Um dia após atuar na defesa de um dos condenados pelas tentativas de homicídio contra nove pessoas em tiroteio na Avenida Leitão da Silva, a advogada Bianca Campelo volta ao Tribunal de Júri de Vitória, mas desta vez como ré. Ela é acusada, junto a outras seis pessoas, pela morte de um traficante.
Nesta sexta-feira (12), ela vai ser ouvida na audiência de instrução e julgamento, uma das etapas que antecedem a decisão do magistrado sobre pronúncia, ou seja, enviar ou não a advogada para o júri popular.
O crime
Segundo a denúncia do Ministério Público do Espírito Santo (MPES), Bianca teria intermediado a ordem para executar um traficante rival. A mensagem, entregue dias antes do assassinato partiu de uma liderança criminosa que estava detida e foi direcionada a integrantes do mesmo grupo que cumpriam pena em liberdade.
O crime aconteceu em 18 de abril de 2024, no bairro Santo Antônio, na Capital, onde Arthur Santos Gomes foi morto com diversos disparos de arma de fogo em frente a um bar. A motivação do assassinato decorreu do fato de a vítima, que integrava o grupo de tráfico de drogas do Morro do Cabral, ter rompido com a organização para se juntar a uma facção rival atuante no Morro dos Alagoanos.
De acordo com o MPES, após receber o comunicado que teria sido enviado por Bianca, o grupo do Morro do Cabral articulou a execução, que ocorreu no momento em que a vítima visitava a namorada em Santo Antônio.
Antes do homicídio, os criminosos tiraram uma foto de Arthur e a encaminharam para o líder confirmar a identidade. A resposta veio com um gesto de “positivo”. Em seguida, ele foi levado para uma rua e alvejado por diversos disparos de armas de uso restrito.
O Ministério Público apontou ainda que o crime foi cometido por meio cruel. “Tendo em vista que a sua forma de execução causou sofrimento excessivo à vítima. No mais, o crime foi praticado mediante recurso que dificultou a defesa da vítima, uma vez que os denunciados, em superioridade numérica, surpreenderam a vítima desarmada, a subjugaram, sem que esta tivesse qualquer chance de defesa ou reação”, diz o texto ministerial.
O que diz a defesa
A defesa de Bianca é realizada pelo advogado Augusto Martins Siqueira dos Santos. Ao ser procurado pela coluna, ele informou que tem plena e absoluta certeza da não participação de sua cliente nos atos criminosos atribuídos a ela.
Em relação a audiência de instrução e julgamento desta sexta-feira (12), onde Bianca será ouvida, a defesa informou que “confia plenamente na responsabilidade e lisura da atuação do Ministério Público, este que atua sempre de forma justa, profissional e independente, respeitando as provas do processo”.