Na Serra, todos têm a mesma certeza: após 24 anos de revezamento no poder entre Audifax Barcelos (Rede) e Sérgio Vidigal (PDT), a eleição de 2020 finalmente vai “zerar o jogo” no município. Encerrando o segundo mandato, Audifax não poderá tentar outro – cogita lançar-se a prefeito de Vitória, se a legislação o permitir até lá. Quanto a Vidigal, saiu enfraquecido da eleição de 2018. Até conseguiu se reeleger deputado federal, mas com menos da metade dos votos obtidos por ele há quatro anos. Assim, pela primeira vez em mais de duas décadas, abre-se uma janela de oportunidade para a ascensão de um novo líder político na Serra, rompendo com essa polarização.
Não por outra razão, mais do que em qualquer outra grande cidade capixaba, as movimentações eleitorais na Serra já foram desencadeadas. Dentro do grupo de Audifax, o coronel Nylton Rodrigues e o futuro deputado Xambinho (Rede) têm interesse declarado em participar desse processo. O deputado estadual Bruno Lamas (PSB), hoje não tão próximo de Audifax, é apontado como pré-candidato a prefeito pelo grupo político do governador Renato Casagrande, do mesmo partido. Lamas e Audifax se distanciaram, mas o futuro secretário estadual de Trabalho está longe de ser oposição.
Só que há outros potenciais candidatos que podem se lançar em outras raias nessa corrida, como opositores de Audifax. Um deles é Vandinho Leite (PSDB), que se prepara para voltar à Assembleia e já se movimenta nos bastidores para viabilizar candidatura a prefeito. Isso passa por convencer Vidigal a apoiá-lo. Na eleição municipal de 2016, o tucano foi vice na chapa de Vidigal. No pleito de 2018, a parceria entre eles sofreu um estremecimento. Isso porque, na última hora, o pedetista lançou a mulher, Sueli Vidigal, na disputa por uma vaga na Assembleia. Vandinho se sentiu prejudicado porque, mesmo não eleita, Sueli teria feito concorrência a ele no mesmo reduto e lhe tirado alguns votos na Serra.
Agora, enquanto reconstrói a relação, Vandinho trabalha para convencer Vidigal a ser seu cabo eleitoral. Isso não será fácil, porém. Mesmo tendo saído menor da eleição de 2018, o ex-prefeito não pode ser subestimado, e seu nome é sempre lembrado para empreender nova tentativa de voltar à Prefeitura da Serra. Calejado, Vidigal não toca no assunto e só deve decidir sobre candidatura em cima da hora, com base em pesquisas.
Finalmente, num movimento próprio, o deputado estadual Amaro Neto (PRB), campeão de votos na eleição à Câmara Federal em 2018, é fortemente cotado para concorrer a prefeito da Serra em 2020. No ano passado, ele foi o 2º candidato a federal mais votado na cidade, atrás apenas de Vidigal. O deputado federal Carlos Manato, presidente estadual do PSL, precipitou o lançamento do aliado em entrevista à coluna, numa possível dobradinha com o PRB que também envolve a eleição a prefeito de Vitória.
Por sua vez, Amaro nega que esteja pensando em eleição neste momento. “Seria interessante um nome novo na Serra, para oxigenar. Mas isso não quer dizer que serei candidato lá. Manato é meu amigo, eu gostaria de caminhar com ele e provavelmente caminharemos, mas não tem nada de candidatura aqui e acolá. É ruim conversar sobre a eleição de 2020 sendo que nem tomei posse como deputado federal. Não estou interessado em discutir eleição agora.”
Amaro está aprendendo.