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Vitor Vogas

PPS e PSB: peças que hoje não se encaixam

Fabrício Gandini (PPS) diz que é candidato à Prefeitura de Vitória e quer ter Nathan Medeiros (PSB) como vice. Acontece que o PSB quer lançar seu próprio candidato (um dos nomes é o de Majeski)

Publicado em 19 de Junho de 2019 às 02:31

Públicado em 

19 jun 2019 às 02:31
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

vvogas@redegazeta.com.br

O deputado estadual Fabrício Gandini (PPS) agora assume pré-candidatura à Prefeitura de Vitória. Também indica que o sonho de consumo do PPS é ter o vereador licenciado Nathan Medeiros (PSB) como vice da chapa. Do ponto de vista geográfico, a dobradinha, se confirmada, faz perfeito sentido, pois eles têm bases eleitorais diferentes que poderiam se complementar. Esse é o primeiro motivo da projetada parceria, e foi o que analisamos aqui ontem.
O segundo motivo da “solução Nathan” é partidário. Além da geografia da cidade, entra na conta a geopolítica estadual. E aí o negócio fica mais complicado. Com Nathan na vice, o PPS “segura” o PSB na chapa e garante a reedição da parceria que vem desde 2012 com o partido de Renato Casagrande. A princípio, também faz total sentido. Só que o momento agora é outro.
O problema, para o PPS, é que a sigla do governador tem três pré-candidatos, e todos afirmam que o PSB terá candidato próprio na Capital: o deputado estadual Sergio Majeski, o atual vice-prefeito, Sérgio de Sá, e o vereador Davi Esmael – Majeski com mais possibilidades, Sá correndo por fora e Davi com chances remotas, embora hoje faça oposição a Luciano e seja o mais ardoroso defensor da tese de candidatura própria.
Se essa tese prosperar, evidentemente, Nathan não poderá ser vice de Gandini (pelo menos não pelo PSB). No fim das contas, a decisão competirá ao partido do governador. Exatamente por estar de volta ao Palácio Anchieta, o poder de negociação do PSB cresceu bastante, e o partido pode enxergar em 2020 sua grande chance de fazer o prefeito da Capital (cargo jamais ocupado por um pessebista), mesmo que isso signifique sacrificar a aliança com o PPS.
Por sua vez, um correligionário de Gandini e do prefeito Luciano Rezende (PPS) relembra que, em 2014, Gandini “foi para o sacrifício”, topando ser vice de Casagrande na eleição ao governo do Estado. A chapa foi derrotada, e Gandini “adiou” por quatro anos sua chegada à Assembleia Legislativa. Para a turma do PSB, essa conta já está paga: o partido apoiou a reeleição de Luciano em 2016.
Votação surpreendente
Outro ponto a favor de Nathan como vice de Gandini foi a surpreendente votação do vereador do PSB na eleição a deputado federal em 2018 (17.963 votos), superando a de Lenise Loureiro (PPS), maior aposta de Luciano para o mesmo cargo (17.617 votos), e chegando perto da que teve Gandini para estadual (20.170 votos). Isso fez com que o núcleo de Luciano passasse a prestar mais atenção no vereador de primeiro mandato.
Convite estratégico
Tanto que, em abril, a convite de Luciano, Nathan assumiu a Central de Serviços da prefeitura. O convite cumpriu três objetivos: 1) estreitar o laço com o PSB; 2) enfraquecer o grupo do presidente da Câmara de Vitória, Clebinho (PP) – Nathan votou nele em agosto de 2018 para comandar a Casa, contra o candidato do prefeito, o vereador Leonil (PPS); 3) e, como agora se sabe, começar a dar a Nathan a imagem de candidato a vice-prefeito com lastro da administração.
Davi lança a pedra
Na sessão plenária do último dia 11, o vereador Davi Esmael (PSB) antecipou, da tribuna da Câmara: Nathan pode ser vice de Gandini e, para isso, pode trocar o PSB pelo Partido Verde (PV). “O vereador (Nathan) já escolheu ir pro PV pra buscar a vice-prefeitura numa chapa composta com o deputado estadual Gandini. Que tenha um bom caminhar na escolha que faz ou que eu imagino que já tenha feito.”
Nathan nega
À coluna, Nathan nega tudo. “Não confirmo. Não houve convite. Não existe essa articulação de mudança de partido. Nunca conversei com ninguém do PV.”
Atual presidente hesita
O vereador Luiz Paulo Amorim, atual presidente do PV em Vitória, desconversa, mas abre uma fresta da porta. “Oficialmente não houve nada de efetivo sobre isso. Mas Nathan caberia muito bem no PV.”
Mas o futuro confirma
Faltou combinar direito. Ouvimos também o chefe de gabinete de Amorim, Lúcio Hemerly, que substituirá o vereador na presidência municipal do PV no dia 7 de julho. Ele confirma tudo. Hemerly, Amorim e Gandini conversaram, sem a presença de Nathan, sobre a opção de o PV o filiar para ser vice de Gandini caso o PSB lance candidato. “Não convidamos o Nathan oficialmente. Mas vamos supor que o PSB lance uma candidatura a prefeito. Nós abriríamos o PV para que o Nathan lance uma candidatura a vice. Houve essa conversa, sim. Mas ele viria pra ser vice, pra não assustar os nossos candidatos a vereador. Achei até um excelente nome. Vamos estender um tapete verde pra ele vir pra cá.”
CENA POLÍTICA
O deputado Marcelo Santos colhia os votos dos colegas ao relatar um projeto em urgência. “Como vota o deputado Vandinho?”, perguntou. Vandinho estava no fundo do plenário e, antes que pudesse responder, Marcelo contabilizou o voto dele a favor do seu parecer. Segundos depois, Vandinho apareceu e interpelou Marcelo. Como o voto era mesmo com o relator, Marcelo não perdeu a pose: “É que, só pelo seu jeito de andar, eu já sabia que ia votar comigo”.

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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