Em geral, candidatos que vêm muito atrás não gostam de ler análises tão peremptórias, mas aqui temos que ser realistas e pragmáticos. Não dá para brigar com os números. E todos os números do levantamento, assim como os do anterior em Linhares, reforçam a mesma conclusão. Poderíamos até abrir margem para um “talvez”, um “se bem que”, um “a menos que”, se houvesse algum dado nesse sentido. Mas não há uma só informação na amostragem que configure o mínimo sinal de que o quadro eleitoral em Linhares possa virar de ponta-cabeça em pouco mais de 48 horas.
Ao contrário: o quadro está estagnado e cristalizado. O cenário da pesquisa desta quinta-feira (12) é praticamente o mesmo aferido pela
primeira pesquisa Ibope/Rede Gazeta em Linhares, publicada em 25 de outubro, com ligeiras oscilações (todas dentro da margem de erro, de cinco pontos para mais ou para menos). Assim, nenhum dos adversários de Guerino mostrou poder de reação nas últimas três semanas.
Na primeira pesquisa, o atual prefeito já concentrava 66% dos votos válidos, contra 12% do segundo colocado, o advogado Lucas Scaramussa (DC), ex-aliado de Guerino: uma vantagem de 54 pontos. Agora, Guerino tem 64% contra 16% de Scaramussa. A vantagem caiu seis pontinhos, mas manteve-se no patamar absurdo de 48 pontos percentuais (de novo: a três dias do pleito). Se Sacaramussa conseguir tirar uma vantagem de quase 50 pontos em tão pouco tempo, será o testemunho de um “milagre eleitoral”.
Nunca é demais lembrar que em Linhares não há 2º turno. Em qualquer hipótese (salvo alguma questão jurídica não prevista), a eleição acaba nesse domingo. Assim, para Guerino conseguir se reeleger, ele nem sequer precisa alcançar 50% + 1 dos votos válidos. Basta-lhe atingir mais votos que o segundo colocado.
E aí saltamos para outro dado da pesquisa que joga ainda mais água fria na esperança de qualquer adversário. Na intenção espontânea de votos (quando os entrevistados respondem em quem pretendem votar sem ver a lista com todos os candidatos), Guerino atinge mais da metade das menções (52%). Isso indica que é um voto muito consolidado na cabeça da maior parte dos eleitores linharenses.
Nesse cenário, o que resta para Scaramussa, para o deputado Marcos Garcia (PV) e para a ex-deputada estadual Eliana Dadalto (PTC)? Ainda que Guerino hoje se mostre inalcançável, resta-lhes buscar melhorar o próprio desempenho e alcançar a melhor votação possível no domingo, visando às próximas empreitadas eleitorais.
Os três têm aspirações relacionadas à Assembleia Legislativa. Em 2022, Garcia deve buscar a reeleição, como membro da base do governo Casagrande (PSB). Scaramussa tentou chegar à Casa em 2018, sem sucesso (contando então com o apoio de Guerino); pode tentar novamente, com melhor recall político, daqui a dois anos. O mesmo vale para Eliana, com uma observação no caso dela: como 1ª suplente da coligação de Fabrício Gandini (Cidadania), pode voltar para a Assembleia já em janeiro, se o deputado vencer a eleição a prefeito de Vitória.
Quanto ao próprio Guerino, se obtiver uma votação consagradora no domingo, não só entra em seu quinto mandato no Executivo de Linhares (um recorde entre os atuais prefeitos das maiores cidades do Estado) como esse capital pode até dar a ele condições de aspirar ao Poder Executivo em outro andar: o Palácio Anchieta.