As ondas de calor intenso que ocorrem durante o verão e as constantes oscilações climáticas não exercem os mesmos efeitos em todas as camadas da sociedade. Uma análise sociológica revela que as populações que vivem em situação de pobreza apresentam uma vulnerabilidade significativamente maior aos efeitos extremos do clima.
Muitas dessas pessoas residem em habitações precárias, sem isolamento térmico adequado e sem acesso a equipamentos que poderiam amenizar o calor, como ventiladores ou aparelhos de ar condicionado. Em períodos de calor extremo, essas moradias tornam-se praticamente inabitáveis, o que intensifica o sofrimento e prejudica a qualidade de vida desses indivíduos.
Além disso, é comum que bairros periféricos, onde se concentram populações mais desfavorecidas, careçam de áreas verdes. A ausência desses espaços agrava ainda mais as altas temperaturas, pois elas têm a capacidade de amenizar o calor. Esse cenário evidencia como a infraestrutura urbana perpetua desigualdades históricas, refletindo a ausência de investimentos e de políticas públicas voltadas para a equidade social.
Sob uma perspectiva econômica, o aumento das temperaturas representa um desafio a mais para as famílias em condição de vulnerabilidade social. O calor excessivo pode gerar custos adicionais, como despesas extras com água e energia elétrica, utilizadas para tentar resfriar os ambientes, ou mesmo com cuidados de saúde, já que doenças relacionadas ao calor são mais frequentes nessas condições.
Para as camadas mais favorecidas da sociedade, esses impactos acabam sendo reduzidos devido a melhores condições habitacionais e ao acesso facilitado a recursos, o que permite uma resposta mais eficiente aos desafios impostos pelo clima.
Dessa forma, o clima atua como um elemento que aprofunda as disparidades sociais, tornando ainda mais evidente a necessidade de políticas públicas que promovam a adaptação urbana e a justiça climática. É fundamental que essas políticas considerem as diferentes realidades socioeconômicas da população, de modo a garantir maior equidade e proteção social frente aos desafios impostos pelas mudanças climáticas.
O aumento das temperaturas aumenta doenças relacionadas ao calor, afetando especialmente crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas. Eventos extremos como ciclones, inundações e secas facilitam a propagação de enfermidades graves e levam populações à migração. Mudanças no clima prejudicam a produção agrícola, intensificam insegurança alimentar e desnutrição, e expandem áreas de transmissão de doenças como malária e dengue.
A poluição atmosférica provoca milhões de mortes prematuras, elevando riscos de câncer e problemas cardíacos. A crise climática ameaça diretamente a saúde humana, atingindo de forma desigual os grupos mais vulneráveis, reforçando a necessidade de maior apoio das autoridades.
Estamos diante de um problema, causado pela irresponsabilidade humana, em geral dos mais abastados, de consequências globais, que ao final podem exterminar toda a humanidade, mas começando sempre pelos mais pobres.