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Vitor Vogas

Na Serra, briga para suceder Audifax já começou

Publicado em 05 de Janeiro de 2019 às 01:06

Públicado em 

05 jan 2019 às 01:06
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

vvogas@redegazeta.com.br

Crédito: Amarildo
Mal começou 2019, as movimentações mirando a eleição a prefeito da Serra em outubro do ano que vem têm ganhado prematura intensidade. Mais do que em qualquer outra cidade, os bastidores estão quentes, e desse calor já pipocam vários nomes como potenciais candidatos à sucessão de Audifax Barcelos (Rede), tanto dentro do núcleo político do prefeito como em grupos de oposição.
O destaque hoje fica por conta do grande número de aliados de Audifax (e um já não tão aliado) que pleiteiam a vaga de candidato do prefeito, o que leva a uma forte tendência de disputa interna. No núcleo mais próximo de Audifax, podemos citar o coronel Nylton Rodrigues (sem partido), o vereador Xambinho (Rede) e o ex-deputado estadual Roberto Carlos (Rede), todos de olho na vaga, além do deputado estadual Bruno Lamas (PSB), hoje não tão próximo politicamente de Audifax.
Para a própria sucessão, quem goza hoje da preferência de Audifax é o ex-comandante-geral da PMES e ex-secretário estadual de Segurança, coronel Nylton. Ele acaba de ir para a reserva e de ser reescalado para comandar a Secretaria de Defesa Social da Serra (município mais violento do Espírito Santo). No dia 28 de dezembro, Nylton confirmou à coluna o que já se especulava largamente: pretende entrar na política. E candidatar-se a prefeito está, sim, nos seus planos. Segundo Nylton, inclusive, ele e Audifax já têm discutido a hipótese há algum tempo.
Mas outro candidato a candidato, Xambinho, não pretende ficar parado (fez até outdoor de “Feliz Natal”). Fiel aliado de Audifax na Câmara da Serra, ele acaba de subir um degrau: prepara-se para assumir seu primeiro mandato na Assembleia, onde espera repetir a dose, como homem de confiança do prefeito.
Também admitindo que a prefeitura está no seu radar, Xambinho manda um recado endereçado ao prefeito, com uma crítica direta à eventual preferência por um nome “sem experiência política”. Enviesadamente, o alvo do “alerta” é Nylton.
“Pretendo estar na mesa de discussão com o prefeito para a gente discutir um nome para a sucessão em 2020. Esse nome também pode ser o meu. Mas isso passa por uma construção. Só acho muito difícil o Audifax fazer o que o [Sérgio] Vidigal fez com ele. É muito difícil o Audifax querer criar um nome técnico, sem base política na Serra. O prefeito tem que abrir o leque e buscar uma liderança nova na cidade para fazer sua sucessão. Tem que ser um nome com experiência política e que conhece a cidade. É o momento de ele parar para refletir e até fortalecer a base política que já existe na cidade”, argumenta o quase deputado.
Correndo por fora, mas muito por fora mesmo (praticamente não correndo), o nome de Roberto Carlos também é ventilado por alguns. Também filiado à Rede, o ex-petista acaba de assumir a Secretaria de Trabalho, Emprego e Renda da Serra (área em que tem militância histórica). Ele até admite cultivar o sonho de ser prefeito um dia, mas hoje é um sonho temperado por boa dose de realismo.
“Tenho o sonho, sim. E quem está na chuva é para se molhar. Mas o resultado da eleição de 2018 não foi animador para mim. Tenho uma estrada a percorrer e hoje estou bem distante de ser esse nome do grupo do prefeito”, afirma Roberto Carlos, que só teve 5.569 votos na última eleição a deputado estadual. Para ele, a briga na seara do prefeito será mesmo entre Xambinho e Nylton. Promete.
CENA POLÍTICA
Ex-centroavante do São Paulo, Aloísio Chulapa está em negociação com o Serra Futebol Clube. Amigos alertam Xambinho: tem rival chegando na grande área. É que Chulapa também é conhecido por “Danone” (como ele mesmo chama outra bebida não tão infantil). Ou seja: concorrência à vista na Serra!
E quanto a Bruno Lamas?
Outrora muito próximos, Audifax e Bruno Lamas (PSB) têm dado sinais de afastamento desde 2018. A mãe de Bruno, Márcia Lamas (PSB), é a vice de Audifax. O sonho maior de Bruno seria lançar-se prefeito com apoio de Audifax. Ele inclusive afirma para quem quiser ouvir que o prefeito tinha a “palavra empenhada” em apoiá-lo. Mas tudo indica que isso não vai se concretizar.
Conjuntura estadual
Audifax tem feito movimentos na direção de Hartung. Apoiou Rose de Freitas ao governo e hoje não está no polo de Casagrande. Sua crítica aberta ao decreto de suspensão de convênios não deixa dúvida quanto isso. Lamas, por sua vez, está cada vez mais integrado ao núcleo de Casagrande. Além de ser do mesmo partido, assumirá a Secretaria de Estado de Trabalho. Sem espaço no bloco de Audifax, do qual parece ter sido expelido, pode ser candidato a prefeito, mas como representante do atual governo estadual.
Saindo debaixo da asa
Para analistas da política serrana, Lamas deve mesmo se lançar sem a tutela de Audifax, pois chegou a hora de mostrar que está em outro patamar. Mesmo que perca, só o fato de entrar na disputa mostrará que tem autonomia e identidade política própria. O mesmo raciocínio vale para Vandinho (PSDB), que retorna à Assembleia e deve se lançar com ou sem o apoio de Vidigal (PDT).
Nas outras raias
A propósito, em movimentos paralelos, há as possíveis candidaturas de Vandinho, Vidigal e do bloco PSL-PRB (leia-se Manato e Amaro Neto). Subtema para uma próxima coluna.

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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