Quando governantes não sabem muito bem o que fazer, costumam seguir alguns padrões: às vezes, acenam com a proposta de uma nova reforma política (foi a resposta imediata, por exemplo, de Dilma Rousseff aos protestos de junho de 2013, era balela e não deu em nada); outras vezes, propõem algum tipo de pacto solene para o bem da nação.
Foi o que fez o presidente Bolsonaro, no último dia 28 de maio, após protestos de rua contra cortes na educação (da alfabetização à pós-graduação) e manifestações na véspera a favor dele. Bolsonaro reuniu-se com os presidentes do STF, Dias Toffoli, da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM). E o governo anunciou a celebração de um “Pacto entre os Poderes”, ou "Pacto pelo Brasil", com objetivos vagos e imprecisos. Estamos até agora a esperar em que consiste exatamente o acordo.
Descontemos o fato de que Toffoli, pela natureza de sua função, nem deveria estar ali a se comprometer com pactos que podem envolver medidas que poderão ir parar na pauta de julgamento do STF. O fato é que haviam marcado a formalização da assinatura do tal pacto para a última segunda-feira (10) – segundo Onyx Lorenzoni (DEM), com um conjunto de metas e ações “a favor da retomada do crescimento”.
No dia 10, o Palácio do Planalto deu novo prazo para a assinatura: de acordo com o porta-voz da Presidência, Otávio do Rêgo Barros, a nova previsão era que o acordo fosse firmado nesta semana. Nada feito. Claro está, a esta altura, que o natimorto pacto não passou de pactoide.
Fabio Luiz na Câmara
Prata no vôlei de praia nas Olimpíadas de Pequim, 2008, Fabio Luiz Magalhães está lotado no cargo de coordenador de Comissões da Câmara de Vitória desde 8 de abril. Ligado ao vereador licenciado Nathan Medeiros (PSB), atual secretário municipal de Serviços, o ex-atleta é da cota de servidores comissionados indicados pelo vereador Amaral (PHS), suplente de Nathan. Na prática, é da cota de Nathan mesmo, pois Amaral manteve a maioria dos assessores do antecessor.
Convenção do MDB
Um aliado do ex-deputado Marcelino Fraga, candidato à presidência estadual do MDB contra Lelo Coimbra, afirma que o conselheiro do TCES Sérgio Borges (ex-MDB) estaria participando de articulações em favor da chapa de Marcelino. O mesmo estariam fazendo o secretário estadual de Governo, Tyago Hoffmann (PSB), e o chefe da Casa Civil, Davi Diniz, ambos da alta cúpula do governo Casagrande. Por meio das respectivas assessorias, todos negaram com veemência participação na disputa interna do MDB.
Dois com uma pedra só
Não é o Davi da Bíblia, mas o vereador Davi Esmael reporta-se bastante ao livro sagrado. Da tribuna da Câmara de Vitória, empunhou a sua seta e, com a mesma pedra, atingiu Nathan Medeiros e Fabrício Gandini: revelou a articulação para Nathan ser vice de Gandini e, de quebra, insinuou que este não é bom de diálogo. “Vereador Nathan, desde que escolheu ser vice do Gandini na chapa de 2020, e eu tô com muita clareza no que eu tô falando, desde que a prefeitura lança um candidato e já escolhe o seu vice, e um bom vice, diga-se de passagem, um cara trabalhador, educado, que dialoga, corrige inclusive dificuldades do candidato majoritário já escolhido também...”
Dúvida incômoda
Davi está incomodado com a situação, pois está rompido com a gestão de Luciano Rezende (PPS) e postula que o PSB tenha candidato próprio à sucessão do prefeito. Por isso, pode estar “empurrando” Nathan para o PV. Com a permanência dele no PSB, todos duvidam que o partido terá candidato próprio. Talvez justamente por isso Gandini tenha decidido abrir o jogo sobre o projeto de parceria com Nathan, na coluna da última terça-feira.
PV declara apoio
Hoje à frente da Secretaria Municipal de Esportes, com Dr. Louzada, o PV já dá por certo que apoiará Gandini. “Nosso candidato é o Gandini. Já demos nossa palavra, e somos um partido de palavra. O PV caminhará com o PPS”, confirma o futuro presidente municipal da sigla, Lúcio Hemerly. Gandini espera o anúncio público do apoio no próximo encontro do PPS, em 29 de junho.