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De Olho

Monitoramento ampliado em via do ES onde são desovadas vítimas de crime

Secretaria de Segurança Pública (Sesp) planeja a instalação de novos pórticos do cerco eletrônico, com câmeras,  em novos pontos da avenida

Publicado em 23 de Janeiro de 2025 às 00:30

Públicado em 

23 jan 2025 às 00:30
Vilmara Fernandes

Colunista

Vilmara Fernandes

vfernandes@redegazeta.com.br

Audifax Barcelos
Crédito: Arte - Camilly Napoleão com Adobe Firefly
A via que há anos vem sendo utilizada como ponto de desova de vítimas de assassinato terá o monitoramento ampliado. A Secretaria de Segurança Pública (Sesp) prepara a instalação de câmeras em mais locais da Avenida Audifax Barcelos, na Serra. Só no ano passado pelo menos cinco casos foram registrados na região. A situação foi relatada pela coluna em dezembro do ano passado, quando mais um corpo havia sido localizado às suas margens.
De acordo com o titular da Sesp, o secretário Leonardo Damasceno, a ampliação dos equipamentos já foi solicitada ao Detran e a área de inteligência da Segurança Pública está avaliando os novos pontos para instalação.
Além das imagens, as câmeras também utilizam toda a tecnologia que envolve o cerco eletrônico e que permite, por exemplo, a identificação das placas dos carros e, por conseguinte, de seus proprietários.
Atualmente há apenas um ponto de monitoramento na avenida. “Queremos aumentar as possibilidades de identificação dos criminosos e desta forma desestimular a utilização da região com esta finalidade”, explicou Damasceno.
Em dezembro do ano passado, a coluna relatou um caso ocorrido nos primeiros dias daquele mês. Uma denúncia anônima levou a Guarda Municipal ao ponto onde um carro havia sido queimado e em seu interior foi localizado um corpo carbonizado com as mãos amarradas.
Os criminosos aproveitam a área de eucalipto e mata nativa que margeia a avenida para tentar desaparecer com provas e as vítimas de homicídios. Na região, além dos corpos, é comum encontrar ainda veículos queimados.
À época, o chefe da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Serra, delegado Rodrigo Sandi Mori, relatou que o objetivo dos criminosos é confundir as investigações.
“Tiram a vítima do bairro para dificultar a identificação. O desdobramento da investigação acaba sendo maior para identificar a pessoa, onde vivia, como foi sequestrada, a motivação, os autores”.
Casos na região:
  • Dezembro/2024 - Corpo carbonizado e com as mãos amarradas foi encontrado em área de eucalipto no interior de um carro incendiado.
  • Novembro/2024 - Localizado o corpo de um homem, morto a tiros. Ele foi encontrado em meio aos eucaliptos. 
  • Outubro/2024 - Família encontrou o corpo de uma outra vítima com marcas de disparo e sinais de tortura. Relataram que o rapaz havia sido raptado por traficantes, que o tiraram de dentro de casa. 
  • Outubro/2024 - Uma vítima abandonada em frente à porteira de uma fazenda. 
  • Abril/2024 - Jovem de 16 anos, Caique Conceição Moreira, foi rendido e levado para uma região de pasto, onde foi agredido, alvo de disparos, e como não morreu, recebeu golpes de enxada. Dos cinco envolvidos no crime, um morreu, dois foram presos, um menor foi apreendido e outro segue foragido. 
Dados da Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp) revelam que, de 2014 até outubro do ano passado, a via foi citada em locais de homicídio em pelo menos 42 casos. Em alguns deles é informado que o crime aconteceu em outra cidade, mas que corpo foi “desovado na Avenida Audifax Barcelos”.

Vilmara Fernandes

É jornalista de A Gazeta desde 1996. Antes atuou em A Tribuna. Foi repórter nas editorias de Política, Cidades e Pauta. Foi Editora de Pauta e Chefe de Reportagem. Desde 2007, atua como repórter especial com foco em matérias investigativas em diversas áreas.

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