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Assassinato

Marujo confessa em júri popular que cortou cabeça de traficante no ES

Nove pessoas foram denunciadas pelo crime ocorrido em 2019; vítima foi morta em Vitória e corpo foi descartado em rodovia da Serra

Publicado em 18 de Outubro de 2025 às 07:27

Públicado em 

18 out 2025 às 07:27
Vilmara Fernandes

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Vilmara Fernandes

vfernandes@redegazeta.com.br

Fórum Criminal de Vitória
Marujo confessa em júri popular que cortou cabeça de traficante no ES Crédito: Arte - Camilly Napoleão com Adobe Firefly
Durante interrogatório realizado na manhã desta quinta-feira (16), Fernando Moraes Pereira Pimenta, o Marujo, confessou a morte de um traficante que foi espancado, morto a facadas, teve a cabeça cortada. O corpo foi descartado às margens de uma rodovia na Serra, dentro de um carro que foi incendiado.
O relato ocorreu no quarto dia do júri popular, iniciado na última segunda-feira (13). Pelo assassinato de Fernando Monteiro Telles, em 28 de março de 2019, nove pessoas estão sendo julgadas. São elas:
  • Ícaro Santana Soares
  • Isac Nunes de Aguiar
  • Igor de Jesus Alves da Cruz
  • Filipe Santana Pereira
  • Bruno Alexandre da Silva Cruz
  • Deivison Borges dos Santos
  • Edmaycon Guss Ferreira
  • Frank William de Moraes Leal Horácio
  • Fernando Moraes Pereira Pimenta, o Marujo
A expectativa é de que o julgamento seja concluído neste final de semana, após a análise e votação dos jurados.
Esta sexta-feira (17) será dedicada aos debates, com a apresentação dos argumentos do Ministério Público do Espírito Santo (MPES) por um tempo de 5 horas. Na sequência será a vez dos advogados de defesa, que vão partilhar outras 5 horas.

Cartas e mentiras

O relato de Marujo sobre o crime já havia sido feito em recados (catuques) enviados a outro criminoso no sistema penal, onde relata que matou a vítima sem nenhum tiro para não “queimar a favela”. E que logo depois saíram para beber e assistir a um jogo de futebol.
No dia do crime ele estava acompanhado de outros integrantes da facção criminosa Primeiro Comando de Vitória (PCV), que foram ao local realizar o chamado “desembolo” da vítima.
No interrogatório Marujo só aceitou responder as perguntas das defesas. Disse que a vítima o havia procurado com informações falsas, que tentou enganá-lo atribuindo culpa a outras pessoas. E que tal atitude não é aceita no grupo criminoso.
A vítima, Fernando Telles, tinha sido encarregado de cuidar da boca de fumo de Ícaro Santana Soares. Deveria repassar os lucros para a mulher dele. Mas acabou tendo um relacionamento amoroso com ela.
Quando o assunto começou a circular no grupo criminoso, Fernando Telles decidiu procurar a liderança do PCV,  Marujo, para apresentar a sua versão. Levou cópias de mensagens do whatsapp e negou o envolvimento com a mulher de Ícaro. Afirmou que estava envolvido com a amiga dela, que era mulher de outro traficante.
Pressionada pelo marido, a amiga decidiu revelar a sua versão. Gravou a conversa que teve com o casal envolvido na traição, onde tudo era revelado. O áudio foi entregue a Marujo.
Em paralelo, o traído determinou a morte do casal, no presídio de Guarapari, onde estava detido. A informação é de que a ordem teria sido levada pelo advogado Frank William de Moraes Leal Horácio. O objetivo era que a mulher caísse em uma emboscada, fosse pega e morta, mas ela fugiu.
Já Fernando Telles, a vítima, acreditou que poderia reverter sua situação e decidiu ir ao encontro das lideranças no Bairro da Penha, em Vitória. O que não aconteceu.
Lá foi espancado, teve a cabeça cortada e foi enrolado no tecido impermeável de uma piscina. Posteriormente seu corpo foi transferido para o seu carro e abandonado às margens da Rodovia Audifax Barcelos, na Serra, onde foi incendiado.

As defesas

A advogada Paloma Gasiglia faz a defesa de Igor de Jesus Alves da Cruz. Ela destaca que segue confiante de que a justiça será feita. “Temos convicção de que as provas vão traduzir a inocência do Igor”, assinala.
A defesa de Frank William é realizada por Hugo Miguel Nunes, que informou que não se manifesta sobre o júri.
Os advogados dos demais réus não foram localizados, mas o espaço segue aberto às suas manifestações.

Vilmara Fernandes

É jornalista de A Gazeta desde 1996. Antes atuou em A Tribuna. Foi repórter nas editorias de Política, Cidades e Pauta. Foi Editora de Pauta e Chefe de Reportagem. Desde 2007, atua como repórter especial com foco em matérias investigativas em diversas áreas.

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