Coser e Gandini entram em colisão no rádio na campanha em Vitória
Briga radiofônica
Coser e Gandini entram em colisão no rádio na campanha em Vitória
O candidato do PT e o da situação começaram a trocar farpas e a mirar um no outro: enquanto Coser critica regularmente a administração de Luciano, Gandini prega em Coser o PT e traz para o debate o metrô de superfície
João Coser (PT) e Fabrício Gandini (Cidadania)Crédito: Sérgio Cardoso e Divulgação Assessoria Fabrício Gandini/Montagem A Gazeta
Líderes na primeira pesquisa da série Ibope/Rede Gazeta, publicada no último dia 13, Gandini (Cidadania) e João Coser (PT) estão se alfinetando (e muito) na campanha a prefeito de Vitória, mas exclusivamente na propaganda de rádio. O “João paz e amor” da TV dá lugar, no rádio, a um candidato que critica regularmente a administração do seu sucessor no cargo, o prefeito Luciano Rezende (Cidadania). Por extensão, o alvo do petista é Gandini.
O candidato do prefeito começou a reagir e, também no rádio, iniciou uma contra-ofensiva mirando Coser. Sua vinheta mais recente é uma crítica direta ao PT e à malfadada promessa do metrô de superfície, feita por Coser em sua primeira eleição para prefeito, em 2004, renovada por ele em sua reeleição, em 2008, mas jamais tirada do papel e das simulações gráficas da propaganda.
Curiosamente, também parte de Gandini (não de Lorenzo Pazolini nem de Assumção, candidatos declaradamente de direita), pelo menos no rádio e na TV, a primeira tentativa explícita de “esfregar” em Coser o antipetismo.
Na propaganda de Coser, valendo-se da linguagem característica de programas de auditório e de metáforas como diálogos entre personagens do “Edifício Vitória”, o petista tem buscado atingir Gandini, comparando realizações e a qualidade de serviços durante a sua gestão com o quadro atual. O exemplo mais recente, voltado para a área de saúde, é reproduzido abaixo.
PROGRAMA DE AUDITÓRIO
Numa propaganda de um minuto, emulando um programa de auditório, um locutor propõe um quiz:
Está começando o quiz da gestão [aplausos ao fundo]. E hoje o assunto é saúde. Vamos às perguntas. Centro de Especialidades Médicas a todo vapor. Com João? [som de campainha positiva] E na atual gestão? [som de campainha negativa] Recorde de novas unidades de saúde. Com João? [som de campainha positiva] E na atual gestão? [som de computador travado] Atendimento humanizado e com menos filas. Com João? [som de campainha positiva] Já na atual gestão [som de corneta deprimente] E agora, para fechar: João de volta? [aplausos] E o candidato do prefeito? [vaias]
E seguem-se algumas propostas do ex-prefeito para a área.
Em outro programa recente de Coser, o ouvinte escuta o diálogo entre dois personagens no “Edifício Vitória”: o porteiro Messias e a dona Márcia, que “vira o voto” do primeiro. Em evidente alusão a Gandini (e com uma pitada de maldade), o porteiro refere-se a ele como “aquele rapaz que não pisca”. Aqui sobra também para Pazolini (Republicanos), concorrente de ambos na disputa, tratado como “o outro lá que tá em terceiro” (posição em que Pazolini apareceu no último levantamento do Ibope).
Enquanto isso, Coser é apresentado, na memória do porteiro, como realizador.
Confira a transcrição do programa:
Enquanto isso, na portaria do edifício Vitória…
– Bom dia, seu Messias. Tudo bem?
– Fala, dona Márcia! Você de novo por aqui? Ó, agora eu já dei uma lida e sei um pouquinho mais sobre os candidatos a prefeito, hein! Aquele rapaz lá que não pisca, ele fica cantando “nã-nã-nã fez, nã-nã-nã sabe fazer”... Mas olha: nem tô sabendo de grandes coisas que ele fez não. Esse papo de fazer e acontecer mesmo é com João, pô! [aplausos ao fundo]
– Huuuuum… Conta mais!
– O outro lá que tá em terceiro fica num arranca-rabo com o que não pisca. Fala de segurança, segurança, segurança… E, quando vai falar de outra coisa, fala de Restaurante Popular, de Projeto Reintegra… Isso aí é tudo coisa de João, pô!
– Muito bem, seu Messias! E agora, já pensou melhor em quem vai votar?
– É aquilo que a senhora me falou lá no primeiro programa: o João fez muita coisa acontecer, já foi prefeito… Ali eu sei que não é só falação e que ele vai fazer e acontecer mesmo.
Obviamente não é nada fortuito o fato de o porteiro, entre tantos nomes possíveis, chamar-se Messias. Trata-se de alusão ao presidente Jair Messias Bolsonaro, reforçada por outros dois detalhes: o porteiro tem a língua presa e seu jeito de falar também lembra muito o do presidente. Muito nas entrelinhas, a campanha de Coser pode estar sugerindo que até bolsonaristas votam (ou deveriam votar) no candidato do PT.
Mas, segundo a assessoria de Coser, trata-se somente de uma brincadeira, para dar maior leveza ao programa.
O contragolpe de Gandini toca em um dos pontos mais sensíveis e vulneráveis de Coser: o “metrô de superfície” (VLT), que jamais saiu da promessa de campanha nos oito anos de governo do petista na Capital.
A inserção de Gandini traz um diálogo entre dois personagens, transcrito a seguir:
– Oi, amigo. Você mora aqui em Vitória?
– Moro sim.
– Rapaz, onde eu pego metrô aqui?
– Metrô?!? Não tem metrô em Vitória não.
– Estranho… Eu estive aqui uns anos atrás e o prefeito tinha prometido um metrô.
– É, meu amigo, mas não tem nada não.
– Que coisa, hein! E ele é candidato de novo, né? Bom, quem sabe agora ele promete de novo esse metrô aí, né?
– Ahhh, acho que não. Agora ninguém acredita mais, né?
Vitor Vogas é jornalista com atuação na imprensa capixaba há quase 20 anos. Cobriu várias eleições. De 2008 a 2021, trabalhou na Rede Gazeta, como repórter e colunista de Política. Também foi comentarista da CBN. Em 2026, após passagens por veículos da Rede Capixaba e do Grupo Sim, voltou a assinar esta coluna. Aqui, diariamente, você encontra informações de bastidores e análises em profundidade sobre o cenário político do Espírito Santo.