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Vilmara Fernandes

Tiroteio na Leitão da Silva: réus vão ser interrogados no 2º dia de júri

Duas pessoas são acusados de tentativa de assassinato contra quatro PMs, quatro guardas municipais de Vitória e um pedestre; defesa aposta na análise do júri

Publicado em 10 de Junho de 2026 às 20:32

Públicado em 

10 jun 2026 às 20:32
Vilmara Fernandes

Colunista

Vilmara Fernandes

vfernandes@redegazeta.com.br

Tiros e morte em perseguição na Leitão da Silva
Arte - Camilly Napoleão com Adobe Firefly

Após quase 11 horas, foram suspensos os trabalhos no primeiro dia do júri popular de dois réus acusados por tentativa de homicídio contra nove pessoas.  Os crimes aconteceram após intenso confronto armado na Avenida Leitão da Silva, em Vitória, em 28 de agosto de 2023.


Estão sendo julgados Fernando João dos Santos e Jhonatan dos Santos Silva. Um terceiro criminoso morreu no confronto e uma quarta pessoa nunca foi identificada.


Nesta quinta-feira (11), eles vão ser interrogados e, na sequência, será iniciada a fase chamada de debates, onde os representantes do Ministério Público do Espírito Santo (MPES) farão suas apresentações e, na sequência, os advogados de defesa. 


Ao final, os jurados se reúnem para decidir sobre a absolvição ou condenação dos réus e, posteriormente, é lida a sentença.  A expectativa é de que o julgamento seja encerrado no final desta quinta-feira (11).


Os dois são acusados de tentativa de homicídio contra quatro policiais militares, quatro guardas municipais (um deles foi ferido) e um pedestre. O grupo furou bloqueios e disparou contra as viaturas em meio ao trânsito congestionado na avenida (veja vídeo abaixo). 


Nesta quarta-feira (10) as atenções foram direcionadas a ouvir os depoimentos das nove testemunhas.


Perseguição e conflito


Segundo a denúncia do Ministério Público do Espírito Santo (MPES), os réus, junto à Cleiton Gomes Serafim (que morreu no local) e um quarto indivíduo não identificado, circulavam em um veículo Chevrolet Onix prata clonado e com registro de roubo. Há suspeitas de que o carro tenha sido utilizado em um homicídio três dias antes dos fatos. 


O automóvel foi detectado pelo Cerco Eletrônico de Videomonitoramento da Prefeitura de Vitória, o que deu início a uma tentativa de abordagem na Avenida Fernando Ferrari.


A denúncia relata que os acusados pelos crimes desobedeceram às ordens de parada, iniciando uma fuga em alta velocidade que passou pelos bairros Goiabeiras, República, Mata da Praia e Jardim da Penha. Após furarem um bloqueio montado pela Guarda Municipal na Ponte da Passagem, os homens acessaram a Avenida Leitão da Silva, onde acabaram retidos pelo trânsito congestionado nas proximidades de um hospital particular.


Cercados por duas viaturas da Guarda e uma da Polícia Militar, os ocupantes do Onix abriram fogo contra os agentes de segurança antes mesmo de desembarcarem. Foi nesse momento que o motorista que guiava o veículo dos réus conseguiu fugir e, até hoje, não foi identificado.


Rajadas de tiros e pânico


Testemunhas e policiais relataram em juízo o cenário de guerra que se instalou na avenida. Cleiton Gomes Serafim desembarcou pelo lado esquerdo efetuando disparos sequenciais (rajadas) com uma pistola modificada. No confronto, ele foi atingido e morreu no local.


Enquanto isso, Fernando e Jhonatan desembarcaram pelo lado direito e iniciaram uma fuga a pé em direção ao bairro Itararé, também atirando contra as guarnições. Na ação, um  guarda municipal foi baleado.


Durante a tentativa de fuga pelas ruas adjacentes, os réus confrontaram outra equipe da PM. O acusado Jhonatan teria disparado na direção dos militares e um dos projéteis atingiu um pedestre que estava em um estabelecimento comercial próximo.


Fernando acabou rendendo-se e deitou-se no chão após ser baleado. Jhonatan tentou se esconder em uma residência, mas foi localizado por policiais. Ao apontar a arma para a equipe, foi baleado e detido. No trajeto de fuga, a polícia apreendeu carregadores de munição e uma granada dispensada pelos réus.


O que diz a defesa


A defesa de Fernando é realizada pela advogada Bianca Campelo. Em nota, ela informa que aguarda a realização do julgamento e entende que será o momento adequado para a análise aprofundada de todas as provas produzidas ao longo da instrução. 


“Por respeito ao Tribunal do Júri, a defesa reserva-se a apresentar as teses defensivas exclusivamente em plenário perante o Conselho de Sentença”, assinalou.


A defesa de Jhonatan não foi localizada, mas o espaço segue aberto à manifestação.


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Vilmara Fernandes

É jornalista de A Gazeta desde 1996. Antes atuou em A Tribuna. Foi repórter nas editorias de Política, Cidades e Pauta. Foi Editora de Pauta e Chefe de Reportagem. Desde 2007, atua como repórter especial com foco em matérias investigativas em diversas áreas.

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