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As causas de acidentes aéreos em Guarapari desde 2016 (e um mistério)

Levantamento revela que entre as ocorrências está o mau funcionamento e a perda de controle; cidade também registrou caso  há mais de 50 anos

Publicado em 20 de Janeiro de 2026 às 03:30

Públicado em 

20 jan 2026 às 03:30
Vilmara Fernandes

Colunista

Vilmara Fernandes

vfernandes@redegazeta.com.br

Acidentes aéreos / Guarapari
Crédito: Arte - Camilly Napoleão com Adobe Firefly
O acidente com uma aeronave ocorrido nesta segunda-feira (19), em Guarapari, é o sexto registrado na cidade na última década. Juntos totalizaram seis vítimas, duas delas morreram e outras duas ficaram com lesões graves.
Décadas antes é possível identificar um outro caso, ocorrido em 1975. Trata-se de um mistério, considerando que a aeronave, o piloto e os três passageiros nunca foram localizados (veja abaixo). 
O levantamento foi feito a partir das informações da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), por meio do Sistema de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Sipaer).
Os relatórios dos casos já investigados apontam alguns fatores que podem ter ocasionado os acidentes ou incidentes. Confira:
  • Falha ou mau funcionamento de sistema, de componentes ou do motor 
  • Problemas em equipamentos e em um caso afetou a qualidade do combustível, que foi contaminado
  • Perda de controle do voo
  • Condições meteorológicas precárias
  • Manutenção da aeronave
Além dos problemas técnicos e de componentes, são apontadas outras questões que também podem repercutir nos acidentes e que envolvem as decisões tomadas pelo piloto.

Os casos

Desde 2016 foram registrados os seguintes casos em Guarapari:
  • Destruição do bico e trem de pouso -  ocorreu em 28 de dezembro de 2016. Estavam a bordo de uma pequena aeronave um piloto e um aluno, em um voo de instrução. No regresso relataram que houve forte trepidação no motor acompanhada de ruído, mas conseguiram pousar. Houve danos no trem de pouso e no nariz do avião
  • Colisão e mortes - O acidente foi registrado em 19 de fevereiro de 2020 e duas pessoas morreram. A aeronave decolou do Aeródromo de Guarapari (SNGA) por volta das 18h30 com destino ao Aeroporto de Vitória com um piloto e um passageiro. Logo após a decolagem houve a colisão contra uma empresa, um material de construção
  • Pouso forçado em mangue - Era um voo de instrução com dois pilotos. Logo após a decolagem houve mau funcionamento do motor e a tripulação fez um pouso de emergência em uma área de mangue. O acidente ocorreu em 4 de julho de 2021 e resultou na destruição do avião e deixou duas vítimas com lesões graves
  • Voo para plataforma - Em março do ano passado, uma aeronave fazia o percurso até uma plataforma a fim de realizar transporte de pessoal quando, logo após o pouso,  foram identificados problemas técnicos e ela foi encaminhada para manutenção
  • Problemas no sistema de alerta de colisão - Situação ocorreu em novembro do ano passado com um avião que seguia de Vitória para o Aeroporto Viracopos, em Campinas (SP), a fim de realizar transporte aéreo público regular. Ao passar por Guarapari ocorreu um alerta no Sistema Anticolisão de Tráfego (TCAS). Após a execução dos procedimentos previstos, o voo prosseguiu para o seu destino.
  • Queda em cima de oficina - Um avião de pequeno porte caiu e atingiu o galpão de uma oficina mecânica no bairro Jardim Bela Vista, em Guarapari, no Espírito Santo, nesta segunda-feira (19), logo após decolar no aeroporto do município. A aeronave era particular e pertencia ao piloto, de 37 anos, que estava sozinho a bordo e sofreu ferimentos na mão
Acidentes aéreos / Guarapari
Reportagens de A Gazeta sobre acidente com Cessna em 1975 Crédito: Arte - Camilly Napoleão com Adobe Firefly

O avião desaparecido

Em janeiro de 1975, o voo de um Cessna de São Mateus para Campos (RJ) foi interrompido na região de Guarapari, quando a aeronave desapareceu. Relatório do Sipaer aponta que as condições meteorológicas entre Campos e Vitória eram precárias e o voo era visual.
“Condições que poderiam ter contribuído para o acidente, ou provavelmente uma falha mecânica teria obrigado o piloto a efetuar a aterragem no mar sem condições de sobrevivência”, é informado no relatório.
Em matéria publicada em A Gazeta, na época, foi informado que no último contato feito com o piloto ele informou que havia sido surpreendido por forte temporal e tentaria pousar em Guarapari, o que não aconteceu porque a pista estava alagada.
A ele também foi informado que não poderiam retornar para Campos, que estava fechado pelo mesmo motivo. Foi o último contato da aeronave.
A bordo estavam quatro pessoas: o piloto, a esposa e um casal amigo deles. Eram de famílias conhecidas na região de Campos (Rio). As buscas foram suspensas onze dias após o desaparecimento da aeronave.

Vilmara Fernandes

É jornalista de A Gazeta desde 1996. Antes atuou em A Tribuna. Foi repórter nas editorias de Política, Cidades e Pauta. Foi Editora de Pauta e Chefe de Reportagem. Desde 2007, atua como repórter especial com foco em matérias investigativas em diversas áreas.

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