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Eleições 2020

Vice-prefeito de Luciano ganha força na eleição à Prefeitura de Vitória

A candidatura de Sérgio Sá, do partido de Casagrande (PSB), está se fortalecendo a partir de movimentos de agentes como Jaqueline Moraes, Sandro Locutor, Neuzinha de Oliveira e Fabrício Gandini, que está cooperando com "concorrente amigo"

Publicado em 24 de Junho de 2020 às 05:00

Públicado em 

24 jun 2020 às 05:00
Vitor Vogas

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Vitor Vogas

vvogas@redegazeta.com.br

Data: 28/07/2016 - Sérgio Sá, vice-prefeito de Vitória
Data: 28/07/2016 - Sérgio Sá, vice-prefeito de Vitória Crédito: Divulgação - GZ
Ele entrou como azarão na corrida a prefeito de Vitória. A bem da verdade, ainda o é. Mas, de maneira persistente e obstinada, o vice-prefeito Sérgio Sá (PSB) não só se manteve vivo até aqui nesse disputado páreo como tem conseguido consolidar a sua candidatura à sucessão de Luciano Rezende, com recentes adesões de outros partidos e o ingresso de alguns aliados em seu barco (alguns esperados, outros nem tanto).
Nos bastidores, pouca gente ainda tem dúvida: sejam quais forem as suas chances, o nome de Sérgio Sá estará mesmo na urna em novembro. Nem ele vai desistir de se lançar nem o PSB vai desistir de lançá-lo. Isso significa que o partido do governador Renato Casagrande terá mesmo candidato próprio a prefeito da Capital.
A candidatura de Sá está tomando forma e ganhando corpo, com movimentos de agentes políticos como o deputado estadual Fabrício Gandini (Cidadania), o ex-deputado estadual Sandro Locutor (PROS), a vice-governadora Jaqueline Moraes (PSB), o ex-prefeito Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB) e, inesperadamente, a vereadora Neuzinha de Oliveira (presidente do PSDB em Vitória).
“Ganhamos mais musculatura a cada dia. Estamos tendo muitas adesões”, diz o vice-prefeito.

COOPERAÇÃO: GANDINI ESTÁ AJUDANDO SÁ

Presidente estadual do Cidadania, partido de Luciano Rezende, Gandini é o candidato apoiado pelo prefeito, de quem também é discípulo político, como sabem até os pedregulhos das ruas de Jardim Camburi. A princípio, não seria de esperar que um pré-candidato a prefeito se empenhasse em fortalecer a candidatura de outro, mesmo que pertencente ao mesmo campo político.
Mas, nos bastidores, é exatamente o que está fazendo o deputado do Cidadania: ajudando a fortalecer a chapa de Sérgio Sá (ou Serginho, como o vice-prefeito é mais conhecido). Como? Ajudando a levar alguns partidos menores para a coligação do pré-candidato do PSB, de modo a aumentar a viabilidade do seu adversário eleitoral. Quer dizer, adversário, mas nem tanto. E é aí que reside a explicação.
Gandini, assim como Luciano, é aliado de primeira hora de Renato Casagrande. Quanto a Sá, nem precisa dizer. Na disputa majoritária em Vitória, os dois não só estão no mesmo campo político-ideológico (partidos de centro-esquerda) como pertencem ao mesmo bloco no tabuleiro político estadual: o que comanda, atualmente, o governo do Estado.
Na eleição em Vitória, cada um correndo na sua raia, Gandini e Sá representarão o governo Casagrande, contra outro polo (de direita e de oposição ao governo) que deve ser representado, por exemplo, pelos deputados estaduais Lorenzo Pazolini (Republicanos) e Capitão Assumção (Patriota). No segundo turno, se um dos dois avançar, é certa a união de forças entre Gandini e Sá (leia-se Cidadania e PSB).
Partindo dessa premissa, Gandini está fazendo um exercício de cálculo e de balança política. Para ele, não interessa que o PSB lance um candidato que possa ameaçá-lo ou ser maior que ele (como poderia ser o deputado estadual Sergio Majeski). Por outro lado, tampouco interessa que o PSB tenha um candidato enfraquecido no processo. Para o candidato de Luciano, o ideal é que o PSB tenha um concorrente menor que ele nas intenções de voto... mas não muito menor.

“ANTES SÁ QUE MAJESKI”

Como permaneceu no PSB, Majeski, em tese, ainda pode ser candidato a prefeito (se o diretório municipal do partido, numa última reviravolta, assim decidir na convenção). Pesquisas internas do Cidadania apontam que Majeski, além de ter maior recall político que Sá e partir com intenções de voto mais altas que as do vice-prefeito, tem muito maior potencial para tirar votos de Gandini, por ter perfil político mais parecido com o dele e ser mais votado nas mesmas classes onde Gandini vai melhor (A, B e C+).
Com Majeski no páreo, Gandini disputará e dividirá com ele os mesmos eleitores. Enquanto isso, na visão do staff de Gandini, Sérgio Sá herda o eleitorado do pai, o deputado estadual José Esmeraldo (MDB), mais concentrado em outros segmentos sociais. Os dois não se acotovelariam no mesmo nicho.
Por esses fatores, Gandini está convencido de que o melhor candidato do PSB, para ele mesmo, é Sérgio Sá. E, até para garantir que o vice-prefeito chegue mais forte à convenção e às vésperas da campanha (eliminando qualquer “recaída” do PSB na direção de Majeski), Gandini está empenhado em ajudar a deslocar alguns partidos da base de Casagrande para a coligação de Sá, enquanto garante para si alguns outros, numa espécie de “partilha das forças governistas”. Tudo isso, é claro, conversado com o próprio governador.

LOCUTOR GARANTE APOIO A SÁ

Na própria coligação, Gandini já tem assegurado, por exemplo, o apoio do PV e do Podemos, enquanto Sá já garantiu para si o apoio do PROS.
Também aliado de Casagrande, o presidente estadual do partido, Sandro Locutor, confirma à coluna que, há cerca de duas semanas, fechou oficialmente o apoio do PROS ao vice-prefeito. Ajudou muito nesse sentido a mudança de domicílio eleitoral do deputado federal Amaro Neto (Republicanos), de Vitória para a Serra. Desde 2019, Locutor tinha uma conversa bem engatilhada com Amaro sobre Vitória. Mas o deslocamento do deputado deixou o caminho livre para Locutor selar compromisso de apoio a Sérgio Sá.

JAQUELINE FARÁ VÍDEO DE APOIO

Também filiada ao PSB, a vice-governadora Jaqueline Moraes decidiu gravar um vídeo em apoio à pré-candidatura de Sérgio Sá a prefeito de Vitória. Os dois conversaram pessoalmente na casa do presidente municipal da agremiação, Juarez Vieira, no bairro Jucutuquara, na semana passada. Na ocasião, Jaqueline comprometeu-se a entrar para valer na campanha do vice-prefeito.

O QUE DIZ SÉRGIO SÁ

Em meados de 2019, ele começou a se apresentar em rodas de conversa como pré-candidato a prefeito e a trabalhar para se viabilizar. Em janeiro deste ano, desentendeu-se com Luciano Rezende e foi exonerado do cargo de secretário municipal de Obras e Habitação. Em fevereiro, em que pesem ressalvas de Majeski quanto ao formato da escolha, o fato é que Sá venceu de lavada a prévia promovida entre os dois pela Executiva Municipal do PSB.
Em cada etapa dessa trajetória, sempre que indagado se a candidatura era irreversível, Sá respondia o mesmo que segue dizendo agora: “Não vou retirar a candidatura”. Está pessoalmente determinado a mantê-la. E os dirigentes do PSB também não vão recuar.

DO PSDB, PODE VIR UMA SURPRESA

O vice-prefeito também já tem o apoio do Partido da Mulher Brasileira (PMB) e diz ter aliança encaminhada com outras quatro siglas da base de Casagrande, as quais ele prefere não declinar.
Conforme apuramos, quem também pode entrar nessa lista é o PSDB. A presidente municipal do partido, Neuzinha de Oliveira, confirma diálogo crescente com Sá e dirigentes do PSB, que pode até evoluir para uma composição. Se isso se concretizar, será grande surpresa, pois o presidente estadual dos tucanos, deputado Vandinho Leite, é unha e carne com Lorenzo Pazolini.
Isto é assunto para uma próxima coluna.

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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