A esta altura da corrida, o número de pré-candidatos a prefeito de Cariacica não cabe numa pista olímpica (oito raias). Em 2020, Juninho (PPS) não poderá se reeleger. Isso aumenta a expectativa de poder dos vários grupos políticos estabelecidos na cidade e tem estimulado um sem-número de pré-candidatos de olho na cadeira de prefeito. Só na Câmara Municipal, pelo menos oito vereadores, de um total de 19, são apontados como possíveis candidatos à sucessão de Juninho. Alguns admitem a pretensão. Outros aparecem em listas formuladas pelos próprios colegas.
Um dos mais fortemente cotados é o atual presidente da Câmara, Cesar Lucas (PV), considerado aliado de primeira hora de Juninho. Nenhum dos demais vereadores ouvidos para esta coluna tem a menor dúvida quanto às aspirações de Lucas. Entendem que ele quer suceder Juninho com o apoio do prefeito e que, justamente por isso, tem dirigido a Câmara como um eficiente facilitador dos interesses da administração. Mas o próprio Lucas não confirma isso. À coluna, afirma que, hoje, dificilmente seria candidato, devido ao clima de radicalização política que se apossou do país inteiro.
A longa lista também traz o vereador Joel da Costa (PPS), que, na última segunda, protagonizou entrevero público com Lucas, ameaçando-o, da tribuna, com um movimento para derrubá-lo da presidência. O curioso é que ambos eram grandes aliados e, na última eleição da Mesa Diretora, realizada em 1º de janeiro, Costa foi um dos principais apoiadores da recondução de Lucas ao cargo.
Cabo da reserva da PMES e no exercício do 1º mandato, Costa é do mesmo partido de Juninho. Admite abertamente a pré-candidatura e diz não contar com o apoio do atual prefeito, até porque elegeu-se em 2016 pelo PMDB, então partido do deputado Marcelo Santos – portanto, naquele ano, esteve no palanque do maior adversário de Juninho. Costa migrou para o PPS em 2018 na esteira de Josias da Vitória, também cabo da reserva da PMES e agora deputado federal. “Hoje sou aliado de Juninho, mas não o apoiei em 2016. Não conto com o apoio dele. Mas espero o apoio dele por sermos do mesmo partido”, explica o vereador.
Outra a figurar no rol de pré-candidatos assumidos é a experiente vereadora Ilma Chrizostomo (PSDB), que acaba de adotar postura de oposição declarada a Juninho. Ela se inclui, ao lado de colegas, na própria lista de prefeitáveis.
Autodeclarado independente – postura confirmada por colegas de plenário –, Celso Andreon também admite pré-candidatura. “Hoje não faço movimento de reeleição à vereança, mas de eleição para o Executivo.” Para viabilizar os planos, ele diz que pretende trocar a atual sigla (PRTB) por “outro caminho partidário”.
Outro nome lembrado é o do Professor Elinho (PV), considerado independente por si mesmo, mas opositor de Juninho por alguns pares. Em 2017, como ele próprio confirma, Elinho registrou em cartório o compromisso de não tentar reeleição para vereador em 2020, por respeito à “alternância de poder”. Ex-PT, ele nega ser pré-candidato a prefeito e diz não cogitar tal possibilidade. Mas faz aquela ressalva clássica, para se manter no jogo: tem recebido apoio de líderes comunitários e setores da sociedade civil.
Muito ligado a Marcelo Santos e independente em relação a Juninho, o vereador Edson Nogueira (MDB) tem o nome citado por colegas. Mas ele mesmo confirma à coluna pertencer ao grupo do deputado e afirma que, se Marcelo quiser tentar de novo (seria a 4ª vez seguida), a preferência no grupo é toda dele.
O vereador Sérgio Camilo (PSC) é considerado opositor de Juninho por seus pares, os mesmos que também o relacionam como pré-candidato a prefeito. Não conseguimos contato com ele.
O nome de Lelo Couto, aliado de Juninho, não foi mencionado por nenhum vereador ouvido, mas, em conversa com a coluna, ele mesmo incluiu-se. “Sou presidente municipal do PL (ex-PR) e, dependendo do partido, posso ser candidato a prefeito”.
Está provado, pois: mesmo sem haver espaço para todos, todos querem entrar nesta corrida. Sozinhos, os vereadores já preenchem as oito raias da pista olímpica. Mas ainda tem muito mais gente...
Números da concorrência
Um forte indicador de como é a acirrada a concorrência entre vereadores de Cariacica que podem se candidatar à prefeitura está no resultado da eleição passada a deputado estadual. Considerando só os votos de eleitores da cidade, os dois candidatos mais votados foram, nesta ordem, Lorenzo Pazolini (hoje sem partido) e Marcelo Santos (PDT), ambos eleitos. Na sequência, vejam só:
. 3º) Cesar Lucas: 6.650 votos
. 5º) Sérgio Camilo: 5.780 votos
. 6ª) Ilma Siqueira: 5.723 votos
. 8º) Joel da Costa: 5.570 votos
. 9º) Celso Andreon: 5.170 votos
Conforto para Juninho
Hoje, na Câmara, Juninho desfruta de maioria folgada. Sua base é formada por 14 dos 19 edis, o que lhe dá comodidade na votação dos projetos do Executivo. De acordo com vereadores, Cesar Lucas assegura ao prefeito a governabilidade e a tranquilidade no relacionamento entre os Poderes. Tido até por oposicionsitas como um presidente afável, de fácil trato e bom trânsito com todos, Lucas tampouco cerceia as falas dos críticos à administração do aliado.
Exceções (fora da base)
Ilma Chrizostomo, Sérgio Camilo e Elinho são relacionados pelos pares como oposição a Juninho. Edson Nogueira e Celso Andreon, como independentes.
Mais especulações
Hoje nos detivemos nos pré-candidatos que vêm da Câmara. Mas, fora dela, a lista de nomes cotados também vai longe: Helder Salomão (PT), Marcelo Santos, Marcos Bruno (Rede), Subtenente Assis (PSL), Sandro Locutor (PROS) e o vice-prefeito Nilton Basílio (PSDB). Isso só para citar os mais lembrados...