Sair
Assine
Sair
Entrar

Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Vitor Vogas

Iriny Lopes: "Sou durona no debate"

Confira a coluna de Vitor Vogas deste sábado (12)

Publicado em 12 de Janeiro de 2019 às 13:42

Públicado em 

12 jan 2019 às 13:42
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

vvogas@redegazeta.com.br

Ilustração da coluna Vitor Vogas (12/01/19) Crédito: Arabson
Em outubro do ano passado, o eleitorado brasileiro em geral deu uma clara guinada à direita, com a eleição de muitos deputados federais e senadores bolsonaristas, não necessariamente do PSL, mas simpáticos às ideias do capitão da reserva. As urnas consagraram parlamentares de perfil conservador e com discurso radical antipetista – cuja representação máxima é o próprio presidente eleito. Isso será evidenciado no desenho do próximo Congresso, principalmente na Câmara Federal, mas também em algumas Assembleias Legislativas. No Espírito Santo não será diferente.
E é nesse plenário conservador, cercada de deputados do PSL (sigla que fez a maior bancada, com quatro deputados), que a experiente Iriny Lopes fará a sua estreia como deputada estadual, com a responsabilidade de defender e representar, solitariamente, o PT e o ideário do partido no ápice do antipetismo no Brasil. Iriny tem consciência do desafio que cabe a ela, não teme o isolamento em plenário, espera debate permanente com alguns colegas e se diz preparada para isso. Na linha “hay que endurecer, pero sin perder el decoro jamás”, avisa: “Sou durona no debate. Mas é no mérito. Só fica inimigo meu quem quer”.
O que planeja a única petista eleita para a Assembleia, num plenário com domínio maciço de deputados de direita, onde a senhora estará rodeada por bolsonaristas?
Tenho que aprender a ser deputada estadual. Já percebi que há uma grande diferença entre ser deputada federal e ser deputada estadual, não do ponto de vista da importância, mas da dinâmica. É bom lembrar que o apoio a Bolsonaro não é uma prerrogativa exclusiva do PSL. Ele teve apoiamentos de diversos partidos, exceto os partidos mais no campo democrático popular. Então tem a bancada do PSL, mas percebo que tem outros tantos deputados que apoiarão diversas iniciativas tomadas pelo governo federal. Isso obviamente vai gerar um debate permanente. Será um debate permanente dentro do plenário e das comissões.
A sra. se sente imbuída de uma “missão”, do compromisso de fazer esse tipo de embate e de enfrentamento em plenário se necessário, por ter sido a única deputada estadual eleita pelo PT?
Sim. Eu preciso fazer a defesa do legado do PT e preciso representar o campo de ideias, o ideário completo e a abissal diferença de programas de governo que houve entre o Bolsonaro e o Fernando Haddad. Então é minha responsabilidade. Eu não posso ir para lá só para cumprir um papel de despachante: atendimento aos interessantes dos meus eleitores. Eu não sou uma despachante. Sou uma deputada. E o papel do parlamentar é debater, é propor, é fazer leis e fiscalizar o cumprimento dessas leis e dos recursos orçamentários...
E, no caso da sra., o papel adicional de defender o PT, as ideias do partido?
As ideias e o legado. O legado real! Eu não estarei falando sobre sonhos. Estarei falando sobre questões reais: pleno emprego, políticas públicas destinadas a causas identitárias, no caso de mulheres, de negros, de deficientes, da comunidade LGBT, tudo que nós fizemos no campo do acesso ao ensino, dos direitos humanos.
A sra. entende que o predomínio de conservadores eleitos em 2018 também se manifestará na composição da nossa próxima Assembleia?
Sim, tem vários. Já tinha vários conservadores, que se reelegeram. Quanto aos novos parlamentares, ainda não conheço todos pessoalmente. Estou começando a conversar com eles. À medida da convivência, vamos vendo o seu perfil.
A sra. acredita que a polarização que tomou conta da política nacional vá se reproduzir também aqui no dia a dia da Assembleia? Assim como a eleição estadual de 2018, essa legislatura estadual será nacionalizada?
Em alguns temas sim. Em outros não. O Parlamento não se fixa num único tema. Quem se fixa num único tema é o parlamentar. Então, com determinados parlamentares, o debate sempre ocorrerá.
Com quem, por exemplo, a sra. espera esse embate permanente? Com a bancada do PSL?
Do PSL. Outros. Neste momento eu não gostaria de citar nomes. Deixa as coisas acontecerem. Mas eu conheço as pessoas. É só uma questão de tempo. Algumas vão começar já a se posicionar e se contrapor a teses que nós defendemos. Não há nenhuma necessidade de sermos agressivos, odientos, como estamos vendo parte da população e dos políticos fazendo. O que é necessário é firmeza e total transparência naquilo que você pensa e defende. Você não precisa ofender o outro para defender o que pensa nem desqualificar o outro para qualificar o que defende. Eu sou durona no debate. Mas é no mérito. Não gosto de atacar as pessoas. Não é do meu feitio. Mas também não é do meu feitio sair do debate. Eu debato dentro do mérito, com consistência, com conhecimento, com dados. Sempre procurei ser uma parlamentar estudiosa, que não sai por aí falando aquilo que me dá na telha, mas aquilo que eu estudo. Então nunca me dou por rendida em um debate, mas debato nesse tom. E só fica inimigo meu quem quer.
E, nesse contexto dos debates esperados, a sra. acha que corre o risco de ficar isolada, até por ser a única deputada do PT? E está pronta para fazer esse debate, mesmo que solitariamente, se necessário for?
Estou mais do que consciente de que sou a única parlamentar que vai defender o legado petista, do Lula e da Dilma. A respeito de isolamento, isso é uma coisa que inventaram para matar politicamente os outros. Estou junto de um conjunto enorme da população. Então não tenho medo de isolamento, porque isolamento de quem? Dos demais parlamentares? Que isolamento é esse?
Eu me referia mais ao isolamento em plenário mesmo...
É, em plenário... (dá um sorriso)

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Instituto Ponte
O Brasil que transforma pessoas
Orquestra Filarmônica Moderna Brasileira
Filarmônica Moderna Brasileira apresenta sucessos de Michael Jackson em Vitória
Disponível em formato eletrônico, a Autorização Eletrônica de Viagem é exigida para menores de 16 anos
Férias de julho provocam um recorde nos cartórios do ES

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados