“A eleição da Mesa Diretora foi só o primeiro degrau do nosso grupo.” Quem faz a afirmação é o vereador Davi Esmael (PSB), um dos integrantes do grupo de oito vereadores de Vitória que uniram forças, formaram maioria e conseguiram chegar à presidência da Câmara em agosto de 2018 com um dos seus representantes, Cleber Felix (PP).
Ao lado de Mazinho dos Anjos (PSD), Davi pode ser considerado um dos mentores do grupo. Os outros cinco integrantes são os vereadores Dalto Neves (PTB), Roberto Martins (PTB), Sandro Parrini (PDT), Nathan Medeiros (PSB) e Luiz Paulo Amorim (PV).
Segundo Davi, os oito continuam formando um grupo sólido, que cultiva um projeto maior: o de lançar um pré-candidato a prefeito de Vitória em 2020. “O grupo coloca à disposição três nomes: Davi, Mazinho e Cleber Felix. Os três já comunicaram a seus partidos suas intenções.”
A ideia, conta o vereador, é disponibilizar um desses três nomes ao núcleo político do governador Renato Casagrande (PSB), formado também pelo PPS do prefeito Luciano Rezende, PDT, PP, PV, entre outras siglas. A princípio, Luciano já tem um pré-candidato a sua sucessão no cargo: o deputado estadual Fabrício Gandini (PPS). Mas o grupo de Davi quer aprofundar a discussão com a cidade e não pretende aceitar ser jogado para escanteio. Querem que seu pré-candidato seja considerado e discutido como alternativa a Gandini, no mesmo patamar.
“Somos um grupo que se uniu e entendeu que o primeiro degrau, e não o último, seria exatamente ganhar a Câmara de Vitória. E, a partir do momento que chegamos lá, criamos um relacionamento muito sólido, que sofreu muita pressão política, mas que se manteve firme pelo projeto que se desenha para a frente. A eleição da Mesa foi o primeiro degrau. O pedido de todos os oito foi que o projeto não se limitasse à presidência da Câmara”, explica Davi Esmael.
“Queremos romper esse teto que havia de que a gente não poderia ansiar por nada além da reeleição dos oito a vereador. Então esse grupo apresentará à cidade de Vitória, dentro do grupo político de Renato Casagrande, uma alternativa para a prefeitura. Dentro do grupo do Renato, queremos construir um programa de governo que a cidade precisa, para que alguém lidere esse programa. Pode ser um dos oito. Pode ser alguém de fora, mas diferente dos nomes que têm sido colocados como usuais. Que não seja Gandini, que não seja Amaro Neto (PRB) e que não seja Carlos Manato (PSL).”
E Luciano lá vai gostar dessa ideia? Afinal, o projeto dele é outro. E atende por outro nome. Davi responde com uma farpa: “Nomes não reúnem pessoas. O círculo de amizade pessoal não pode ser confundido com aquilo de que a cidade de Vitória precisa. A gente quer projeto. E depois identificar quem é que melhor lidera esse projeto e apresentar à cidade de Vitória um candidato a prefeito.”
Pelo jeito, após chegar à Mesa, Davi e seus aliados querem fazer a cama de Luciano.
E NÃO É SÓ ISSO
Os planos de Davi Esmael e companhia vão além de 2020: “Em 2022, queremos ter um deputado estadual e um deputado federal eleitos pelo grupo. A curto e médio prazo, esses são os objetivos traçados pelo grupo dos oito”.
SÓLIDO, MAS NEM TANTO
Mas esse “grupo dos oito” que hoje comanda a Câmara está mesmo tão sólido e coeso como Davi dá a entender? Alguns sinais indicam o contrário. Em plenário, ele, Mazinho e Roberto Martins têm mantido postura de oposição à prefeitura (tanto nos pronunciamentos críticos como na votação de projetos de Luciano). Mas não têm conseguido formar maioria nas disputas em plenário, onde o prefeito tem obtido a aprovação de seus projetos mais importantes.
VOTAÇÕES RECENTES
Foi assim, por exemplo, na sessão da última quarta-feira, com a aprovação de dois projetos que geraram muita discussão na Casa: o que remanejou recursos no orçamento municipal de 2019 e o que autorizou a concessão de 18 quiosques na Curva da Jurema.
TÁTICA DE LUCIANO
Além disso, Luciano tem atraído integrantes do “grupo dos oito” para seu lado, o que mina a solidez do grupo. Nathan Medeiros se tornará secretário municipal de Serviços. Já o PV, de Luiz Paulo Amorim, terá o novo secretário de Esportes: Dr. Louzada. Segundo Davi, isso na verdade só prova que o grupo jamais foi de oposição a Luciano e que seis dos oito (ele inclusive) são membros da base do prefeito. As exceções, diz Davi, são Mazinho e Roberto Martins.
ALIADO, PERO NO MUCHO
Mesmo se incluindo entre aliados e sendo o vice-líder do prefeito em plenário, Davi tem massacrado o ex-presidente da Câmara, Vinícius Simões (PPS), um dos maiores aliados de Luciano. Chamou-o na terça de “vereador Renan Calheiros”. Enquanto isso, exalta a gestão recém-iniciada do seu aliado, Cleber Felix.