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Duplo homicídio

Após condenação de Marujo, comparsa recebe pena de 49 anos de prisão

Paraíba, liderança do PCV que está no presídio federal de Rondônia, participou do julgamento por videoconferência; ele e Marujo foram condenados pela morte de  duas pessoas em Vitória

Publicado em 09 de Maio de 2024 às 03:50

Públicado em 

09 mai 2024 às 03:50
Vilmara Fernandes

Colunista

Vilmara Fernandes

vfernandes@redegazeta.com.br

Julgamento por videoconferência
Crédito: Arte - Geraldo Neto
Após 11 horas de julgamento, finalizado na noite desta quarta-feira (08), uma das lideranças mais antigas da facção criminosa Primeiro Comando de Vitória (PCV) foi condenada a 49 anos e 4 meses de prisão. Trata-se de Giovani Otacílio de Souza, o Paraíba. Ele é comparsa de Fernando de Moraes Pereira Pimenta, o Marujo. Os dois participaram do grupo que executou a tiros duas pessoas no Morro da Garrafa, em Vitória, em uma disputa por território.
Paraíba está no presídio federal de Porto Velho, em Rondônia, e participou do Tribunal do Júri, realizado no Fórum de Vitória, por videoconferência. A primeira tentativa de julgá-lo, no ano passado, acabou sendo suspensa por uma interrupção no sinal de internet que impediu a transmissão.
No julgamento desta quarta-feira foram sentenciados:
  • Giovani Otacílio de Souza, o Pará ou Paraíba - 49 anos e 4 meses em regime fechado
  • Diego Pereira Bandeira, o Diego Mijão - 42 anos e 5 meses em regime fechado
  • Teles Tongo Almeida, o Teles Tongo - 49 anos e 4 meses em regime fechado
  • Breno Costa Pimentel Lima, o Escama - absolvido a pedido do MPES
Ao todo foram denunciados pelo Ministério Público do Espírito Santo (MPES), 9 pessoas por duplo homicídio. Em 23 de agosto do ano passado foram julgadas cinco, entre elas Marujo - que está preso na unidade federal de Catanduvas, no Paraná. Confira as sentenças:
  • Fernando de Moraes Pereira Pimenta, o Marujo - 51 anos e 6 meses
  • José Renato Pimenta Júnior (irmão de Marujo), o Juninho 40 - 39 anos e 3 meses
  • Gildean Domingos da Silva, Coringa - 45 anos e 10 meses
  • Josiel Maia Rocha, o Zé - 40 anos e 3 meses
  • Railton Oliveira de Jesus,  o Leocádia ou Siri Patola - absolvido

Arma de ouro

Paraíba foi preso em 2017 em uma operação policial. Com ele foram apreendidas drogas, munição e armas, incluindo uma pistola banhada a ouro. É uma das lideranças antigas do PCV / Trem Bala. Já possui condenações por outros crimes e foi denunciado junto com outras 39 pessoas na Operação Armistício, realizada pelo Grupo Especial de Atuação e Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Espírito Santo (MPES), por participação em organização criminosa.
Foi a pedido dos promotores do Gaeco que a Justiça estadual decidiu enviar Paraíba e mais quatro da mesma facção - João de Andrade, vulgo Joãozinho da 12; Carlos Alberto Furtado da Silva, vulgo Beto; Geovane de Andrade Bento, vulgo Vaninho; e Pablo Bernardes, vulgo Geléia -, para a Penitenciária Federal de Porto Velho, em julho de 2021.

Duplo homicídio

Os crimes aconteceram em 13 de outubro de 2015, por volta das 3h. Em um ataque aos rivais do Morro da Garrafa, em Vitória, foram executados Erico da Costa Sampaio e Gabriel dos Santos Araújo.
Foi uma disputa de território do bonde do Trem Bala / PCV. Após perder o comando do morro, que chegou a ser chefiado por Marujo, a facção começou a promover ataques para tentar reaver o espaço.
É relatado na pronúncia - decisão que encaminha os réus para o júri popular -, que um dos rivais ligou para um dos integrantes da facção, provocando o grupo. A ligação, segundo o relato, foi ouvida por Paraíba. No dia do último ataque, que resultou nas duas mortes, é relatado que ele não estava presente, mas que ordenou e planejou as ações, tendo ainda distribuído armas.
Marujo foi quem subiu o morro no dia do crime, se valendo do seu conhecimento da região onde um dia atuou. Junto com o restante do grupo encontraram as vítimas, que foram mortas a tiros.
O advogado Winter Winkler de Almeida Santos, que representa a Paraíba, foi procurado, mas não se pronunciou sobre a condenação. A defesa dos demais acusados não foi localizada. O espaço segue aberto para a manifestação.

Vilmara Fernandes

É jornalista de A Gazeta desde 1996. Antes atuou em A Tribuna. Foi repórter nas editorias de Política, Cidades e Pauta. Foi Editora de Pauta e Chefe de Reportagem. Desde 2007, atua como repórter especial com foco em matérias investigativas em diversas áreas.

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