Sair
Assine
Sair
Entrar

Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Vitor Vogas

Hartung para Toffoli: não era bem isso...

Publicado em 19 de Abril de 2019 às 00:50

Públicado em 

19 abr 2019 às 00:50
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

vvogas@redegazeta.com.br

Charge Crédito: Amarildo
No dia 10 de dezembro de 2018, o então governador Paulo Hartung conferiu ao presidente do STF, Dias Toffoli, a Comenda Jerônimo Monteiro, mais alta honraria concedida pelo governo capixaba a uma personalidade. A homenagem foi realizada em um salão do Palácio Anchieta. Ao chegar à sede do Executivo estadual, Toffoli foi recebido aos gritos de “vergonha” por cerca de 20 manifestantes. Hartung fez questão de descer para recebê-lo aos pés da escadaria.
Não só por esse primeiro gesto, mas principalmente pelo discurso feito na solenidade, Hartung conferiu um sentido simbólico muito mais amplo à entrega da comenda a Toffoli. Ao homenagear a pessoa do presidente do STF, buscou prestigiar uma instituição cujo prestígio já estava em queda livre. E chegou a dedicar palavras de estímulo ao ministro, exortando-o à adoção de uma postura proativa, de “liderança responsável”.
“Fica aqui a minha palavra, que é essencialmente política, e fica a minha motivação para o senhor: mantenha a firmeza nos seus princípios, nos seus valores, e vá em frente. Ajude o país! O país precisa como nunca de um exercício de liderança responsável.”
Naquele dia, colaboradores de Hartung explicaram por que o então governador decidira prestigiar o Judiciário, na pessoa do chefe do Poder no país, precisamente num momento em que o STF está tão desprestigiado. Para Hartung, o Judiciário deveria exercer um papel decisivo nos próximos anos, no sentido de frear eventuais arroubos autoritários e preservar a democracia. Esse papel, disse Hartung, caberia principalmente ao próprio Toffoli, como chefe do Poder. “O papel do senhor neste momento é muito importante. Nós precisamos soltar essa corda esticada”.
Hartung definiu o gesto como “uma homenagem dos democratas das terras capixabas”, “para que a intransigência e a intolerância não continuem a ganhar corpo país afora”. Em outro momento, salientou: “Essa comenda é do senhor, merecidamente, mas também é a palavra de um democrata em nome dos capixabas para fortalecer o Poder Judiciário do nosso país. O cidadão, quando não pode recorrer a mais ninguém, recorre ao Judiciário, para ter a garantia do seu direito. (...) Neste momento que o país vive, o senhor me permita que eu faça desta homenagem uma homenagem à Justiça brasileira. Precisamos dela como nunca”.
Pois é, de fato precisamos como nunca da Justiça. E, mais do que nunca, precisaríamos de um presidente do Supremo que exercitasse uma “liderança responsável”, que ajudasse o país a “soltar essa corda esticada” e que realmente mostrasse “firmeza” na defesa de princípios democráticos, “para que a intransigência e a intolerância não continuem a ganhar corpo país afora”. Só que o ministro Dias Toffoli tem feito o contrário disso tudo.
Passados pouco mais de quatro meses desde que recebeu de Hartung a medalha e os conselhos, Toffoli tem atuado muito mais como incendiário do que como bombeiro. Mostra intransigência e intolerância com seus críticos e, o que é pior, com a imprensa livre. Em vez de usar sua posição privilegiada e a autoridade natural do seu cargo para distensionar a corda, parece que tem se esforçado em tensioná-la ainda mais, agravando a crise entre as instituições: governo, Congresso, imprensa, Forças Armadas, Supremo.
CONCLUSÃO
Toffoli se tornou ele mesmo um elemento de instabilidade institucional. Ou o ministro não entendeu direito as recomendações de Hartung, ou os “princípios” e “valores” do ministro é que estão equivocados desde o início. Nesse caso, o então governador pregou (e deu a homenagem) para a pessoa errada.
HARTUNG NO CNJ
Hartung faz parte, hoje, do Conselho Consultivo do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), também presidido por Toffoli. O convite a ele foi confirmado no dia da homenagem. Essa é só uma das quatro atividades voluntárias a que o ex-governador tem se dedicado.
ATIVIDADES VOLUNTÁRIAS
Além disso, ele é membro do RenovaBR, movimento voltado à formação de novos líderes políticos; conselheiro do Todos pela Educação, movimento que busca melhorar a educação no Brasil; e integrante do Instituto de Estudos de Saúde (IES), movimento organizado pelo economista Armínio Fraga para propor melhorias na saúde pública do Brasil.
TRABALHOS REMUNERADOS
Hartung também está conciliando quatro atividades remuneradas. Assumiu a presidência da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), em São Paulo; compõe o Conselho Administrativo da Unimed; é chanceler da UVV, onde tem dado aulões sobre conjuntura nacional; e ministra palestras avulsas pelo país sobre gestão pública.
OPS! FALHA NOSSA
No último dia 12, afirmamos que a deputada Raquel Lessa chegou à Assembleia pelo PSD. Na verdade foi pelo SDD.

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Polícia Rodoviária Federal (PRF) foi acionada ao local
Motociclista morre após bater de frente com carreta na BR 262
Lourival Carvalho Santos Junior, de 24 anos, morreu em um acidente debaixo do viaduto de Carapina
Motociclista morre após acidente com ônibus do Transcol na Serra
Imagem de destaque
Veículos são incendiados em pátio da Secretaria de Educação de São Mateus

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados