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Eleições 2020

Pesquisa Ibope na Serra: Vidigal hoje estaria eleito no 1° turno

Rejeição ao ex-prefeito, por incrível que pareça, é menor que a de seus principais adversários: 24% para ele, contra 25% para Xambinho (PL) e 30% para Vandinho e Bruno Lamas

Publicado em 19 de Outubro de 2020 às 20:45

Públicado em 

19 out 2020 às 20:45
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

vvogas@redegazeta.com.br

Sergio Vidigal, deputado federal do ES pelo PDT
Sergio Vidigal, deputado federal do ES pelo PDT Crédito: Agência Câmara
pesquisa Ibope/Rede Gazeta publicada nesta segunda-feira (19) revela que hoje o deputado federal Sérgio Vidigal (PDT) estaria eleito em 1º turno na Serra. Quebrando a regra que temos observado nos outros maiores municípios capixabas (Vitória, Vila Velha e Cariacica), a Serra pode ser o único a ter a eleição decidida em turno único. Na intenção estimulada de voto, Vidigal hoje alcança incríveis 46%. Considerando só os votos válidos, hoje ele teria 57%.
Com 27 dias para 15 de novembro, data do 1º turno da votação, o quadro logicamente ainda pode mudar, mas repito: se a eleição fosse hoje, com base nos números apresentados pelo levantamento do Ibope, o ex-prefeito estaria eleito.
A conta dos votos válidos foi feita pela coluna seguindo a metodologia adotada por todos os institutos de pesquisa, inclusive o Ibope, quando querem fazer essa projeção: na tabela de intenções estimuladas de voto, excluímos os respondentes que indicam votos nulos e brancos e, também, a categoria "não sabe/não respondeu” (os indecisos).
No levantamento do Ibope, brancos e nulos perfazem 11% dos entrevistados. Já os entrevistados que não sabem ou não responderam totalizam 8%. Excluindo do cálculo essas respostas e considerando somente os eleitores que indicaram voto em algum candidato, chegamos aos seguintes resultados:
Se a eleição fosse hoje, Vidigal teria 57% dos votos válidos. Em segundo, bem distante, viria Vandinho Leite (PSDB), com 14%. Em terceiro, Bruno Lamas (PSB), com 10%.
Vale lembrar que, para liquidar a fatura no 1º turno, um candidato precisa ultrapassar a metade dos votos válidos, ou seja, superar a soma dos votos de todos os outros candidatos.

FORÇA TAMBÉM NA ESPONTÂNEA

A força eleitoral de Vidigal também sobressai da intenção espontânea de voto (quando os entrevistados respondem em quem pretendem votar sem ter acesso à relação de candidatos a prefeito). De cara, Vidigal aparece com 30% das menções, enquanto o 2º colocado, Vandinho, é citado por 5% dos entrevistados.
No cenário de hoje, é como se a corrida rumo à Prefeitura da Serra fosse uma prova disputada por Vidigal, sozinho, contra os demais: todos contra Vidigal. Hoje o pedetista está numa corrida à parte, passeando solitariamente, muito à frente de todos os concorrentes, embolados entre si, duas voltas atrás do líder.

REJEIÇÃO SOB CONTROLE

Para cristalizar o favoritismo de Vidigal e a dificuldade dos demais em alcançá-lo nessa corrida, a rejeição ao ex-prefeito, por incrível que pareça, é menor que a de seus principais adversários: 24% para ele, contra 25% para Xambinho (PL) e 30% para Vandinho e Bruno Lamas. Isso é incomum para alguém que já foi prefeito da cidade por três mandatos.
A título de comparação, a pesquisa Ibope/Rede Gazeta em Vitória mostrou rejeição de 35% contra o ex-prefeito João Coser (PT); a de Vila Velha trouxe uma rejeição de 44% contra o atual prefeito, Max Filho (PSDB), e de 36% contra o ex-prefeito Neucimar Fraga (PSD). A “fadiga de material”, neste caso, não está se manifestando contra Vidigal na Serra.

A FALTA QUE AUDIFAX FAZ...

Em 2008, sua última vitória na eleição a prefeito, Vidigal passeou no pleito. Em 2012 e 2016, perdeu para Audifax Barcelos (Rede). Dessa vez, Audifax não está na disputa, o que ajuda a explicar essa vantagem toda de Vidigal. Aparentemente, nas mentes e corações dos eleitores serranos, continua havendo espaço apenas para dois políticos.
Com a pedra de Audifax Barcelos fora do seu caminho, Vidigal, neste momento, não tem adversário à altura. E desponta, potencialmente, como o único candidato a prefeito nos quatro maiores municípios do Espírito Santo com chances reais de se sagrar vencedor já no 1º turno.

SÓ UM FENÔMENO...

O quadro ainda pode mudar? Pode. Mas, para que isso ocorra, será necessário um fato novo capaz de gerar uma reviravolta histórica; um fenômeno ou meteoro eleitoral que hoje não se vislumbra, em uma disputa curta, atípica, onde o recall político conta demais e que, para completar, não tem propaganda de rádio e TV.

CANDIDATOS DO PREFEITO E DO PSB

Com 7% de intenção de voto na estimulada, o vereador Fábio (Rede), apadrinhado por Audifax, ainda não animou o eleitorado, o que pode ser problemático para o prefeito. O mesmo se aplica ao deputado Bruno Lamas (PSB), com 8%, candidato do partido do governador Renato Casagrande.
Nos dois casos, se os candidatos sofrerem eventual derrota acachapante, parte da fatura poderá ser cobrada, respectivamente, do prefeito e do governador.

SE BEM QUE...

Mas há uma grande diferença nos dois casos: Vidigal é aliado de Casagrande. Sua vitória convém a ele.

DIVISÃO NÃO FUNCIONOU

Por ora, não está funcionando a tese de que muitas candidaturas poderiam atrapalhar Vidigal e “forçar” um 2º turno. Talvez, para quem quisesse derrotá-lo, teria sido melhor unir forças em torno de um só oponente.

POUCOS INDECISOS

Sinalizando um quadro que caminha para a consolidação, o percentual de eleitores indecisos na Serra, a este ponto do processo, é relativamente baixo: 38% na espontânea e só 8% na estimulada.

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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