Falta de ação no cumprimento de um dever. Essa definição de omissão deixa claro o que é praticado, ou deixar de ser, pela Liga Espanhola de Futebol no caso de atos racistas contra jogadores de futebol. Além disso, o racismo é considerado crime de ódio na Espanha e prevê pena de um a quatro anos de cadeia, o que até hoje não foi aplicado a nenhum torcedor criminoso. Os três que foram detidos no caso recente com o brasileiro Vinícius Júnior já foram soltos.
Vamos mostrar o passo a passo dessa omissão que chegou a um ponto insustentável com o lamentável número de dez casos em três anos, todos direcionados ao atacante brasileiro que joga no Real Madrid.
Cabe algumas informações que deixam clara a falta de ação da Liga Espanhola, a famosa "Lá Liga", que na realidade não liga para o que realmente deveria.
Com a reação do jogador, surgiram os discursos oportunistas sobre o caso. A Fifa, que deveria agir fortemente de cima para baixo, está apenas no discurso até o momento. A CBF, que já havia marcado um amistoso caça-níquel exatamente na Espanha contra a seleção da Guiné, quer transformar o amistoso em um oba-oba que ela está chamando de "marco" contra o racismo quando, na verdade, deveria cancelar o jogo em um sinal claro de protesto.
Em quase vinte anos atuando dentro de campo como árbitro, é verdade que eu já escutei de tudo, mas chegou a hora de um basta. Até porque desde 2019 a Fifa já deu a prerrogativa clara aos árbitros para agir nesses casos. O código disciplinar da entidade máxima do futebol mundial passou a prever ações em três etapas por parte da arbitragem.
Como vimos, nada disso foi feito como deveria, o que configura omissão total da arbitragem e das autoridades esportivas. O que esperar das autoridades civis e criminais que reiteradamente arquivam casos semelhantes como os citados acima? Não dá para esperar mais nada. É hora de começar a agir como se deve em um caso desses. Com energia e firmeza. Ponto final.