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Vitor Vogas

O momento é delicado para Audifax

No tabuleiro político estadual, o prefeito hoje carece de um aliado peso-pesado que tenha não só prestígio como tinta na caneta

Publicado em 23 de Maio de 2019 às 23:48

Públicado em 

23 mai 2019 às 23:48

Colunista

Charge Crédito: Amarildo
O prefeito da Serra, Audifax Barcelos (Rede), vive um momento politicamente delicado, tendendo a um isolamento perigoso, de certo modo causado por ele mesmo. No tabuleiro político estadual, o prefeito hoje carece de um aliado peso-pesado que tenha não só prestígio como tinta na caneta. Enquanto isso, no cenário municipal, tem sido acossado pela Câmara, onde uma ampla maioria de vereadores (16 de 23) formou-se contra ele e onde foram instauradas comissões processantes que, com ou sem base fática, ameaçam-no até com a cassação.
Desde que se reelegeu, em 2016, Audifax tem feito alguns movimentos erráticos e algumas apostas malsucedidas.
O dia 1º de janeiro de 2017 foi o dia da posse de Audifax para o atual mandato e o da eleição da Mesa Diretora da Câmara da Serra. Nessa disputa interna do outro Poder, o prefeito apostou no cavalo errado: veladamente, apoiou a reeleição, para a presidência, da vereadora Neidia Pimentel (PSD), mas essa acabou afastada pela Justiça em 2018. No lugar dela, emergiu Rodrigo Caldeira, filiado por Audifax à Rede Sustentabilidade. Mas o homem que o prefeito acolheu no próprio partido logo se revelaria seu pior inimigo local. Outra decisão que lhe custou.
No plano estadual, alguns movimentos do prefeito também não deram certo. Após eleger-se pelo PSB em 2012, Audifax migrou para a Rede, embarcando no sonho alentado por Marina Silva. Mas sonho que se sonha junto nem sempre é realidade. O resultado do partido na eleição municipal de 2016 já havia sido pífio. Na de 2018, a Rede fez água.
Na última eleição a governador, Audifax apoiou Rose de Freitas (Pode), um desapontamento nas urnas. Depois do pleito, não obstante a vitória de Casagrande, o prefeito emitiu sinais públicos de aliança política com Paulo Hartung (sem partido). No início deste ano, em sua equipe de governo, absorveu nomes de confiança do ex-governador.
Na Secretaria de Defesa Social da Serra, escalou o coronel Nylton Rodrigues, secretário estadual de Segurança no fim da gestão de Hartung. Na de Desenvolvimento Econômico, nomeou José Eduardo Azevedo, secretário estadual de Desenvolvimento durante todo o governo passado (2015-2018). Com bem menos peso administrativo, mas ainda mais peso simbólico, veio a nomeação de José Eliomar Rosa Brizolinha, o histórico “carregador de piano” de Hartung, em cargo de 3º escalão. Em contrapartida, Audifax exonerou todos os assessores indicados pela vice-prefeita, Márcia Lamas, aliada e correligionária de Casagrande. Restou-lhe o gabinete com a placa de vice-prefeita.
Enquanto a crise com a Câmara começava a dar sinais de agravamento, Audifax começou a se indispor com o recém-empossado Casagrande. Este, assim que assumiu, suspendeu convênios firmados por Hartung com municípios no apagar das luzes da administração passada – alguns deles, muito importantes, com a Serra. Quase todos os prefeitos devolveram os recursos de pronto para o Tesouro Estadual. Audifax foi um dos poucos a resistir e chegou a criticar publicamente a medida de Casagrande. Depois, acabou cedendo. Em paralelo, o “deputado de Audifax”, Xambinho (Rede), alinhou-se a um grupo praticamente de oposição ao governo na Assembleia.
Tudo isso levou a certo isolamento de Audifax. Nos primeiros meses do ano, até a relação institucional com o governo estadual ficou bem comprometida. Acontece que, desde 1º de janeiro, Hartung não tem mandato e hoje está muito mais ocupado com seus múltiplos compromissos nacionais do que com a micropolítica capixaba. Em busca de uma válvula de escape, o prefeito chegou a ensaiar, em março, uma aliança política com o grupo do PRB formado por atores como Erick Musso, Roberto Carneiro e Amaro Neto. Ficou só no ensaio, porém. Muitos caciques já vivem ali, na mesma tribo.
Nos últimos dias, contudo, o quadro tem começado a mudar. Fontes da coluna dão conta de que, sem saída, Audifax iniciou um movimento de reaproximação institucional com o governo, a qual, se ainda não é política, pode evoluir para isso. Dois mediadores se destacam. Um deles é Paulo Foletto (PSB), grande amigo do prefeito. No início da semana, Audifax foi conversar com o secretário de Agricultura de Casagrande na sede da pasta. O outro é o secretário estadual de Trabalho, Bruno Lamas (PSB). Na semana passada, ele e o prefeito conversaram na Serra.
Lamas chegou a convidar Audifax para se refiliar ao PSB. “O projeto da Rede faliu aqui e no Brasil inteiro. Audifax entrou e saiu do PSB pela porta da frente. Eu o convidei para voltar”, confirma Lamas, que não esconde o desejo de suceder Audifax na eleição de 2020. O convite, no entanto, não foi carimbado por Casagrande, segundo Lamas e o próprio governador.
O que pode emperrar esse princípio de reaproximação política? Sérgio Vidigal. Diferentemente de Audifax e seu grupo, ele e seu PDT apoiaram a reeleição de Casagrande e fazem parte do atual governo – com indicações sobretudo na Secretaria de Estado de Esportes. Em compensação, aliás retribuição, Vidigal nomeou Frei Paulão (PSB), aliado de Casagrande, como seu assessor na Câmara. Prova de “comprometimento político”.

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