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Vitor Vogas

Racha no plenário na disputa por vaga de conselheiro

O governo de Renato Casagrande (PSB) e o próprio governador, pessoalmente, estão engajados numa campanha - praticamente uma blitz - para emplacar o presidente estadual do PSB, Luiz Carlos Ciciliotti, aliado histórico de Casagrande. O governo não tem disfarçado isso

Publicado em 12 de Fevereiro de 2019 às 00:20

Públicado em 

12 fev 2019 às 00:20
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

vvogas@redegazeta.com.br

“O pau está quebrando”, disse um deputado estadual, à entrada do plenário, ao lado de um colega parlamentar. “Então o plenário vai rachar?”, perguntei ao primeiro. O segundo se adiantou: “Na verdade já está rachado”.
O assunto da conversa foi a disputa pelo preenchimento da vaga do conselheiro Valci Ferreira no Tribunal de Contas do Estado, prestes a ser oficialmente aberta, seja pela publicação da aposentadoria do conselheiro – afastado desde 2007 e em prisão domiciliar desde 2018 –, seja pelo trânsito em julgado de seu processo. O que vier primeiro.
O governo de Renato Casagrande (PSB) e o próprio governador, pessoalmente, estão engajados numa campanha – praticamente uma blitz – para emplacar o presidente estadual do PSB, Luiz Carlos Ciciliotti, aliado histórico de Casagrande. O governo não tem disfarçado isso. 
Em paralelo, com o apoio do presidente da Assembleia, Erick Musso (PRB), o deputado estadual Marcelo Santos (PDT) também se articula visando à mesma cadeira. Ao contrário do governo, Marcelo esconde o jogo e não admite a intenção de se inscrever na disputa. Pelo menos não ainda. Sabe que, se bater de frente com o governo, animal muito maior e mais poderoso que ele, tende a levar a pior. Como raposa astuta que é, o deputado está na moita, pronto para dar o bote na vaga na hora certa. Enquanto isso, diga Marcelo o que quiser, o fato é que ele se articula.
E ele nem precisa abrir o jogo. Alguns de seus apoiadores fizeram isso por ele, em conversa com a coluna. Nos bastidores, já está em curso uma intensa “disputa de listas” entre o governo e o grupo de Marcelo. Numa corrida contra o tempo, o governo recolhe assinaturas de deputados da base para fortalecer a indicação de Ciciliotti, enquanto a lista de Marcelo também percorre os gabinetes.
Quem terá mais assinaturas? Ainda não sabemos. O certo é que a base de Casagrande já dá mesmo sinais de divisão por causa dessa competição. Para se ter ideia, dos dois deputados citados no primeiro parágrafo, um diz ter assinado a lista em favor de Ciciliotti, enquanto o outro assinou a de apoio a Marcelo. A pergunta que fica não é tanto quem mais ganha com essa divisão em plenário logo no início do mandato, mas quem mais perde com isso. E, principalmente, quem mais arrisca o próprio capital político.
Por um lado, ao bancar Ciciliotti, Casagrande está se arriscando muito. Mesmo que no fim ganhe a batalha e atinja seu objetivo estratégico – empurrar um aliado incondicional para dentro do TCES –, alguma perda será inevitável no que concerne à unidade da base. O nome escolhido pelo governador não “passa” tão facilmente em plenário e pegou muitos aliados de surpresa. O custo para eleger Ciciliotti será alto. O governo, supõe-se, terá de assumir muitos compromissos no varejo político. E, mesmo que obtenha uma vitória apertada, não deixará de ser uma derrota, pois mostrará uma base rachada, cisão essa que poderá ter sequelas na governabilidade futura.
É a visão expressada até por um integrante da base. Para ele, sem “a mão pesada do governo” (a pata do elefante), Marcelo tem “uma vantagem gigantesca”.
Para outro deputado governista, é Erick Musso quem se arrisca muito em bancar a candidatura de Marcelo e, assim, contrariar Casagrande. Musso deve muito a Marcelo. Foi ele, ao lado de Enivaldo dos Anjos (PSD), o grande articulador da reeleição do presidente da Mesa. Musso ainda não comentou o tema. Ontem, chamou atenção pelo comportamento em plenário: enquanto deixava Marcelo, seu vice-presidente, tocar a sessão, passou parte dela na parte de baixo do plenário, abordando colega por colega ao pé do ouvido. De futebol é que não falou.
A questão é que, se Marcelo for para o embate e perder, quem perde com ele é Musso, que pode ficar queimado com o governo em pleno início de mandato. Casagrande já não estaria lá muito satisfeito com o presidente da Assembleia, que não está facilitando em nada a viabilização de Ciciliotti.
E Marcelo, o que tem a perder? Aparentemente, não muito. Se deixar de disputar a vaga (de novo) desta vez, aí sim pode perder a sua última grande chance.
CENA POLÍTICA
No último ato da sessão plenária da Assembleia, ontem, Vandinho Leite (PSDB) e Sergio Majeski (PSB) tiveram um desentendimento feio em plenário. Da tribuna, Vandinho classificou um pronunciamento de Majeski como “farra bizarra”. “Vossa Excelência é que é uma criatura bizarra”, rebateu Majeski. Na saída do plenário, Capitão Assumção comentou: “Da próxima vez vou vir com minha farda dos Bombeiros, para apagar qualquer incêndio como esse”.

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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