Com a chegada de aliados de peso, Pazolini ganha força em Vitória
Eleições 2020
Com a chegada de aliados de peso, Pazolini ganha força em Vitória
Na corrida à Prefeitura de Vitória, deputado já reúne o apoio de partidos importantes, como o MDB e o DEM. E há fortíssimos indicativos de que o PSDB reforçará a coligação
Delegado Lorenzo Pazolini, deputado estadual pelo RepblicanosCrédito: Lissa de Paula
Cercado pelo apoio de amaristas de um lado e hartunguistas do outro, o deputado estadual Lorenzo Pazolini (Republicanos) está ganhando força neste período decisivo e preparatório da eleição à Prefeitura de Vitória. O delegado saiu desta segunda-feira (14) como o grande vencedor do dia nas articulações político-eleitorais, com a chegada de aliados de peso a seu palanque.
Com a entrada oficial do DEM na nave pilotada por Pazolini, a coligação do deputado (que já era respeitável) ganha ainda mais robustez (incluindo recursos para financiamento de campanha e tempo de TV e rádio). Além do Republicanos (sigla de Amaro Neto) e do DEM, a chapa terá pelo menos outras três agremiações: o MDB do ex-deputado federal Lelo Coimbra, o Partido Trabalhista Cristão (PTC) e o Solidariedade.
Nem mesmo aliados de Luiz Paulo, que falaram com a coluna sob sigilo, ainda creem em uma reviravolta por decisão da direção nacional que possa “ressuscitar” a candidatura do ex-prefeito, a qual, ao que tudo indica, subiu mesmo no telhado.
Com ele fora da disputa, o caminho fica totalmente livre para os presidentes municipal e estadual do PSDB, Neuzinha de Oliveira e Vandinho Leite, levarem o partido para os braços de Pazolini. A vereadora pode se tornar vice na chapa (o que é muito mais “jogo” para ela que uma candidatura suicida a prefeita), enquanto o deputado estadual tucano é parceiro político de Pazolini na Assembleia Legislativa e na oposição ao governo Casagrande (PSB).
“SINAIS! FORTES SINAIS!” - O NAMORO ABERTO COM OS TUCANOS
Especulado há meses, o apoio do DEM a Pazolini se concretizou no fim da tarde desta segunda-feira (14), em reunião de representantes das duas siglas, incluindo o próprio candidato e o vereador Clebinho, presidente do DEM em Vitória, com as bênçãos da autoridade maior do partido de direita no Estado, o deputado estadual Theodorico Ferraço.
Além dos dois, participaram o presidente estadual do Republicanos, Roberto Carneiro; o presidente estadual do DEM, Diego Libardi; e o vereador de Vitória Sandro Parrini (DEM).
No mesmo instante, enquanto os atores do DEM e do Republicanos fechavam o acordo na Capital, desenrolava-se a convenção municipal do PSDB, na Câmara de Vitória. Mal acabaram de tirar a foto que simbolizou a aliança com o DEM, Pazolini e sua comitiva, incluindo Erick Musso (também do Republicanos) e Roberto Carneiro, rumaram para onde? Para a convenção do PSDB na Câmara – e, logicamente, esse timing não foi coincidência. Há relação direta nessa cadeia de acontecimentos.
Pazolini e seus aliados foram à “festa do PSDB” (precisamente, de Vandinho e de Neuzinha) não só para prestigiar a pré-candidata tucana, mas para sinalizarem o próximo passo: trazer o PSDB para esse mesmo movimento. Para isso, além da sua própria relação estreita com Vandinho, Pazolini poderá contar com o auxílio do próprio Clebinho, presidente do DEM na cidade. Recém-chegado oficialmente à coligação, o vereador é colega de Neuzinha na Câmara, tem ótima relação com ela e verbaliza o papel que cumprirá:
“Estamos juntos, agarrados e misturados. Pazolini é o nosso candidato. Já temos DEM, Republicados, MDB, Solidariedade e PTC. E há outros partidos que têm candidato à prefeitura, com quem vou me sentar para conversar. Vou atrás do Halpher [Luiggi] para dialogar com ele. Também vou conversar com a Neuzinha para tentar trazer o PSDB.”
Além da presença de Pazolini na “festa de Neuzinha” e da manifestação de Clebinho, há o indicativo mais forte de todos dessa provável adesão do PSDB ao candidato do Republicanos em Vitória: a declaração, ou melhor, a hesitação da própria Neuzinha, em entrevista à reportagem de A Gazeta.
Indagada pela repórter Iara Diniz sobre possível aliança com Pazolini – mesmo após ter tido o nome homologado como candidata tucana à prefeitura –, Neuzinha disse que “neste momento”, “até o dia de hoje”, não há chances de ela retirar a sua candidatura para apoiar Pazolini, mas que, até o dia 26, data-limite para registro de candidaturas no TRE, “nada está descartado”. Parece que o discurso já está pronto. Quem quer ser candidato mesmo, de qualquer maneira, estufa o peito e diz "minha candidatura é irreversível, ponto". Não foi o caso.
Por sua vez, como convidado na festa dos outros, Pazolini foi cauteloso na escolha das palavras. Disse que a conversa está sendo democrática, que está respeitando a candidatura de Neuzinha, mas deixou bem claro que ter o apoio do PSDB já no 1º turno é a vontade dele mesmo e do Republicanos.
Minha aposta: essa “festa de Neuzinha”, realizada nesta segunda na Câmara de Vitória, em breve se desdobrará em outra festa, para PSDB e Republicanos celebrarem suas bodas em Vitória, com o primeiro apoiando Pazolini já no 1º turno – quiçá tendo Neuzinha como vice. Vai dar casamento na chapa.
Vitor Vogas é jornalista com atuação na imprensa capixaba há quase 20 anos. Cobriu várias eleições. De 2008 a 2021, trabalhou na Rede Gazeta, como repórter e colunista de Política. Também foi comentarista da CBN. Em 2026, após passagens por veículos da Rede Capixaba e do Grupo Sim, voltou a assinar esta coluna. Aqui, diariamente, você encontra informações de bastidores e análises em profundidade sobre o cenário político do Espírito Santo.