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Follow the Money

Tribunal do ES aceita denúncia e juiz e mais 19 são réus em ação penal

Ação envolve esquema de saque de heranças; a denúncia foi aceita  por unanimidade de votos dos desembargadores do Tribunal de Justiça

Publicado em 12 de Dezembro de 2024 às 18:38

Públicado em 

12 dez 2024 às 18:38
Vilmara Fernandes

Colunista

Vilmara Fernandes

vfernandes@redegazeta.com.br

juízes, juiz
Crédito: Arte - Camilly Napoleão com Adobe Firefly
Quatro meses após a realização da Operação Follow the Money, que investigou um esquema criminoso para saque de heranças, o Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES) aceitou a denúncia contra 20 pessoas. O voto dos desembargadores, realizado em sessão de julgamento na tarde desta quinta-feira (12), foi por unanimidade. Entre os que agora são réus em ação penal, estão advogados, juiz e ex-juiz. 
Confira a lista dos que vão responder a ação penal:
  • Mauricio Camatta Rangel - juiz
  • Bruno Fritoli Almeida - ex-juiz
  • Ricardo Nunes De Souza - advogado
  • Veldir Jose Xavier
  • Vaguiner Coelho Lopes - advogado
  • Luam Fernando Giuberti Marques - advogado e empresário
  • João Autimio Leao Martins
  • Claudio Marcio Mothé Cruzeiro - advogado
  • Vicente Santorio Filho - advogado
  • Denison Chaves Metzker - advogado
  • Mauro Pansini Junior
  • Jose Joelson Martins De Oliveira
  • Juarez Jose Campos
  • Hayalla Esperandio
  • Victor Hugo De Mattos Martins - ex-servidor estadual
  • Gabriel Martins De Oliveira
  • Eraldo Arlindo Vera Cruz
  • Wisley Oliveira Da Silva
  • Luiz Antonio Esperandio
  • Luana Esperandio Nunes De Souza
O esquema criminoso foi denunciado no dia 22 de agosto pela Procuradoria-Geral de Justiça (PGJ). Foi apontado no texto que havia um padrão utilizado pelos 20 denunciados em ações judiciais simuladas e acordos fraudulentos. Além da urgência no caminhar dos processos, havia a repetição das partes envolvidas, advogados e até de fotografias.
O objetivo era obter os recursos de contas bancárias com valores expressivos, geralmente pertencentes a pessoas idosas ou falecidas, e de preferência sem herdeiros.
O texto, assinado pelo procurador-geral de Justiça, Francisco Martinez Berdeal, informa que as apurações “comprovam a existência de um padrão utilizado pelos denunciados com diversos mecanismos fraudulentos”. E ainda que eles “comprovam o contexto corruptivo”.
No início do julgamento, a subprocuradora-Geral de Justiça Judicial, Andréa Maria Da Silva Rocha, citou que o prejuízo supera os R$ 17 milhões. Destacou ainda que os denunciados sacavam o dinheiro das contas e quando havia questionamentos, os valores demoravam a ser devolvidos.
“Eles levantavam o dinheiro à vista, mas devolviam parcelado, ou à perder de vista”, assinalou Andréia.
O Ministério Público do Espírito Santo (MPES) apontou que houve a prática de crimes de corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, organização criminosa e uso de documento falso, por parte de agentes públicos e particulares.  E solicitou, além da condenação dos 20 réus pelos  crimes praticados no esquema, o pagamento de dano moral coletivo no valor de mais de R$ 34 milhões.

Como era o esquema

Informações presentes na denúncia e em decisões judiciais que autorizaram as investigações apontam que o primeiro passo era localizar as contas bancárias com valores expressivos e/ou imóveis, de pessoas falecidas e que não tinham herdeiros.
O caminho seguinte era a produção de contratos de supostos negócios, por meio de acordos, que uma vez descumpridos abriam espaço para o saque dos valores. Eles tinham cláusulas de confidencialidade, escolhiam o foro, em geral locais onde poderiam obter decisões favoráveis e o processo tramitava em segredo..
Quando o valor sacado era liberado pela Justiça, era indicado o nome da pessoa do grupo que receberia o alvará ou o número da conta para depósito.
Segundo a Corregedoria-Geral da Justiça, desde o início das investigações, que resultaram na Operação Follow The Money, já havia indicativos de irregularidades e similaridade entre as ações que foram ajuizadas nas cidades de Barra de São Francisco, Ecoporanga e Vitória.
“Com fraudes e tratativas ilícitas para o direcionamento decisório e benefício indevido à determinadas partes e advogados, ora denunciados, integrantes da organização criminosa”.
Outro ponto é que os processos tramitaram com celeridade. “Com decisões no mesmo dia ou no dia seguinte aos pedidos autorais, bloqueio de bens rápido e liberação de valores apressados. Os referidos processos judiciais duravam dias entre o pedido inicial e a sentença de extinção”, é relatado na denúncia.

As defesas

O advogado Rafael Lima, que faz a defesa de Bruno Fritoli, informou que que irá recorrer contra a decisão, com o argumento de foi utilizada na denúncia prova ilícita.
Douglas Luz, advogado que representa Luam Fernando Giuberti Marques, informou que vai analisar o voto do relator, e que deverá recorrer contra a decisão junto ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).
O espaço segue aberto para a manifestação das defesas dos demais réus.

Vilmara Fernandes

É jornalista de A Gazeta desde 1996. Antes atuou em A Tribuna. Foi repórter nas editorias de Política, Cidades e Pauta. Foi Editora de Pauta e Chefe de Reportagem. Desde 2007, atua como repórter especial com foco em matérias investigativas em diversas áreas.

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