Sair
Assine
Entrar

Decisão

Policiais penais demitidos por venda de benefícios em presídios do ES

As punições administrativas foram publicadas nesta segunda-feira (27), mas eles já estavam afastados do sistema penal

Publicado em 28 de Janeiro de 2025 às 08:33

Públicado em 

28 jan 2025 às 08:33
Vilmara Fernandes

Colunista

Vilmara Fernandes

vfernandes@redegazeta.com.br

Presídio
Crédito: Arete - Camilly Napoleão com Adobre Firefly
Dois policiais penais foram demitidos pela Secretaria de Estado da Justiça (Sejus) em portarias publicadas nesta segunda-feira (27). O ato administrativo ocorre três anos após eles terem sido condenados pela Justiça estadual a 12 anos e 9 meses de reclusão, em regime fechado e com perda do cargo. A sentença indica que houve corrupção, com a venda de benefícios para presos em unidades da Serra e de Colatina.
O esquema de regalias e benefícios oferecido a detentos veio a público em 2019, quando foi realizada a Operação Hagite, pelo Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES) e a Diretoria de Inteligência Prisional (DIP) da Sejus. Na ocasião, os dois policiais penais foram presos.
Em 2022, veio a condenação. Na sentença da 3ª Vara Criminal de Colatina foi dito: “Ficou amplamente demonstrado que negociavam com o preso e seus familiares, solicitando e recebendo vantagens pecuniárias em troca de autorizações de visitas e de colocação em melhores postos de trabalho e galerias mais habitáveis e outras regalias”.
Eles ocupavam, respectivamente, a função de diretor do Centro de Detenção Provisória de Serra (CDPS) e inspetor penitenciário/chefe de segurança na Penitenciária de Segurança Média de Colatina (PSMECOL). Na mesma decisão, foi decretada a perda dos seus cargos. São eles: Claudio Nienke Machado e Filipe Farage Pretti.
O texto judicial permitiu a eles recorrerem em liberdade e ainda não houve uma nova decisão da Justiça estadual. As portarias publicadas no Diário Oficial do Espírito Santo também informam que eles ainda podem contestar a decisão. Os dois já estavam afastados de suas funções e cargos.
Um terceiro servidor chegou a ser denunciado junto com eles, mas foi absolvido das acusações e no âmbito administrativo, o seu processo prescreveu. Ele já retornou ao trabalho.

Demora nos processos

Duas situações motivaram a demora na conclusão dos processos dos servidores, explica o secretário Rafael Pacheco, titular da Sejus. “Temos que respeitar o direito de ampla defesa e do contraditório dos servidores, o que leva algum tempo e amplia o prazo de conclusão do processo”, relata.
Explica ainda que a Corregedoria da pasta também passou por um período de sobrecarga de trabalho. “Houve um momento de um denuncismo mais expressivo, o que sobrecarregou o trabalho com as apurações. Mas estamos melhorando este tipo de atendimento em busca de respostas mais rápidas”, informou.

Conduta inadequada

Houve ainda a demissão de um outro policial penal, desligado por desrespeitar a legislação dos servidores públicos, que estabelece que é preciso "manter conduta compatível com a moralidade pública”. Não há muitos detalhes sobre o que aconteceu.
Contra ele também há um processo na 2ª Vara Criminal de Vila Velha, mas ainda não há sentença e por isto seu nome não está sendo divulgado.

O que diz a defesa

O escritório Gama Barreto, Maioli & Zumak Advogados Associados, que representa Claudio Nienke Machado, informa que ainda não foi “formalmente comunicado sobre o teor da decisão de demissão no âmbito do processo administrativo disciplinar”.
Acrescenta que, assim que tiver “acesso aos fundamentos da decisão, adotará as medidas pertinentes, incluindo a interposição do recurso cabível”.
A defesa de Filipe Farage Pretti é realizada pela advogada Lorrany de Oliveira Ribeiro. Ela informa que o policial penal aguarda o julgamento de recursos já apresentados a Cortes superiores. “A pena foi aplicada em desacordo com as provas produzidas no processo, principalmente no que se refere ao depoimento das testemunhas”.
Outro recurso, segundo a advogada, será apresentado contra a demissão de Farage, publicada pela Sejus.
A defesa do policial penal demitido por desrespeito à legislação dos servidores não foi localizada, mas o espaço segue aberto para a manifestação.

Vilmara Fernandes

É jornalista de A Gazeta desde 1996. Antes atuou em A Tribuna. Foi repórter nas editorias de Política, Cidades e Pauta. Foi Editora de Pauta e Chefe de Reportagem. Desde 2007, atua como repórter especial com foco em matérias investigativas em diversas áreas.

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem BBC Brasil
Câmara dos EUA aprova resolução que limita poderes de Trump: os avanços na tentativa de encerrar as guerras no Irã e no Líbano
Imagem de destaque
Vias da Serra serão interditadas para confecção de tapetes de Corpus Christi
Granizo permanece intacto mesmo dois dias após tempestade em Muniz Freire
Granizo permanece intacto mesmo dois dias após tempestade em Muniz Freire

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados