez 2025 às 03:45

Publicado em 22 de Dezembro de 2025 às 06:45

O assassinato de defensores de direitos humanos no Brasil é causa de preocupação mundial, considerando o número de defensores que foram mortos nos anos de 2023, 2024 e 2025. No entanto, existem outras formas de silenciar um defensor de direitos humanos que denuncia injustiças e abusos. Esses métodos visam dificultar ou inviabilizar o trabalho dessas pessoas, expondo-as a riscos e constrangimentos.
Uma das principais estratégias consiste em ameaçar e intimidar o defensor. As tentativas de constrangimento, medo ou pressão podem ocorrer de diversas formas, incluindo abordagens presenciais, ligações telefônicas ou ataques por meio das redes sociais, com objetivo de criar um ambiente hostil e inseguro, desencorajando a atuação do defensor.
A recente proibição implementada pelo Arcebispo de São Paulo ao padre Júlio Lancellotti tem gerado discussões relevantes tanto no meio religioso quanto na sociedade civil e é caracterizada como uma ação de silenciamento. A medida, ao restringir determinadas atividades pastorais do sacerdote, suscita questionamentos acerca dos limites da atuação social dos membros do clero e sobre o papel institucional da Igreja perante as demandas sociais modernas.
Religião
Padre Júlio Lancellotti celebra missão na capela da Universidade São Judas, na Mooca, zona leste de São Paulo, neste domingo (21) Crédito: Danilo Verpa/Folhapress
O padre Júlio Lancellotti é amplamente reconhecido por sua atuação com populações vulneráveis, especialmente pessoas em situação de rua. Seu trabalho é considerado referência no cuidado aos grupos marginalizados, evidenciando a presença ativa da Igreja junto a esses segmentos. Nesse contexto, a decisão do arcebispo fomenta discussões sobre autonomia pastoral, autoridade eclesiástica e a importância do diálogo entre diferentes setores da instituição religiosa.
A análise do caso revela que tensões internas podem refletir desafios institucionais mais amplos diante das transformações sociais. O episódio ressalta a complexidade na relação entre liderança eclesiástica e práticas pastorais, apontando para a necessidade de reavaliar o papel da Igreja na sociedade contemporânea e de repensar as formas de articulação entre hierarquia e serviço social.
Sistemas institucionais podem adotar mecanismos sutis destinados a restringir a atuação de defensores de direitos humanos, muitas vezes apresentando decisões administrativas como medidas protetivas, mas que podem resultar em censura e isolamento. Um exemplo dessa dinâmica é a decisão de limitar a participação de Júlio Lancellotti em redes sociais e transmissões de missas. Embora apresentada como ação preventiva, tal restrição compromete significativamente sua atuação pública, dificultando a defesa dos direitos dos grupos vulneráveis que representa.
Esse tipo de medida pode ser compreendido como uma estratégia de neutralização, afastando o defensor do debate público e dos meios de mobilização social. Ao restringir o acesso aos canais de comunicação, reduz-se a influência e a capacidade de denúncia do defensor de direitos humanos. Dessa forma, mesmo sem recorrer a ações extremas, o sistema limita a atuação daqueles que promovem justiça social, tornando o ambiente menos propício à defesa dos direitos humanos.
Outra prática frequente é a criminalização dos defensores de direitos humanos. Nesse caso, recorre-se ao sistema judicial para processar ou acusar injustamente quem denuncia, numa tentativa de descredibilizar a sua atuação ou impedir que continue a exercer o seu papel. Essa instrumentalização da justiça visa transformar o defensor em réu, desviando o foco das denúncias apresentadas. Há ainda a disseminação de informações falsas ou distorcidas sobre o defensor. Campanhas de difamação e desinformação procuram manchar a sua reputação, fragilizando a sua credibilidade perante a sociedade e isolando-o do apoio de que necessita para continuar o seu trabalho.
A ação da Igreja no caso do padre Júlio deve conduzir a sociedade basileira a refletir os reais motivos da estratégia de silenciamento e a quem serve, considerando o serviço de conscientização política, à luz do Evangelho, que padre Júlio sempre desempenhou.
Quando se silencia um defensor de direitos humanos, a sua luta se fortalece e outros assumem o seu legado. Há uma música do cancioneiro popular cristão que diz que “se calarem a voz dos profetas, as pedras falarão; se fecharem os poucos caminhos, mil trilhas nascerão; muito tempo não dura a verdade, nestas margens estreitas demais”.
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