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Cordel Político

O Cordel de Pazolini: a Saga do Delegado Bom de Voto

Canto a vós um delegado / Que fama e bravura ostenta / Projetou-se neste Estado / Porque abusos ele enfrenta / Tem nome de diretor / De cinema: Pazolini / Ganhou o voto do eleitor / Vai estrelar o próprio filme

Publicado em 06 de Dezembro de 2020 às 05:00

Públicado em 

06 dez 2020 às 05:00
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

vvogas@redegazeta.com.br

O Cordel de Pazolini: a Saga do Delegado Bom de Voto
O Cordel de Pazolini: a Saga do Delegado Bom de Voto Crédito: Amarildo

Canto a vós um delegado
Que fama e bravura ostenta
Projetou-se neste Estado
Porque abusos ele enfrenta
Tem nome de diretor
De cinema: Pazolini
Ganhou o voto do eleitor
Vai estrelar o próprio filme

Seu nome é italiano
Mas o sangue até que é frio
Fala calmo, “piano, piano”
Mas também acende o pavio
Nas brigas e nas contendas
Não se mostra muito afoito
Vai à tribuna, argumenta
Sem sacar seu 38

Trinta e oito é a idade
Do jovem bom de resenha
Perdeu o pai na mocidade
Cresceu em Jardim da Penha
Estudou um bocado
Na FDV fez Direito
Mas não virou advogado
Já tinha o plano perfeito:

Entre Vitais e baladas,
Entrou pra nação concurseira
Lendo até de madrugada
(Devem vir daí as olheiras)
O suor não foi eterno
Logo foi selecionado:
Auditor de controle externo
Na Corte de Contas do Estado

No tribunal ficou pouco
Como experiência lhe serviu
Mas logo foi aprovado em outro
Certame: o da Polícia Civil
Rodou por delegacias
E atuou em muitas frentes
No interior, na Corregedoria
E na divisão de Entorpecentes

Até que, cinco anos atrás,
Foi chefiar a DPCA
E da mídia, então, não saiu mais
Virou praticamente um pop star
Nesse departamento da polícia
Conduziu operações notáveis
E protagonizou muitas notícias
No combate a crimes inomináveis

Na bandeira aproximou-se de Magno
É fato e é preciso registrar:
Transformaram CPI em espetáculo
Num show que se haveria de evitar
Em 2018 se lançou
Pela primeira vez, pra deputado
O eleitorado o abraçou
Foi logo o 2º mais votado

“Chegou chegando” na Assembleia
Pulou a “fase de adaptação”
Chamou a atenção no ano de estreia
Por sua atuação na oposição
Isto é, sempre se disse “independente”
Mas era opositor, convenhamos…
Com a base já bateu muito de frente
Que o diga Enivaldo dos Anjos…

Seu voto sempre foi “não”
Nos projetos mais importantes
Enviados para votação
Pelo governo Casagrande:
Previdência, regras de transição
O PPA, o Fundo Soberano
Criação da iNova (a fundação)
E até no orçamento deste ano!

Aproximou-se do grupo de Amaro
De Roberto e de Erick Musso
Filiou-se ao partido deles (claro)
E foi, então, prestar outro concurso:
Para prefeito da Capital!
Mas antes se envolveu em confusão:
A da “visitinha” ao hospital
Para o governo, uma “invasão”

Na campanha juntou aliados
Muita gente bem ligada ao Paulo
Magno ficou escanteado
Pazô não quis com a vice agraciá-lo
Para a vaga, escalou uma PM
Estéfane, uma jovem oficial
Chapa ante a qual bandido treme
Cem por cento formação policial

Falaram bastante de segurança
Mas também propostas em outras áreas
Conflitos também houve em abundância
Sobretudo com Gandini: tretas várias!
Este tentou pôr Gratz e o crime
No colo do delegado, má aposta
E uma operação contra Gandini
Foi de Pazolini a resposta

Depois, no 2º turno, com João,
Briga de ideologia, sim, senhor!
Veio à tona o hospital, sua ligação
Com Damares e com o ex-senador
Mas Pazô nunca aceitou ser rotulado
Como um produto do bolsonarismo
Disse: “Apenas na cidade tô focado
E a técnica será meu catecismo”.

A cidade de Vitória fez sua escolha
O poder foi delegado ao delegado
Que se juntem agora, então, as várias bolhas
Na torcida pra que faça um bom mandato
A oposição fará a sua parte
Como ele mesmo fez, na Assembleia,
Mas que ganhe, sobretudo, a cidade,
Com uma união de esforços e ideias

Correção

07/12/2020 - 11:00
O texto original deste Cordel Político informava, equivocadamente, que Lorenzo Pazolini "estudou no Leonardo", em alusão ao colégio Leonardo da Vinci. Na realidade, ele cursou o ensino básico nos colégios Darwin e Salesiano. Por isso, o 5º verso da 3ª estrofe foi alterado para: "Estudou um bocado". Pelo mesmo motivo, a gravação em áudio do cordel, que continha a informação equivocada, foi suprimida desta publicação.

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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