Sair
Assine
Sair
Entrar

Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Vitor Vogas

Teoria da limonada aguada deu certo para Casagrande

Entenda a vitória do governo na Comissão de Segurança

Publicado em 26 de Abril de 2019 às 01:15

Públicado em 

26 abr 2019 às 01:15
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

vvogas@redegazeta.com.br

Charge Crédito: Amarildo
O governo Casagrande conseguiu fazer uma limonada nesta quinta (25) na Assembleia, com a aprovação dos dois projetos de lei complementar do governador que alteram as regras de promoções na Polícia Militar e nos Bombeiros. Mas com quantos limões se faz uma limonada? Aliás, com quanta água? Explico:
Na votação em plenário, o governo venceu por 18 votos a 11 no projeto dos oficiais e 17 a 11 no dos praças. Foi a batalha definitiva. Antes dela, porém, houve uma batalha política ainda mais importante, do ponto de vista simbólico, travada dentro da comissão temática encarregada de analisar os projetos no mérito: a de Segurança Pública. Ali estão concentrados os quatro deputados que compõem a chamada “bancada da farda”: Capitão Assumção (PSL), Coronel Quintino (PSL), Danilo Bahiense (PSL) e Lorenzo Pazolini (sem partido). Todos eles atuaram em defesa dos interesses das associações de classe. Por isso, posicionaram-se contra a redação dos projetos enviados por Casagrande e tentaram emplacar algumas emendas ao texto.
Na Comissão de Segurança, o presidente do colegiado, Danilo Bahiense, designou Pazolini e Assumção como relatores, respectivamente, dos projetos que tratavam das promoções de oficiais e de praças. Ambos propuseram uma série de emendas que não agradavam nem interessavam ao governo. A mais importante delas era uma espécie de meio termo entre o que queria o Executivo e o que pretendiam as associações: excluir do projeto o impedimento à promoção de militares que respondam a processos criminais na Justiça, mantendo o veto só em casos de crimes hediondos. Mas, na votação interna da própria Comissão de Segurança, o governo prevaleceu. Todas as emendas de Pazolini e de Assumção foram derrotadas, pelo placar de 5 a 4.
O governo, assim, obteve ali uma primeira vitória política, essencial porque encorajou deputados da base e sinalizou o triunfo seguinte, na votação definitiva em plenário. E essa vitória na Comissão de Segurança só foi possível graças ao que chamamos aqui, no dia 5 de fevereiro, de “teoria da limonada aguada”.
Lá no início de fevereiro, logo após a eleição de Mesa Diretora, o governo fez uma manobra legítima, que se provou tão astuta quanto útil: “espertamente”, aumentou o número de membros titulares da Comissão de Segurança, de cinco para nove. Nada irregular, ok? O Regimento Interno da Casa permite que cada comissão tenha de três a nove titulares. Só que, até aquele momento, o número era cinco. Em anos anteriores, já havia chegado a sete. Nove, jamais. Por que o Palácio Anchieta operou para quase dobrar os componentes do colegiado?
Porque se deu conta de que, desde o início das articulações visando ao preenchimento das vagas nas comissões temáticas da Casa, a bancada da farda tendia a “monopolizar” a de Segurança. Desde janeiro ou até antes disso, todas as então cinco vagas já estavam, por assim dizer, “reservadas” por deputados ligados a forças de segurança pública: os dois oficiais da reserva da PMES, os dois delegados e, ainda, Euclério Sampaio, servidor aposentado da Polícia Civil.
Aí o que o governo fez? Conseguiu aumentar o número de assentos no colegiado, enchendo-o de aliados de primeira hora de Casagrande, justamente a fim de “quebrar” a concentração de poder que a bancada da farda poderia ter se reinasse ali sozinha. Isso foi feito por meio de articulação conduzida pelo líder do blocão parlamentar, deputado Marcelo Santos (PDT) – fechadíssimo com Casagrande –, com a participação do secretário-chefe da Casa Civil, Davi Diniz (PPS), articulador político de Casagrande.
À época, nos corredores da Assembleia, quando questionados sobre alguma expectativa de risco vindo da Comissão de Segurança, eles diziam que iam colocar lá “gente nossa” (isto é, do governo).
Eis, então, a teoria aplicada: sem poder retirar os limões, já espremidos na jarra, o que o governo fez foi diluir o sumo dos limões em mais “água governista”, para diminuir uma concentração que poderia se revelar azeda demais para o Executivo, dependendo das matérias em discussão.
Naquela altura, essa operação passou quase despercebida e pareceu banal. Mas de casual não teve nada. O governo sabia, desde então, que inchar a Comissão de Segurança e preencher todas as vagas extras com fiéis aliados governistas poderia ser muito útil algum dia, lá na frente. Bem, esse dia chegou nesta quinta.
Na votação dos pareceres de Pazolini e Assumção na Comissão de Segurança, as emendas que não convinham ao Palácio foram derrubadas. E o que poderia ter sido um 4 a 1 contra os interesses do Palácio (tivesse a comissão o número original de cinco membros) virou um 5 a 4 a favor do Executivo. Tudo graças ao inchaço premeditado da comissão.
Mais água, enfim, na limonada do governo. E, no caso específico, também no chope dos deputados “rebelados”.

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Vista de Itarana
Polícia Militar, Itarana e Vitória: 28 mil vagas em concursos e seleções
SML de Linhares, no Norte do ES
Professor morre após acidente entre duas motocicletas em São Mateus
Perspectiva do Porto da Imetame em Aracruz
Portos brasileiros ampliam capacidade para exportar petróleo do pré-sal

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados