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Vitor Vogas

Chamando a oposição pelo nome

Publicado em 08 de Junho de 2019 às 01:06

Públicado em 

08 jun 2019 às 01:06

Colunista

Charge Crédito: Amarildo
Formado por dez dos 30 deputados estaduais, o “bloco de independentes” na Assembleia na verdade é de oposição ao governador Renato Casagrande (PSB), pelo menos tem agido como tal. Atores do governo têm buscado minimizar a ameaça que esse movimento pode representar ao Palácio Anchieta. Não convém, porém, subestimá-lo. Movido por interesses eleitorais, mas também político-ideológicos, esse bloco já tem dado trabalho ao governo no plenário.
Isso já se concretizou, por exemplo, em um fato para lá de atípico: desde maio, Casagrande já teve seis vetos seus a projetos de deputados derrubados em plenário – ou seja, sofreu seis derrotas. Não é pouco. Basta dizer que, no último governo inteiro de Paulo Hartung, de 2015 a 2018, a Assembleia rejeitou um total de exatos seis vetos enviados pelo então governador. Vale dizer: em menos de um mês, os atuais deputados igualaram o número total de vetos de Paulo Hartung derrubados em plenário durante o mandato passado inteiro (foram dois em 2015, só um em 2016, mais um no ano seguinte e dois em 2018).
O mais recente veto derrubado foi a um projeto de Hércules Silveira (MDB), na sessão plenária da última segunda-feira. O placar: 16 a 11 contra o governo. Sintomaticamente, logo após a votação, o pseudoindependente Capitão Assumção (PSL) fez questão de sublinhar da tribuna: “Vocês assistiram a uma vitória hoje”. Como ignorar esse fato? Como subestimar o movimento desses deputados?
Tampouco podem ser subestimadas as motivações que ora os mantêm unidos. Há, por óbvio, interesses corporativistas – indicações não atendidas, cargos perdidos no governo etc. Há, naturalmente, interesses eleitoreiros: dos dez deputados, oito são pré-candidatos a prefeito nos respectivos redutos em 2020.
Mas há, ainda, um componente ideológico que não pode ser desprezado: dos dez deputados, três são do PSL (dos quatro da bancada do partido, só Coronel Quintino é fiel a Casagrande). Assumção, Torino Marques e Danilo Bahiense compõem uma bancada que tem o primeiro como líder, mas o ex-deputado federal Carlos Manato como coordenador real e oculto – ou não tão oculto, pois tem sido figura contumaz no plenário da Assembleia. Isso passa até por 2022. Manato perdeu para Casagrande em 2018, mas segue vivo no tabuleiro político-eleitoral.
Diga-se de passagem, Manato está prestes a sair (ou “ser saído”) do cargo que ocupa na Casa Civil de Bolsonaro. À reportagem de A GAZETA, disse ontem que pretende justamente se dedicar mais às articulações eleitorais do PSL no ES mirando 2020, “pois PSB e PRB estão avançando em cima de todo mundo”.
O tal bloco, portanto, abriga o time Manato. Porém, mais que isso, está ali o time Bolsonaro visando às eleições gerais de 2022. E Casagrande, não só pelo partido, mas também pelos posicionamentos, não poderia estar mais distante do presidente politicamente.
Não por acaso, o calejado líder do governo na Assembleia, Enivaldo dos Anjos (PSD), chama o movimento dos “independentes” pelo que ele realmente é: oposição ao governo. Do seu microfone em plenário, já avisou: “É bem-vinda, principalmente quando o governo é sério”.

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