Na intenção espontânea, pasmem: o candidato do PSB, a um mês do 1º turno, não atingiu 1% das menções, em mais de 400 entrevistas.
Ex-vereador de Cariacica, Saulo tem coligação respeitável, formada por PSB, PV e PDT. Mas, nitidamente, não engrenou. A prosseguir assim, sua candidatura passará a representar uma batata quente para o próprio governo e, também, para a pessoa do governador.
Se o candidato do partido do próprio governador fizer um papelão eleitoral, chegando nas últimas posições, o vexame respingará sobre o governo Casagrande também. Por mais que tentem, não dá para dissociar completamente o PSB do governo (nem do governador). E a vice-governadora,
Jaqueline Moraes (PSB), está mergulhada até os cabelos na campanha de Saulo. Então, com esse desempenho do candidato socialista, o Palácio Anchieta corre o risco de ficar com um mico na mão.
Mesmo que o governador mantenha distância protocolar do processo e mesmo que seja eleito outro aliado do governo, como Euclério (DEM) ou Sandro Locutor (PROS)… é o nome do partido do governador que está em jogo. Uma derrota acachapante em Cariacica mostrará fraqueza política. E enfraquecerá, principalmente, Jaqueline – o que na certa também não interessa a Casagrande, pensando em eleições futuras.
Ninguém forçou o partido, mas os dirigentes do PSB insistiram em lançar e manter a candidatura de Saulo. Casagrande, se o quisesse, poderia ter chamado todos para uma “conversa dissuasória” e colocado um freio nisso. Não o fez enquanto pôde.
No lançamento da candidatura de Saulo, com ou sem o consentimento de Casagrande, Jaqueline e o PSB de Cariacica puseram uma cara do governador, de todo o tamanho, do lado da cara de Saulo, no background da mesa (foto acima). Agora, a candidatura está aí, não tem mais volta, e virou um potencial rojão.
Ainda em ponto morto, Saulo precisa ter um desempenho minimamente decente. Por ora, o governo Casagrande não está querendo entrar na campanha, mantendo o discurso de que a candidatura é do PSB. Mas, com índices péssimos como esses de Saulo, ou o governo entra um pouco na campanha para ajudá-lo a chegar pelo menos a um patamar mediano, ou corre o risco de vê-lo chegar na rabeira. E, nesse caso, por mais que Casagrande e seus escudeiros tentem lavar as mãos, vai ficar feio também para eles.
A pergunta que todo o mercado político capixaba se fazia, especialmente aliados do PSB no governo, era: por que o partido de Casagrande há de querer lançar um candidato próprio também em Cariacica, contrariando aliados do governo e colocando o próprio governador em uma sinuca de bico? A presença de Saulo nesse páreo em Cariacica gera, desde sempre, uma situação delicada para Casagrande, na medida em que pode afetar o bom relacionamento que ele tem (e que precisa cultivar) com outros atores nesse processo.
Entrar pessoalmente na campanha, ele não vai. Mas, com esses números tão sofríveis de Saulo, se o governador não mover seus pauzinhos para discretamente dar um impulso ao candidato nas próximas semanas, arrisca-se a também, por tabela, lidar com o mico de ver o candidato do seu próprio partido chegar na zona de rebaixamento no 3º maior colégio eleitoral do Estado governado por ele. Não é pouco.
Um dado concreto e aritmético indica que talvez a campanha de Saulo não esteja sendo tomada como prioridade nem pela direção estadual do PSB. Até a noite deste sábado, a cúpula estadual havia repassado R$ 500 mil, retirados do Fundo Eleitoral, para a campanha do vice-prefeito Sérgio Sá em Vitória. Da mesma fonte, foram repassados R$ 350 mil para o deputado Bruno Lamas na Serra. Para Saulo, foram R$ 200 mil.